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Tubarão transforma o próprio corpo em um “farol”, emite luz própria e usa brilho para encontrar presas no fundo do oceano, aponta estudo
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 12/08/2026 às 18:30
Atualizado em 12/08/2026 às 18:31
Ciência e Tecnologia
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Pesquisadores revelam que o tubarão kitefin emite luz própria nas profundezas do oceano para se camuflar e também localizar alimento.
Em um estudo divulgado em 07 de agosto de 2026 na revista iScience, uma equipe de pesquisadores liderada pelo biólogo marinho Julien Claes, da Université Catholique de Louvain, na Bélgica, revelou que o tubarão kitefin desenvolveu um complexo sistema de emissão de luz própria.
Reconhecido como o maior vertebrado bioluminescente do planeta, o animal foi analisado a partir de oito exemplares coletados na região de Chatham Rise, a leste da Nova Zelândia.
Segundo os pesquisadores, o tubarão utiliza esse brilho não apenas para se ocultar de possíveis predadores nas águas profundas.
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A emissão de luz também funciona como uma engenhosa ferramenta estratégica para rastrear, iluminar e capturar suas presas na escuridão quase total do oceano.
Distribuição lateral da luz e o papel de farol biológico
Embora a barriga funcione para camuflagem, os pesquisadores notaram que a luz se espalha para os lados de forma mais ampla do que o normal.
Esse efeito ocorre na parte dianteira, abrangendo focinho, mandíbula e nadadeiras peitorais, atuando como um farol biológico para ajudar o predador a enxergar o fundo.
- Natação lenta: O kitefin é o tubarão mais lento já registrado, com velocidade de apenas 13 centímetros por segundo.
- Presas rápidas: Sua dieta inclui animais velozes, como cefalópodes e lanternsharks.
- Estratégia discreta: A aproximação furtiva compensa a baixa velocidade durante a caça.
Além disso, a análise detalhada da distribuição luminosa demonstra que a espécie desenvolveu adaptações anatômicas fascinantes para dominar o seu habitat escuro.
O fato de possuir emissão em áreas frontais reforça a tese de que a luz não serve apenas para ocultar o corpo contra predadores, mas atua ativamente na busca por sustento.
Portanto, a dinâmica de caça desse animal marinho ganha contornos complexos que vão muito além da simples defesa passiva nas zonas abissais.
O mecanismo de contra-iluminação e a camuflagem nas profundezas
Vários animais marinhos utilizam a contra-iluminação para evitar que suas silhuetas fiquem visíveis diante da luz que desce da superfície.
No caso dessa espécie estudada, a hipótese ganhou força porque o animal não possui predadores naturais conhecidos.
- Intensidade e cor: A luz ventral apresentou tom azul esverdeado com pico em 491 nanômetros.
- Profundidade compatível: A luminosidade medida coincide com o ambiente situado entre 480 e 540 metros.
- Ausência de ameaças: A escassez de predadores sugere que a emissão de luz serve a outros propósitos além da defesa.
Nesse contexto abissal, a regulação exata da intensidade luminosa permite que o organismo se misture perfeitamente com os fótons residuais que penetram a coluna d’água.
Como resultado, potenciais presas situadas acima ou abaixo do predador encontram enormes dificuldades para identificá-lo visualmente antes do bote final.
O enigma da nadadeira dorsal e os próximos passos da pesquisa
Outro detalhe que desafia a explicação puramente defensiva é a emissão luminosa na nadadeira dorsal, cujo brilho é cerca de dez vezes menor que o ventral, mas supera em cem vezes a luz ambiente do fundo.
Isso faria o animal se destacar lateralmente, levantando suspeitas de que tal brilho sirva para comunicação entre indivíduos ou para atrair presas.
- Análise embarcada: O estudo baseou-se em exames físicos de oito exemplares analisados a bordo.
- Necessidade de campo: Observações diretas no habitat natural ainda são necessárias para confirmar o comportamento real da espécie.
Por fim, os dados consolidados até o momento abrem novos horizontes para a biologia marina, mostrando que os segredos luminosos das profundezas guardam respostas complexas sobre a evolução dos vertebrados marinhos.
Fonte
Olhar Digital
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

