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Tumba perdida de quase 6 mil anos reaparece na Irlanda, arqueólogos acham outra ao lado sob pedra de 14 toneladas e um pingente raro de ametista

Tumba perdida de quase 6 mil anos reaparece na Irlanda, arqueólogos acham outra ao lado sob pedra de 14 toneladas e um pingente raro de ametista

5 min de leitura

Tumba perdida de quase 6 mil anos reaparece na Irlanda, arqueólogos acham outra ao lado sob pedra de 14 toneladas e um pingente raro de ametista

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 19/08/2026 às 18:30

Atualizado em 19/08/2026 às 18:31

Ciência e Tecnologia

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Michelle Comber e Noel McCarthy junto à pedra de cobertura da tumba portal descoberta em Prospecthill, no condado de Galway.

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Na Irlanda, arqueólogos redescobriram uma tumba neolítica dada como perdida e acharam outra ao lado, com uma pedra de 14 toneladas, ossos cremados e um raro pingente de ametista sem paralelo conhecido no país.

Uma escavação em Prospecthill, na península de Maree, no condado de Galway, devolveu ao mapa arqueológico uma tumba neolítica que se acreditava destruída e revelou, imediatamente ao lado, outro monumento funerário que nunca havia sido registrado como tumba. A combinação é considerada única na Irlanda pelos pesquisadores da University of Galway.

As duas estruturas remontam ao início do Neolítico, quase 6 mil anos atrás, quando comunidades agrícolas começavam a transformar de forma permanente a paisagem do oeste irlandês. O achado não se resume a duas câmaras de pedra: ele reúne arquitetura monumental, restos humanos cremados, cerâmica, ferramentas e um pequeno objeto de ametista que surpreendeu a equipe.

O trabalho integra o projeto MAREE – Land Use Through Time, coordenado por Michelle Comber e Noel McCarthy, da área de Arqueologia da University of Galway. A pesquisa acompanha como diferentes populações ocuparam e modificaram a península de Maree ao longo de milhares de anos.

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Duas tradições funerárias apareceram lado a lado no mesmo sítio

A primeira estrutura é uma court tomb, tipo de monumento megalítico dotado de uma área aberta ou pátio associada a cerimônias e encontros coletivos. A tumba de Prospecthill era conhecida em registros antigos, mas durante décadas se acreditou que tivesse sido completamente destruída. A escavação de 2026 recuperou sua planta e mostrou que ela alcança cerca de 30 metros de comprimento, colocando-a entre os maiores exemplos desse tipo identificados.

Ao lado dela surgiu a surpresa maior: os arqueólogos reconheceram os restos de uma portal tomb, uma câmara funerária construída com grandes blocos e marcada por uma enorme pedra de cobertura. Até a campanha atual, aquele segundo monumento não estava registrado como local de sepultamento.

Segundo a equipe, esta é a única ocorrência conhecida na Irlanda em que uma court tomb e uma portal tomb aparecem juntas. A proximidade coloca duas tradições monumentais diferentes no mesmo espaço e abre perguntas sobre cooperação, identidade, rituais e relações entre grupos que viveram na região.

A pedra de 14 toneladas preservou um depósito funerário raro

A portal tomb tem uma pedra de cobertura com quase quatro metros de comprimento, cerca de um metro de espessura e peso estimado em 14 toneladas. O esforço necessário para transportar, posicionar e sustentar uma peça desse porte indica uma obra coletiva, planejada por uma comunidade capaz de mobilizar muitas pessoas.

Os pesquisadores também identificaram que a câmara foi construída dentro de uma grande escavação aberta na rocha. A página do MAREE Project informa que esse poço chega a aproximadamente 1,1 metro de profundidade. A forma de implantação ajudou a conservar depósitos ligados ao uso inicial do monumento, algo particularmente valioso para entender práticas funerárias tão antigas.

Dentro da área escavada apareceram ferramentas de pedra, fragmentos de cerâmica pré-histórica e ossos humanos cremados. Esses materiais permitem estudar não apenas quem foi enterrado ali, mas como os mortos participaram de cerimônias e da memória coletiva dos primeiros agricultores da região.

Michelle Comber e Noel McCarthy durante a escavação em Prospecthill, onde a tumba portal apareceu ao lado da court tomb redescoberta. Crédito: Andrew Downes.

Pingente de ametista não tem paralelo conhecido em sítios irlandeses

Entre os objetos encontrados, um pequeno pingente de ametista se tornou a peça mais incomum. A University of Galway informou que contas de quartzo já são conhecidas em alguns monumentos megalíticos, mas que nada semelhante ao pingente de ametista de Prospecthill é conhecido em outros sítios da Irlanda.

O artefato foi recuperado na portal tomb e apresenta uma perfuração que permitia sua suspensão. A raridade da matéria-prima e o fato de o objeto estar associado a um depósito funerário preservado fazem dele uma pista importante sobre adornos, circulação de materiais e possíveis significados simbólicos no Neolítico irlandês.

A descoberta também mostra por que a preservação do contexto importa tanto para a arqueologia. Um objeto isolado pode revelar técnica e matéria-prima; encontrado junto de restos humanos, cerâmica, ferramentas e arquitetura, ele passa a integrar uma história mais ampla sobre rituais e relações sociais.

Escavação ajuda a reconstruir a vida dos primeiros agricultores do oeste da Irlanda

Comber e McCarthy relacionam a escala dos monumentos a uma comunidade numerosa que vivia e cultivava a costa de Galway. A construção de tumbas megalíticas exigia organização, conhecimento do terreno e trabalho coletivo, enquanto os espaços abertos associados às court tombs sugerem encontros que reuniam grupos para cerimônias.

A campanha de 2026 amplia muito a cronologia do MAREE Project. Em 2025, a equipe havia investigado Rathgurreen Ringfort e reunido evidências de uma ocupação de alto status na Alta Idade Média, com contatos que alcançavam outras partes da Europa. Agora, a pesquisa recua milhares de anos e alcança as comunidades agrícolas do início do Neolítico.

Os arqueólogos continuam analisando o sítio e seus materiais. A convivência entre duas formas de tumba, o depósito preservado sob a grande pedra e o pingente de ametista deixam questões abertas sobre quem eram essas pessoas, como se organizavam e por que escolheram construir monumentos tão diferentes lado a lado.

Para você, o que mais chama atenção nessa descoberta: a pedra de 14 toneladas, a presença de duas tumbas diferentes no mesmo lugar ou o pingente de ametista sem paralelo conhecido na Irlanda?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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