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Tuneladora chinesa escava 3.936 metros sob região marítima, enfrenta rochas de 191 MPa e chega perto de concluir 80% de trecho do maior túnel submarino para trem de alta velocidade do mundo
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 29/08/2026 às 17:30
Atualizado em 29/08/2026 às 17:31
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Túnel submarino de Jintang terá 11,21 km escavados por duas tuneladoras gigantes. As máquinas avançam de lados opostos, enquanto a China testa tecnologia para operações sob pressão extrema.
A China avançou em uma das etapas mais delicadas do túnel submarino de Jintang, que terá 16,18 km de extensão. Conforme informou a agência estatal Xinhua em 17 de agosto de 2026, trabalhadores concluíram uma complexa intervenção na tuneladora Yongzhou.
A equipe inspecionou e substituiu 104 ferramentas de corte. Para isso, os trabalhadores chegaram a 80 metros de profundidade e enfrentaram pressão de 7,8 bar.
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Além disso, a operação durou 21 dias. Ela serviu como teste prático para uma tecnologia chinesa criada para trabalhos hiperbáricos prolongados.
O túnel faz parte da ferrovia de alta velocidade entre Ningbo e Zhoushan, na província de Zhejiang. Quando concluída, a ligação deverá reduzir a viagem entre as duas cidades para 26 minutos.
Segundo a Xinhua, o projeto também deverá resultar no mais longo túnel submarino para ferrovia de alta velocidade do mundo.
Túnel submarino de Jintang terá 16,18 km de extensão
O túnel atravessa o canal de Jintang entre Ningbo e Zhoushan, no leste da China. Dessa forma, ele se tornou uma das estruturas mais importantes de toda a nova ferrovia.
A extensão total será de 16,18 km.
Desse percurso, 11,21 km serão construídos com tuneladoras. Duas máquinas gigantes trabalham simultaneamente no projeto.
Uma delas começou a escavação pelo lado de Ningbo. Enquanto isso, outra máquina avança a partir de Zhoushan.
As duas seguem em sentidos opostos. Finalmente, deverão se encontrar com elevada precisão abaixo do leito marinho.
Esse método exige controle constante da trajetória das máquinas. Além disso, as equipes precisam lidar com mudanças bruscas nas condições geológicas.
Grandes obras de engenharia já dependem de equipamentos cada vez mais precisos. Porém, o túnel chinês adiciona outro desafio: a elevada pressão existente sob o mar.
Rocha de até 191 MPa acelera desgaste da tuneladora
A tuneladora Yongzhou trabalha a partir do lado de Ningbo.
Ela deverá escavar 4.940 metros durante sua participação no projeto. Porém, o caminho atravessa formações geológicas especialmente difíceis.
Segundo a Xinhua, algumas rochas apresentam resistência de até 191 MPa.
Além disso, a máquina encontra regiões onde materiais duros e macios aparecem de maneira irregular. Essas mudanças aumentam o desgaste dos componentes instalados na cabeça de corte.
Consequentemente, algumas ferramentas precisam ser verificadas durante a escavação.
Em determinados casos, a equipe também precisa substituí-las antes que a máquina possa continuar avançando.
Entretanto, essa manutenção não acontece em condições normais.
Os trabalhadores precisam entrar em áreas pressurizadas próximas à cabeça da tuneladora. Por isso, a pressão se torna um dos maiores obstáculos técnicos da operação.
Trabalho acima de 6 bar entra em nível extremo de dificuldade
Intervenções hiperbáricas em tuneladoras já são complexas.
Porém, segundo a Xinhua, operações acima de 6 bar representam um desafio ainda maior para a engenharia.
Na intervenção mais recente, os trabalhadores chegaram a 80 metros de profundidade.
Nesse ponto, enfrentaram pressão de água de 7,8 bar.
A operação durou 21 dias. Durante esse período, a equipe verificou e substituiu 104 ferramentas de corte.
Portanto, não se tratou de uma manutenção convencional.
Os trabalhadores precisavam atuar em um ambiente controlado. Ao mesmo tempo, sistemas específicos mantinham condições adequadas para uma permanência prolongada sob alta pressão.
Essa dificuldade explica por que grandes projetos dependem cada vez mais de tecnologia desenvolvida para condições extremas.
No túnel de Jintang, a solução exigiu vários anos de desenvolvimento.
China levou 3 anos para desenvolver sistema hiperbárico
A equipe chinesa desenvolveu um sistema específico para permitir essas intervenções.
Segundo a Xinhua, o trabalho envolveu a China Railway 14th Bureau Group e o Shanghai Salvage Bureau. A segunda organização integra o Ministério dos Transportes da China.
O desenvolvimento levou três anos.
Durante esse período, os engenheiros combinaram duas tecnologias diferentes.
Primeiro, aproveitaram técnicas de mergulho saturado em águas profundas. Depois, adaptaram esses conhecimentos às necessidades das grandes tuneladoras.
O resultado recebeu o nome de Deep Sea Space Station, ou “estação espacial de águas profundas”.
Apesar do nome, o sistema opera dentro da infraestrutura subterrânea.
Seu objetivo é permitir que trabalhadores permaneçam em condições controladas enquanto realizam manutenção em áreas pressurizadas.
Sistema foi projetado para operar a até 100 metros
A estrutura inclui vários módulos.
Entre eles estão uma câmara de habitação, uma câmara de transferência e uma câmara de controle.
Além disso, o sistema possui equipamentos específicos para manter as condições necessárias à operação.
Segundo a Xinhua, a tecnologia tem profundidade máxima de projeto de 100 metros.
Também foram desenvolvidos sistemas de controle de pressão, gerenciamento de gases e suporte à vida.
Da mesma forma, o projeto inclui mecanismos voltados para situações de emergência.
A intervenção realizada a 80 metros serviu, portanto, como uma prova importante dessa estrutura.
Durante 21 dias, os equipamentos sustentaram a operação necessária para trabalhar em 104 ferramentas.
Assim, a China conseguiu testar o sistema durante uma intervenção real e prolongada.
Esse tipo de solução também aparece em outras operações offshore nas quais profundidade e pressão exigem sistemas especializados.
Yongzhou já avançou 3.936 metros
A intervenção ocorreu depois de a Yongzhou completar grande parte de seu percurso.
Segundo dados divulgados pela Xinhua em 17 de agosto de 2026, a máquina já havia escavado 3.936 metros.
Sua missão total pelo lado de Ningbo envolve 4.940 metros.
Portanto, a tuneladora já havia concluído aproximadamente 79,7% do trecho sob sua responsabilidade.
O percentual resulta de cálculo com base nos números apresentados pela própria Xinhua.
Ainda assim, a máquina precisa enfrentar novas formações geológicas antes de terminar seu percurso.
Depois disso, ocorrerá uma das fases mais importantes da obra.
A Yongzhou deverá encontrar a tuneladora que avança a partir do lado oposto.
Ferrovia deverá reduzir viagem entre Ningbo e Zhoushan para 26 minutos
O túnel representa apenas uma parte da transformação prevista para a região.
Atualmente, Zhoushan não possui ligação ferroviária.
A nova ferrovia deverá mudar essa situação. Assim, a cidade insular poderá entrar diretamente na rede chinesa de trens.
Segundo a Xinhua, a viagem mais rápida entre Ningbo e Zhoushan poderá levar 26 minutos.
Além disso, o trajeto entre Hangzhou e Zhoushan poderá ser feito em 77 minutos.
Esses tempos são projeções para quando a ferrovia estiver em operação.
Portanto, os 16,18 km do túnel não representam apenas um desafio de engenharia. A estrutura também deverá reduzir significativamente o tempo de deslocamento regional.
Antes disso, porém, as duas tuneladoras precisam concluir seus respectivos percursos.
A Yongzhou já avançou 3.936 dos 4.940 metros sob sua responsabilidade.
Durante o processo, a China precisou criar uma tecnologia específica para permitir intervenções sob pressão extrema.
O sistema levou três anos para ser desenvolvido.
Depois, enfrentou uma operação real a 80 metros de profundidade e sob 7,8 bar.
Durante 21 dias, trabalhadores verificaram e substituíram 104 ferramentas.
Finalmente, quando toda a ferrovia estiver concluída, Zhoushan deverá ganhar sua primeira ligação ferroviária. A viagem até Ningbo poderá cair para apenas 26 minutos.
Você viajaria em um trem de alta velocidade por um túnel de 16,18 km sob o mar, sabendo que sua construção exigiu operações humanas a 80 metros de profundidade?
Fonte
News.cn
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

