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Um dia após completar 14 anos, Kelia Gallina derruba a bicampeã mundial Tyler Wright, elimina a campeã olímpica Caroline Marks e chega às quartas do temido Tahiti Pro, numa sequência que transforma a jovem local na principal surpresa de Teahupo’o
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 15/08/2026 às 12:39
Atualizado em 15/08/2026 às 12:40
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Convidada após vencer a seletiva taitiana pelo segundo ano seguido, Kelia Gallina superou Tyler Wright por 5,34 a 4,57 e Caroline Marks por 8,27 a 5,50. A surfista criada diante da bancada de coral avançou entre atletas experientes, mas teve sua campanha encerrada por Anat Lelior nas quartas de final.
Kelia Gallina completou 14 anos e, no dia seguinte, conseguiu o resultado mais expressivo de sua curta trajetória competitiva. A taitiana venceu duas adversárias com títulos mundiais e olímpicos, alcançou as quartas do Tahiti Pro de 2026 e colocou sua experiência local no centro de uma etapa do Championship Tour da World Surf League.
A campanha começou com a vitória sobre Tyler Wright e ganhou dimensão ainda maior diante de Caroline Marks. O avanço não veio de uma categoria juvenil nem de uma competição adaptada por idade: ocorreu no quadro principal da elite feminina. Em poucas horas, a convidada local deixou de ser apenas a participante mais jovem e passou a interferir diretamente na disputa entre algumas das principais surfistas do circuito.
Kelia Gallina entrou no evento depois de vencer a seletiva local
A presença de Kelia Gallina no Tahiti Pro não resultou de uma vaga permanente no Championship Tour. Ela chegou à competição como convidada local depois de vencer as triagens realizadas em Teahupo’o, processo que reserva lugares no evento principal a representantes que conhecem a região e superam a seletiva.
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Em julho de 2026, ainda com 13 anos, a surfista derrotou Kohai Fierro na decisão feminina e conquistou o direito de enfrentar a elite. Foi a segunda vitória consecutiva de Kelia na seletiva taitiana, conforme registraram a Radio1 Tahiti e o Tahiti Infos.
A classificação antecipava um desafio maior do que o enfrentado nas triagens. No evento principal, cada erro poderia encerrar a participação, enquanto as adversárias traziam experiência acumulada em diferentes ondas e temporadas. O convite abriu a porta, mas foram as vitórias dentro da bateria que mantiveram a adolescente no campeonato.
Primeira vitória veio contra a bicampeã mundial Tyler Wright
O primeiro confronto colocou Kelia Gallina diante da australiana Tyler Wright, campeã mundial em 2016 e 2017. A diferença de currículo era evidente, mas a bateria ocorreu justamente na onda em que a taitiana desenvolveu parte central de seu surfe desde a infância.
As condições tornaram a disputa pouco previsível. A mudança na direção da ondulação e o vento cruzado dificultaram a seleção das ondas, que apareciam na faixa de quatro a seis pés. Nesse cenário, a adolescente somou 5,34 pontos, enquanto Wright terminou com 4,57.
A pontuação foi baixa em comparação com baterias disputadas em condições mais organizadas, mas isso não reduz o resultado. No surfe competitivo, as atletas dependem das oportunidades oferecidas pelo mar dentro de um tempo limitado. Kelia não precisava produzir a maior nota do campeonato; precisava interpretar melhor aquela bateria específica, e foi o que fez.
Caroline Marks virou a segunda campeã eliminada
O resultado contra Tyler Wright levou Kelia Gallina ao confronto seguinte com Caroline Marks. A norte-americana foi campeã mundial em 2023 e conquistou o ouro olímpico em Teahupo’o nos Jogos de Paris 2024, credenciais que transformavam a bateria em outro teste de grande dificuldade.
Kelia elevou sua soma e venceu por 8,27 a 5,50. A diferença de 2,77 pontos mostrou que o avanço não dependeu apenas de uma bateria travada ou de uma atuação abaixo do esperado da adversária. A taitiana encontrou notas suficientes para controlar o confronto e garantir um lugar entre as oito remanescentes.
As duas vitórias tiveram características diferentes. Contra Wright, a margem foi de apenas 0,77 ponto; diante de Marks, o placar foi mais amplo. Superar campeãs em sequências distintas mostrou capacidade de adaptação, embora duas baterias isoladas não sejam suficientes para projetar toda uma carreira.
Conhecimento de Teahupo’o ajudou a equilibrar a diferença de experiência
Kelia Gallina é filha de pai americano-havaiano e mãe taitiana e cresceu em contato com Teahupo’o. Ela começou a surfar ainda criança e, aos 10 anos, já chamava atenção pela familiaridade com os tubos formados sobre a bancada de coral.
Essa relação com o local não torna a onda simples nem elimina seus riscos. Teahupo’o produz uma formação espessa, rápida e técnica quando a ondulação encontra o recife. A escolha do ponto de entrada, o posicionamento e a leitura do ritmo da série têm peso decisivo antes mesmo das manobras avaliadas pelos juízes.
Atletas mais experientes carregam repertório competitivo, preparação e vivência em diferentes mares. Uma surfista local, por outro lado, pode reconhecer mudanças sutis na direção das ondas e no comportamento do pico. A campanha de Kelia mostrou como conhecimento específico do ambiente pode reduzir, durante uma bateria, parte da distância existente nos currículos.
Adolescente já havia feito história na etapa de 2025
A participação de 2026 não foi a estreia de Kelia Gallina no Tahiti Pro. No ano anterior, ela venceu a seletiva aos 12 anos e tornou-se a competidora mais jovem a entrar em uma etapa do Championship Tour, segundo registros da WSL reproduzidos pelo Boardriding e uma reportagem publicada pelo UOL.
Naquela primeira experiência, enfrentou um mar maior e foi eliminada antes das fases decisivas. O resultado não anulou a importância da classificação, mas mostrou a diferença entre dominar referências locais e competir contra a elite em uma janela de ondas exigente.
Um ano depois, Kelia retornou, venceu novamente as triagens e avançou por duas rodadas do quadro principal. A evolução mais concreta não está apenas na idade: está na passagem de uma participação histórica para uma campanha capaz de eliminar adversárias consagradas.
Vaga nas quartas não transformou a jovem em integrante fixa do CT
O Tahiti Pro integra o Championship Tour, principal divisão organizada pela WSL, mas Kelia Gallina entrou como wildcard, nome usado para o convite concedido fora da lista regular do circuito. Por isso, seu desempenho no Taiti não significa que ela tenha automaticamente conquistado uma vaga permanente em todas as etapas seguintes.
Essa distinção evita transformar um resultado específico em algo que a competição não concedeu. A classificação para o quadro principal veio pelas triagens locais, e o avanço às quartas pertence à campanha de Teahupo’o. O caminho para integrar regularmente a elite envolve outros critérios, resultados e processos classificatórios.
A cautela também é necessária por causa da idade. Kelia demonstrou capacidade para competir naquele evento, mas continua em fase de desenvolvimento esportivo, escolar e pessoal. Reconhecer o feito não exige antecipar títulos futuros nem impor à adolescente a obrigação de confirmar imediatamente todas as expectativas criadas pelo resultado.
Anat Lelior encerrou a campanha nas quartas de final
Quando a notícia inicial foi publicada, Kelia Gallina ainda aguardava o confronto com Anat Lelior. A atualização da etapa mostra que a israelense venceu a bateria e encerrou a trajetória da taitiana nas quartas, sem apagar as duas eliminações que haviam levado a jovem até aquela fase.
Lelior continuou avançando e chegou à final feminina. Na decisão, abriu uma soma de 16,33 pontos, mas Erin Brooks reagiu com duas notas altas e venceu por 17,20, conforme o relato da Reuters sobre o encerramento do Tahiti Pro.
O desfecho ajuda a dimensionar a chave enfrentada por Kelia. Ela não caiu diante de uma adversária que desapareceu na rodada seguinte, mas da futura vice-campeã do evento. A campanha terminou antes da semifinal, porém deixou a surfista de 14 anos entre as oito melhores de uma etapa da elite.
Sistema de notas transforma cada escolha em parte do resultado
Nas baterias do circuito, cada onda recebe avaliação dos juízes e a soma das duas melhores notas forma o total da atleta. Isso significa que quantidade não garante vitória: uma competidora pode surfar mais ondas e ainda perder para quem encontrou duas oportunidades superiores.
Em Teahupo’o, a seleção ganha importância adicional. Entrar numa onda inadequada pode consumir tempo e retirar a atleta da posição ideal para a próxima série. Esperar demais também traz risco, porque o mar pode não oferecer outra oportunidade antes do encerramento da bateria.
Os placares de Kelia contra Wright e Marks refletem essas decisões acumuladas. A soma de 5,34 bastou na estreia, enquanto foram necessários 8,27 no confronto seguinte. A pontuação não mede coragem de forma abstrata; ela registra a execução apresentada nas ondas efetivamente surfadas dentro de cada disputa.
Brasil chegou às quartas com apenas Italo Ferreira
Enquanto Kelia Gallina concentrava as atenções no feminino, o Brasil sofreu eliminações no quadro masculino. Naquele estágio da competição, Italo Ferreira tornou-se o único representante brasileiro classificado às quartas de final.
O potiguar avançou ao superar Connor O’Leary por 11,66 a 10,33 nas oitavas. João Chianca, Alejo Muniz, Miguel Pupo e outros brasileiros que haviam participado da programação não chegaram à mesma fase, reduzindo a presença nacional no momento decisivo.
A etapa terminou com títulos de Erin Brooks no feminino e Seth Moniz no masculino. O resultado final coloca a campanha de Kelia dentro de um evento marcado por mudanças de liderança e nomes de diferentes gerações. A adolescente não venceu o campeonato, mas produziu duas das maiores surpresas da chave feminina.
Resultado amplia expectativas, mas pede uma leitura sem exageros
Chegar às quartas aos 14 anos diante de duas campeãs é um resultado esportivo relevante. Ele confirma a adaptação de Kelia Gallina a Teahupo’o, demonstra evolução em relação à estreia de 2025 e amplia sua visibilidade fora do circuito local.
Ao mesmo tempo, uma etapa não determina sozinha a trajetória de uma atleta tão jovem. Continuidade, saúde, apoio familiar, treinamento, educação e acesso a competições influenciarão os próximos passos. O desempenho deve ser reconhecido pelo que foi, sem transformar precocidade em cobrança permanente.
Um dia depois do aniversário, Kelia deixou Teahupo’o com duas vitórias sobre campeãs e um lugar entre as oito melhores do Tahiti Pro.
Para você, o que mais impressiona nessa campanha: a idade, a familiaridade com a onda, as adversárias eliminadas ou a evolução em apenas um ano? Conte nos comentários qual aspecto tornou o resultado mais marcante.
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campeãsurfista de 14 anos
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

