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Um dos plásticos mais difíceis de reciclar pode ganhar nova vida
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 17/08/2026 às 05:03
Atualizado em 17/08/2026 às 05:24
Ciência e Tecnologia
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Pesquisadores da Virginia Tech desenvolveram um processo que aquece resíduos de PVC a 70 °C e os converte em polialfaolefina, componente usado em lubrificantes como óleo de motor.
Pesquisadores da Virginia Tech desenvolveram uma técnica de reciclagem de PVC que transforma resíduos de canos, caixilhos de janelas e cartões de crédito em polialfaolefina, componente usado em lubrificantes como óleo de motor.
Reciclagem de PVC converte plástico difícil de reaproveitar em óleo lubrificante
O processo foi desenvolvido pelo químico e engenheiro químico Guoliang “Greg” Liu e sua equipe na Virginia Tech. O estudo foi publicado em 5 de agosto de 2026 na revista Nature.
O trabalho busca dar uma nova finalidade ao policloreto de vinila, conhecido como PVC, um dos plásticos mais utilizados no mundo e também um dos materiais considerados difíceis de reciclar de maneira responsável.
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O PVC pode estar presente em produtos como tubulações domésticas, estruturas de janelas e cartões de crédito. Após o descarte, grande parte desse material acaba em aterros sanitários.
Uma das dificuldades está na composição do plástico. O PVC contém cloro e também pode apresentar diferentes aditivos, que variam de acordo com o fabricante e complicam seu reaproveitamento.
A equipe conseguiu converter esse resíduo em polialfaolefina, material utilizado como componente de lubrificantes. Entre as aplicações citadas estão produtos destinados a equipamentos e máquinas, incluindo óleo de motor.
Segundo Liu, o experimento demonstrou duas possibilidades associadas ao método desenvolvido pelo grupo.
“Em primeiro lugar, comprovamos que é viável usar resíduos plásticos para fabricar lubrificantes de alto desempenho. Em segundo lugar, esses lubrificantes são ecológicos e podem atender às crescentes necessidades de sustentabilidade do mercado”, disse.
Processo usa solvente, tricloreto de alumínio e aquecimento a 70 °C
Para realizar a conversão, os pesquisadores colocam o PVC em um solvente e adicionam tricloreto de alumínio e alfa-olefinas.
Depois, a mistura é submetida a uma temperatura de 70 graus Celsius, equivalente a 158 graus Fahrenheit, durante três horas.
Após essa etapa, os pesquisadores recuperam do solvente um óleo lubrificante relativamente espesso.
A proposta une dois problemas descritos pelos pesquisadores. De um lado está o descarte de um plástico difícil de reciclar. Do outro, está a produção de lubrificantes, que também apresenta um custo ambiental elevado.
A procura por lubrificantes continua crescendo, segundo as informações apresentadas no estudo. Transformar o PVC descartado em um ingrediente desse setor permitiria utilizar o resíduo na produção de um material de maior valor.
Os lubrificantes são empregados em diferentes tipos de máquinas, desde cortadores de grama e carros de passeio até motores a jato. Por isso, o fornecimento de seus componentes tem importância para diferentes setores.
Descoberta surgiu após pesquisadores encontrarem material macio e viscoso
A pesquisa com PVC surgiu depois de outros trabalhos realizados pelo grupo de Liu envolvendo resíduos plásticos.
Em estudos anteriores publicados nas revistas Science e Nature Sustainability, a equipe converteu outros tipos de plástico descartado em surfactantes utilizados em produtos como sabões e detergentes.
Depois desses resultados, o laboratório decidiu investigar formas de reaproveitar o PVC. Liu reuniu pesquisadores de pós-graduação para desenvolver o novo projeto.
Eric Munyaneza Nuwayo, que estava no último ano do doutorado naquele momento, foi escolhido para liderar o trabalho.
Connor S. Thompson, estudante de pós-graduação em química, trabalhava em outro projeto quando Liu sugeriu que ele mudasse de direção. Abby Civiello, então no primeiro ano da pós-graduação, também passou a integrar a equipe.
“Eu costumava chamá-los de os três mosqueteiros”, afirmou Liu.
No início, os pesquisadores tentaram transformar as moléculas de PVC em diferentes estruturas químicas por meio da substituição dos átomos de cloro.
Os primeiros materiais obtidos, porém, não apresentaram as propriedades que a equipe procurava. O produto permanecia macio e relativamente viscoso, com desempenho abaixo do esperado.
Foi essa característica que levou Liu a considerar outra possibilidade.
“Um dia me dei conta: se esse polímero é tão viscoso e tão macio, por que não continuo quebrando as cadeias de polímero em segmentos menores?”, disse.
A partir dessa percepção, a equipe passou a trabalhar no encurtamento das cadeias do polímero, direcionando a pesquisa para a obtenção de um material que pudesse ser utilizado como lubrificante.
Amostras foram avaliadas e produção em maior escala entrou nos estudos
Com o avanço dos testes, Liu procurou especialistas de outras instituições para avaliar o material produzido e compreender melhor suas possíveis aplicações.
Amostras foram enviadas para Ali Erdemir, da Universidade Texas A&M, onde pesquisadores realizaram avaliações do produto final.
O grupo também colaborou com William Goddard, do Caltech, em cálculos químicos relacionados ao trabalho.
Xi Chen, da Virginia Tech, analisou aspectos econômicos e de fabricação. Ele desenvolveu modelos para estudar como o óleo lubrificante poderia ser produzido em uma escala maior.
Liu afirmou que o próximo desafio envolve tornar o lubrificante mais sustentável e, ao mesmo tempo, aumentar sua acessibilidade.
“Os lubrificantes são os heróis silenciosos por aí. Muitas vezes não reconhecemos sua existência, mas eles estão lá, trabalhando discretamente. Queremos ser capazes de produzir esse óleo em maior escala para alcançar mais pessoas no mundo”, disse.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

