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Um morador de Vespasiano quase mandou 500 reais por Pix para comprar “filhotes de dinossauro” anunciados no status do WhatsApp, e o que entregou a fraude foi a marca d’água do Gemini no canto do vídeo

Um morador de Vespasiano quase mandou 500 reais por Pix para comprar “filhotes de dinossauro” anunciados no status do WhatsApp, e o que entregou a fraude foi a marca d’água do Gemini no canto do vídeo

MG

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Um morador de Vespasiano quase mandou 500 reais por Pix para comprar “filhotes de dinossauro” anunciados no status do WhatsApp, e o que entregou a fraude foi a marca d’água do Gemini no canto do vídeo

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 24/08/2026 às 14:51

Atualizado em 24/08/2026 às 14:52

Curiosidades

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Morador de Vespasiano quase transferiu R$ 500 após ver vídeos de supostos filhotes de dinossauro produzidos por inteligência artificial. Imagem: Divulgação

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Prefira o CPG no Google

Homem de cerca de 40 anos pediu novas imagens dos supostos animais, mas ouviu que só as receberia depois do pagamento; ele consultou um amigo, desistiu da transferência e não teve prejuízo.

O golpe dos minidinossauros quase terminou com um Pix de R$ 500 em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Um homem de aproximadamente 40 anos viu no status de um contato do WhatsApp vídeos de pequenos dinossauros supostamente disponíveis para venda, acreditou no anúncio e iniciou a negociação.

A fraude não dependia apenas das imagens criadas por inteligência artificial. O responsável pelo anúncio publicou capturas de conversas com supostos compradores satisfeitos, afirmou que alguns animais já estavam reservados e condicionou o envio de novas fotos ao pagamento antecipado.

O homem chegou à última etapa, mas não transferiu o dinheiro. Antes de fazer o Pix, mostrou o anúncio a um amigo, que identificou que as imagens eram artificiais. Em um dos cantos do próprio vídeo permanecia visível a marca d’água do Gemini.

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O anúncio apareceu no status de um contato e parecia ter compradores reais

O caso aconteceu em 18 de agosto de 2026. Segundo a apuração do Metrópoles, o morador viu os animais no status do WhatsApp de uma pessoa que já estava em sua lista de contatos. Não foi esclarecido qual era a relação entre os dois nem por que ele possuía o número do anunciante.

Esse detalhe importa. Uma oferta publicada por alguém que aparece como contato conhecido tende a enfrentar menos resistência do que uma propaganda recebida de um número completamente desconhecido.

O vídeo mostrava os supostos filhotes em movimento. Outros status exibiam conversas atribuídas a clientes, com mensagens como “peguei e amei” e “muito feliz”. A sequência criava a impressão de que outras pessoas já haviam recebido os animais.

Interessado, o homem entrou em contato e pediu mais fotos e vídeos. O anunciante respondeu que produziria novos registros, mas somente depois do pagamento de R$ 500 por Pix. Também passou a dizer que algumas unidades estavam reservadas e que as próximas vendas seriam realizadas apenas por encomenda, conforme relatado pelo BHAZ.

Foi justamente a exigência de pagar antes de receber qualquer prova adicional que aumentou a desconfiança. O interessado consultou um amigo, que descartou a autenticidade das imagens. O Pix não foi enviado.

A marca d’água estava visível no canto do vídeo

A pista técnica mais evidente estava no próprio material usado para convencer o comprador. O vídeo apresentava uma marca d’água do Gemini no canto inferior da tela, indicando sua produção com uma ferramenta de inteligência artificial.

O Google explica que, quando a identificação visível está ativada, os vídeos produzidos nos aplicativos Gemini recebem uma sobreposição persistente. A empresa também utiliza o SynthID, uma identificação digital invisível incorporada ao conteúdo, e metadados de procedência. As diferenças entre essas camadas são explicadas na página oficial de suporte do Gemini.

A presença da marca é um alerta direto. Sua ausência, porém, não comprova que um vídeo seja verdadeiro. Configurações, recortes, reenquadramentos e edições podem retirar elementos visíveis, enquanto outros geradores adotam sistemas diferentes de identificação.

Por isso, procurar apenas dedos deformados, movimentos estranhos ou sombras impossíveis já não basta. O procedimento mais seguro é verificar a origem da publicação, pesquisar quadros do vídeo em ferramentas de busca por imagem e exigir uma comprovação independente antes de qualquer pagamento.

Vídeo, falsos compradores e escassez formaram uma cadeia de convencimento

Assista o vídeo

O episódio ganhou repercussão pelo caráter absurdo da oferta, mas sua construção segue uma lógica comum em fraudes digitais.

Primeiro veio o vídeo, que oferecia uma aparente prova visual. Depois apareceram os relatos de compradores satisfeitos, criando validação social. Em seguida surgiu a escassez: alguns animais já estariam reservados. Por último, o anunciante tentou inverter a ordem natural da negociação, exigindo dinheiro antes de apresentar novas evidências.

Nenhum desses elementos precisava ser perfeito isoladamente. O objetivo era fazer com que cada peça sustentasse a anterior até que o comprador considerasse o Pix apenas a conclusão de uma negociação já iniciada.

O ponto decisivo não foi possuir conhecimento avançado sobre inteligência artificial. Foi interromper a urgência e pedir uma segunda opinião. A pausa desmontou a sequência de convencimento antes que o dinheiro saísse da conta.

Antes de pagar por um produto anunciado em redes sociais ou aplicativos de mensagens, o comprador deve:

O que fazer imediatamente se o Pix já tiver sido enviado

O morador de Vespasiano não sofreu prejuízo. Para quem percebe a fraude somente depois da transferência, a velocidade da reação pode aumentar a possibilidade de recuperação.

A primeira providência é acessar o aplicativo oficial da instituição financeira e procurar a opção de contestar a transação. Também é possível entrar em contato com o banco pelos canais oficiais. Não se deve telefonar para números enviados pelo próprio anunciante.

O Banco Central informa que o Mecanismo Especial de Devolução pode ser acionado em casos de golpe, fraude ou crime. A contestação pode ser registrada em até 80 dias, mas deve ser aberta o mais rapidamente possível. Desde outubro de 2025, os aplicativos das instituições participantes devem oferecer o chamado botão de contestação, conforme o Relatório de Gestão do Pix.

O sistema atual permite rastrear transferências subsequentes e bloquear valores encontrados em outras contas envolvidas na dispersão do dinheiro. A devolução, entretanto, não é automática nem garantida. Ela depende da análise das instituições e da existência de recursos que possam ser bloqueados.

A vítima também deve preservar:

Em seguida, deve registrar um boletim de ocorrência presencialmente ou pela delegacia virtual de seu estado. O Ministério da Justiça e Segurança Pública orienta que o registro reúna as mensagens, os dados da transferência, o contato suspeito e todas as provas disponíveis.

O artigo 171 do Código Penal trata do estelionato, caracterizado pela obtenção de vantagem ilícita mediante fraude que induz ou mantém outra pessoa em erro.

O § 2º-A prevê a fraude eletrônica quando o engano utiliza redes sociais, contatos telefônicos, aplicativos ou meios digitais semelhantes. A pena prevista é de quatro a oito anos de reclusão, além de multa, conforme a Lei nº 14.155/2021.

No caso de Vespasiano, nenhum pagamento foi realizado e não houve registro policial relacionado ao episódio, segundo informação da Polícia Civil de Minas Gerais publicada pelo Metrópoles. Sem investigação, não é possível afirmar quem criou o anúncio, se o responsável controlava diretamente o número utilizado ou qual seria o enquadramento penal definitivo.

Em tese, uma apuração poderia examinar a existência de tentativa de fraude eletrônica. Essa conclusão, porém, dependeria da identificação do responsável e da comprovação de que o vídeo, os falsos depoimentos e o pedido de Pix foram usados deliberadamente para obter dinheiro.

Inteligência artificial já apareceu em outros golpes em Minas Gerais

O caso dos minidinossauros não é isolado quanto ao uso de imagens artificiais para criar uma falsa prova.

Em julho de 2026, tutores de animais desaparecidos em Belo Horizonte relataram abordagens nas quais criminosos manipulavam fotografias dos próprios cães e gatos para fingir que os haviam encontrado. Depois, exigiam dinheiro para devolver o animal, segundo o Estado de Minas.

No início de agosto, a Operação Máscara Oculta cumpriu cinco mandados de busca e apreensão na Grande BH durante uma investigação sobre estelionato digital, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Nesse outro caso, os investigados teriam usado perfis falsos, grupos de WhatsApp e pessoas encarregadas de simular clientes satisfeitos para promover investimentos. As empresas identificadas movimentaram mais de R$ 15 milhões, conforme a reportagem sobre a operação.

Não há indicação de ligação entre essas investigações e o anúncio de Vespasiano. A semelhança está no método: fabricar provas visuais, produzir validação social e pressionar a vítima antes que ela tenha tempo de verificar a história.

O morador escapou porque interrompeu a negociação antes do Pix. A marca d’água entregava que o vídeo não era uma gravação de animais reais, mas o alerta mais importante veio de uma atitude simples: diante da dúvida, ele não pagou.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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