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Uma crise deixou café brasileiro encalhado em armazéns, mobilizou anos de pesquisa na Suíça e terminou com o lançamento de uma opção solúvel que faz parte da rotina e da mesa de muitos até hoje
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 03/08/2026 às 20:45
Economia
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Após a crise de 1929 derrubar preços e deixar um enorme excedente de café no Brasil, pesquisas na Suíça buscaram conservar sabor e aroma até o lançamento do café solúvel Nescafé em 1938, produto que ganhou espaço durante a Segunda Guerra Mundial e permanece presente na rotina de muitos consumidores.
O café solúvel Nescafé nasceu de um problema que atingiu diretamente o Brasil. A crise de 1929 derrubou os preços, reduziu a procura e deixou armazéns cheios de café brasileiro sem comprador.
As informações foram divulgadas por Nestlé, empresa de alimentos responsável pela marca Nescafé. A companhia recebeu o desafio de encontrar uma forma de preservar aquele café e criar uma nova opção de consumo.
A tarefa exigiu anos de pesquisa na Suíça. O produto precisava dissolver na água, manter parte do sabor e do aroma dos grãos e ser simples o suficiente para chegar à mesa dos consumidores.
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A crise de 1929 deixou um enorme excedente de café brasileiro
A quebra financeira de 1929 reduziu o poder de compra e provocou uma forte queda nos preços do café. O Brasil, grande produtor da época, ficou com um enorme volume de grãos armazenados e poucas possibilidades de venda.
As sacas ocupavam os armazéns, mas os compradores não apareciam na quantidade necessária. O café parado representava um problema para produtores, estoques e para toda a cadeia ligada à comercialização do produto.
A dificuldade não estava apenas em conservar os grãos. Era preciso encontrar um novo destino para o café brasileiro encalhado e ampliar as possibilidades de consumo.
Guardar as sacas não resolvia o problema do café sem comprador
Manter o café nos armazéns apenas adiava a dificuldade. Os estoques continuavam elevados, enquanto a demanda permanecia insuficiente para absorver toda a produção disponível.
A saída buscada envolvia transformar os grãos em outro produto. Em vez de depender apenas do preparo tradicional, o café poderia chegar ao consumidor em uma forma mais prática, pronta para dissolver na água.
A ideia permitiria criar uma nova opção para o mercado e aproveitar parte do excedente brasileiro. Entretanto, transformar café em pó solúvel sem perder suas características exigia uma solução que ainda precisava ser aperfeiçoada.
Max Morgenthaler enfrentou anos de pesquisa na Suíça
Max Morgenthaler era um químico de alimentos ligado à Nestlé. Ele trabalhou com uma equipe na Suíça para desenvolver uma bebida que pudesse ser preparada apenas com água e ainda preservasse parte das características naturais do café.
Nestlé, empresa de alimentos responsável pela marca Nescafé, detalhou que Morgenthaler liderou o trabalho responsável pelo produto lançado em 1938.
O químico não criou sozinho todo o conceito de café instantâneo, que já possuía antecedentes. Sua contribuição esteve no desenvolvimento da opção solúvel que deu origem ao Nescafé, ao lado dos demais profissionais envolvidos na pesquisa.
O desafio era preservar sabor e aroma em um pó solúvel
Produzir um pó que se dissolvesse na água era apenas uma parte da tarefa. O maior obstáculo estava em conservar o sabor e o aroma que tornavam o café reconhecível para o consumidor.
Se o processo retirasse essas características, o produto poderia ser prático, mas não entregaria uma experiência próxima à bebida tradicional. Por isso, os testes se estenderam durante anos.
A equipe buscou equilibrar facilidade de preparo e qualidade da bebida. O resultado deveria dispensar os métodos tradicionais sem deixar de apresentar sabor e aroma de café.
O lançamento do Nescafé em 1938 mudou o destino da pesquisa
Após anos de trabalho, o Nescafé foi lançado em 1938. O produto apresentava o café em forma solúvel e permitia preparar a bebida com a simples adição de água.
O lançamento ligou uma crise agrícola brasileira a uma solução desenvolvida em laboratórios suíços. O café que estava parado em armazéns ajudou a estimular uma nova forma de fabricação e consumo.
A praticidade abriu espaço para o produto em situações nas quais o preparo tradicional era difícil. O café solúvel poderia ser feito rapidamente, sem os mesmos utensílios usados para passar ou coar a bebida.
A Segunda Guerra levou o café solúvel às rações militares
A Segunda Guerra Mundial começou pouco depois do lançamento. Durante o conflito, o Nescafé passou a integrar rações militares, pois oferecia uma maneira rápida de preparar café apenas com água.
A presença nas rações ampliou o contato de soldados com o produto. Assim, uma bebida criada a partir do desafio de aproveitar o café brasileiro ganhou novos consumidores e avançou para outros mercados.
A guerra não criou o café solúvel, mas ajudou a expandir seu consumo. A combinação entre praticidade, facilidade de preparo e distribuição militar contribuiu para tornar o Nescafé mais conhecido.
Uma solução para o excedente brasileiro chegou à mesa de muitos consumidores
A história do Nescafé começou com armazéns cheios, preços em queda e café brasileiro sem comprador após a crise de 1929. O problema mobilizou pesquisadores na Suíça e terminou com o lançamento da bebida solúvel em 1938.
O produto atravessou a Segunda Guerra Mundial, ganhou espaço fora dos laboratórios e permaneceu presente na rotina de muitos consumidores. Uma crise ligada ao café brasileiro acabou impulsionando uma forma de preparo que ainda ocupa espaço nas mesas.
Sem o excedente brasileiro de 1929, o café solúvel teria chegado tão longe? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe esta história.
Fonte
Nestlé
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

