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Uma mão de bronze ficou presa na rede de pescadores e levou à descoberta de um gigante grego de mais de 2 metros no fundo do mar, estátua criada há quase 2.500 anos que até hoje divide especialistas entre Zeus e Poseidon

Uma mão de bronze ficou presa na rede de pescadores e levou à descoberta de um gigante grego de mais de 2 metros no fundo do mar, estátua criada há quase 2.500 anos que até hoje divide especialistas entre Zeus e Poseidon

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Uma mão de bronze ficou presa na rede de pescadores e levou à descoberta de um gigante grego de mais de 2 metros no fundo do mar, estátua criada há quase 2.500 anos que até hoje divide especialistas entre Zeus e Poseidon

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 22/08/2026 às 13:12

Atualizado em 22/08/2026 às 13:13

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Uma mão de bronze ficou presa na rede de pescadores e levou à descoberta de um gigante grego

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Uma mão de bronze presa à rede de pescadores revelou no Mar Egeu uma estátua grega de 2,09 metros criada por volta de 460 a.C. e ainda disputada entre Zeus e Poseidon.

Em 1926, pescadores da ilha grega de Skiathos puxaram suas redes perto do cabo Artemísio, no norte da ilha de Eubeia, e encontraram algo absolutamente fora do comum: a mão esquerda de uma gigantesca estátua de bronze. Segundo o Museu Arqueológico Nacional da Grécia, o objeto havia emergido de um naufrágio localizado a mais de 45 metros de profundidade. Dois anos depois, novas operações naquela mesma região levariam à recuperação do restante de uma figura masculina com impressionantes 2,09 metros de altura, produzida por volta de 460 a.C.

Quase um século após sair do fundo do Mar Egeu, a obra conhecida como Bronze de Artemísio continua guardando um mistério extraordinário: ninguém sabe definitivamente qual deus grego ela representa. A figura segurava originalmente um objeto na mão direita que desapareceu no naufrágio. Se fosse um raio, seria Zeus; se fosse um tridente, seria Poseidon. O Museu Arqueológico Nacional mantém oficialmente as duas possibilidades, embora análises modernas façam muitos historiadores da arte inclinarem-se para Zeus.

Tudo começou com uma mão presa numa rede em 1926

O primeiro fragmento apareceu de maneira totalmente acidental. O Museu Arqueológico Nacional registra que pescadores de Skiathos recuperaram em 1926 a mão esquerda da escultura nas proximidades do cabo Artemísio.

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Um estudo publicado pelo Getty Research Institute descreve o fragmento de forma mais específica como o antebraço esquerdo do que hoje é uma das esculturas gregas antigas mais famosas do mundo.

Uma mão de bronze ficou presa na rede de pescadores e levou à descoberta de um gigante grego

A descoberta foi comunicada ao Departamento de Antiguidades grego, mas não provocou imediatamente uma grande operação arqueológica.

A situação mudaria dois anos depois, quando atividades suspeitas no mesmo trecho de mar indicaram que mais peças poderiam continuar no fundo.

Em 1928, uma operação clandestina acabou revelando o corpo gigantesco

Em setembro de 1928, autoridades gregas receberam informações de que uma embarcação realizava trabalhos de recuperação não autorizados na área.

Segundo o estudo do Getty baseado nos registros arqueológicos históricos, uma inspeção resultou na apreensão do braço direito recém-separado de uma estátua. Naquele momento, mergulhadores tinham inclusive ligado um cabo pesado a outro grande objeto que pretendiam retirar do fundo.

Nos dias seguintes, o corpo restante da escultura foi finalmente levado para terra, na praia de Pefki.

Ali ficava claro que a mão encontrada dois anos antes não pertencia a uma pequena peça decorativa. Tratava-se de uma figura monumental.

Gigante de bronze mede 2,09 metros de altura

O homem representado na escultura possui 2,09 metros, dimensões superiores às de um homem médio e compatíveis com a intenção de representar uma divindade.

O corpo está completamente nu, com barba, musculatura fortemente definida e pernas abertas em uma posição de equilíbrio.

O braço esquerdo aponta para frente, enquanto o braço direito é projetado para trás, preparado para lançar alguma coisa.

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É justamente o objeto que desapareceu dessa mão direita que sustenta um dos debates arqueológicos mais conhecidos da arte grega.

O Museu Arqueológico Nacional identifica oficialmente a obra como “Zeus ou Poseidon de Artemísio”.

Escultura foi criada por volta de 460 a.C.

A datação coloca o Bronze de Artemísio aproximadamente em 460 a.C., durante o início do período clássico da Grécia Antiga. Isso significa que a peça possui atualmente quase 2.500 anos.

Ela pertence ao chamado Estilo Severo, fase de transição entre a rigidez da escultura arcaica e o domínio de movimento, anatomia e equilíbrio que caracterizaria a arte clássica posterior. A ficha acadêmica do Perseus Digital Library situa a obra aproximadamente entre 460 e 450 a.C.

O Museu Arqueológico Nacional classifica a escultura entre os raros grandes bronzes originais preservados daquele período.

Boa parte das famosas esculturas gregas que chegaram até a atualidade por meio de museus são cópias romanas feitas em mármore de originais gregos que desapareceram.

O Bronze de Artemísio é o próprio bronze antigo.

Fundo do mar ajudou a preservar uma obra que poderia ter sido destruída em terra

O fato de a escultura ter afundado acabou contribuindo involuntariamente para sua sobrevivência. Grandes bronzes antigos são relativamente raros porque o metal possuía valor e podia ser reaproveitado ao longo dos séculos.

O Getty observa que obras de bronze monumental sobreviveram com pouca frequência em contextos terrestres, enquanto o Mediterrâneo acabou funcionando como um grande reservatório de peças perdidas durante o transporte marítimo.

Uma embarcação naufragada transformava, portanto, uma catástrofe antiga em uma espécie de cápsula do tempo.

No caso de Artemísio, o mar manteve a figura longe de milhares de anos de guerras, reutilização de metais, saques e transformações urbanas.

Naufrágio estava a mais de 45 metros de profundidade

O local associado aos achados fica na costa norte de Eubeia, perto do promontório de Artemísio. O Museu Arqueológico Nacional registra profundidade superior a 45 metros.

Os diferentes objetos ligados ao naufrágio apareceram ao longo de vários anos e acabaram espalhados por uma extensa região marítima.

Uma mão de bronze ficou presa na rede de pescadores e levou à descoberta de um gigante grego

As condições tornavam a arqueologia subaquática especialmente difícil no início do século XX.

O estudo do Getty destaca que arqueólogos daquela época frequentemente precisavam permanecer na superfície enquanto mergulhadores profissionais recuperavam os objetos, o que limitava dramaticamente o registro científico do contexto em que cada peça era encontrada.

Isso criou um problema que persiste até hoje: os arqueólogos possuem as esculturas, mas sabem muito menos sobre o navio e sua carga do que saberiam caso uma escavação moderna tivesse sido realizada desde o começo.

O mesmo fundo do mar escondia um cavalo e uma criança

O deus de bronze não estava sozinho. Durante as investigações posteriores, mergulhadores recuperaram a parte dianteira de um grande cavalo de bronze e uma pequena figura infantil. Anos depois, outras partes do cavalo apareceram acidentalmente perto de Oreoi.

Somente então ficou definitivamente estabelecido que aquelas peças formavam um único conjunto.

Hoje, o Cavalo e Jóquei de Artemísio também está entre as grandes atrações do Museu Arqueológico Nacional de Atenas.

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Os achados transformaram aquela região marítima em um dos locais mais importantes para o estudo dos bronzes monumentais gregos.

Cousteau tentou reencontrar o naufrágio décadas depois

O mistério não terminou com as escavações das décadas de 1920 e 1930. O Museu Arqueológico Nacional registra novas investigações na área em 1959 e 1975, esta última envolvendo Jacques-Yves Cousteau.

Posteriormente, a região foi examinada também pela autoridade grega de antiguidades subaquáticas com equipamentos mais modernos, inclusive sonar multifeixe.

Os resultados, porém, não permitiram recuperar um novo conjunto significativo que resolvesse definitivamente as dúvidas sobre o naufrágio.

O Getty observa que diferentes tentativas posteriores de localizar novamente o sítio arqueológico original também não produziram resultados conclusivos. Uma hipótese é que os vestígios tenham sido recobertos por sedimentos.

Quase cem anos depois, parte do cenário em que o gigante de bronze afundou continua perdida.

A pergunta de quase 2.500 anos continua: Zeus ou Poseidon?

Se o deus pudesse recuperar apenas um objeto desaparecido, o mistério provavelmente acabaria.

Na mão direita existia originalmente um atributo metálico. Zeus, senhor dos deuses olímpicos, seria representado lançando um raio.

Poseidon, deus do mar, seguraria seu característico tridente. Como esse objeto não foi encontrado, a escultura continua oficialmente identificada com os dois nomes.

Durante muitos anos, a localização marítima do achado também ajudou a popularizar a interpretação de Poseidon.

Mas o fato de uma escultura ter sido encontrada no mar não significa necessariamente que representasse o deus dos oceanos. Ela poderia simplesmente estar sendo transportada quando o navio afundou.

Braços foram projetados para amplificar a sensação de movimento

A figura parece congelada exatamente no instante anterior ao ataque. O pé esquerdo avança. O corpo permanece equilibrado. Um braço aponta para o alvo e o outro prepara o lançamento.

Análises formais observam que os braços foram ligeiramente alongados, criando uma composição na qual a extensão horizontal se aproxima da própria altura da figura.

O resultado é uma escultura que ocupa uma quantidade extraordinária de espaço. Dependendo do ângulo de observação, ela muda completamente.

Vista frontalmente, forma uma enorme silhueta aberta. De lado, aparecem a profundidade do tórax, a torção do corpo e o movimento preparatório do lançamento.

Para uma obra feita há quase dois milênios e meio, a compreensão de anatomia e movimento permanece impressionante.

Depois de sobreviver ao mar, a estátua precisou ser escondida durante a Segunda Guerra

A história da sobrevivência do bronze ganhou outro capítulo no século XX. Quando a Segunda Guerra Mundial chegou à Grécia, funcionários do Museu Arqueológico Nacional adotaram medidas para proteger sua coleção de bombardeios e saques.

Registros fotográficos do próprio museu mostram o Zeus ou Poseidon de Artemísio em 1940–1941, coberto com papel impermeabilizado antes de ser escondido junto com outras antiguidades.

A obra que havia sobrevivido a mais de dois milênios no fundo do mar precisava novamente ser protegida, desta vez de uma guerra moderna.

Hoje, o gigante está entre as grandes obras do Museu Arqueológico Nacional de Atenas

Atualmente, o Bronze de Artemísio integra a coleção permanente do Museu Arqueológico Nacional de Atenas, sob o número de inventário X15161.

O museu o apresenta como uma das peças mais raras e importantes da escultura grega clássica. O que impressiona é que sua história moderna começou sem uma escavação monumental ou uma missão arqueológica planejada.

Começou com pescadores. Uma rede subiu do Mar Egeu em 1926 trazendo um fragmento de bronze que parecia apenas parte de uma figura antiga.

Dois anos depois, o fundo do mar entregaria o restante. Era um homem de 2,09 metros, criado por volta de 460 a.C., parado há quase 2.500 anos no instante exato antes de lançar uma arma desaparecida.

Essa ausência transformou uma das esculturas gregas mais completas que sobreviveram à Antiguidade em um mistério que permanece aberto: o gigante recuperado do mar pode ser o senhor dos oceanos empunhando um tridente ou o próprio rei dos deuses prestes a lançar um raio.

Quase um século depois de ser retirado das águas de Artemísio, Zeus ou Poseidon ainda não revelou definitivamente quem é.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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