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Uma rocha apelidada de Deus do Caos vai raspar a Terra a menos de 32 mil quilômetros em abril de 2029, mais perto que muitos satélites, e o verdadeiro perigo não é o que a maioria imagina

Uma rocha apelidada de Deus do Caos vai raspar a Terra a menos de 32 mil quilômetros em abril de 2029, mais perto que muitos satélites, e o verdadeiro perigo não é o que a maioria imagina

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Uma rocha apelidada de Deus do Caos vai raspar a Terra a menos de 32 mil quilômetros em abril de 2029, mais perto que muitos satélites, e o verdadeiro perigo não é o que a maioria imagina

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 07/08/2026 às 13:19

Atualizado em 07/08/2026 às 13:23

Ciência e Tecnologia

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Rocha apelidada de Deus do Caos passa a menos de 32 mil km da Terra em abril de 2029. Não há risco de impacto, mas o lixo espacial preocupa os cientistas.

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O asteroide 99942 Apophis passa em 13 de abril de 2029, uma sexta-feira 13. A NASA descartou qualquer risco de impacto por pelo menos cem anos, desde 2021. A preocupação levantada agora por pesquisadores italianos é outra e diz respeito ao lixo espacial em órbita.

Ele vai passar por dentro da faixa dos satélites geoestacionários. Em 13 de abril de 2029, o asteroide 99942 Apophis, rocha de algumas centenas de metros apelidada de Deus do Caos, cruzará o espaço a menos de 32 mil quilômetros da superfície terrestre, distância inferior à órbita de boa parte dos satélites de comunicação.

Não há risco de colisão com o planeta. A NASA descartou qualquer possibilidade de impacto por pelo menos cem anos, e a Agência Espacial Europeia retirou o objeto da lista de risco em 26 de março de 2021. A preocupação que voltou ao noticiário é outra, e foi levantada por pesquisadores italianos em estudo publicado no periódico The Planetary Science Journal.

O que a NASA diz de fato

Rocha apelidada de Deus do Caos passa a menos de 32 mil km da Terra em abril de 2029. Não há risco de impacto, mas o lixo espacial preocupa os cientistas.

Aqui vale desfazer o alarme que circula. Não existe alerta vermelho nem estado de emergência declarado por agência espacial alguma em relação a esse asteroide.

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A posição oficial da NASA é a oposta: não há perigo para satélites, para astronautas nem para ninguém na Terra. A expressão de que ele passará dentro da altitude geoestacionária descreve apenas a distância radial em relação ao planeta, e não uma rota de colisão através de um corredor lotado de espaçonaves. Satélites de alta altitude, aliás, podem ser manobrados com facilidade para fora da trajetória prevista, caso seja necessário.

Como o risco foi descartado

A tranquilidade atual custou anos de observação. Quando o objeto foi descoberto, em 2004, os cálculos iniciais indicavam possibilidade de impacto em 2029, 2036 ou 2068.

Em março de 2021, observações de radar feitas pelo complexo de comunicações do espaço profundo de Goldstone, na Califórnia, e pelo Observatório de Green Bank, na Virgínia Ocidental, refinaram enormemente o conhecimento sobre a órbita. Foi com esses dados que astrônomos puderam finalmente eliminar qualquer chance de colisão com a Terra pelo próximo século.

Qual é a preocupação real

O que motivou a nova rodada de reportagens é um estudo conduzido por pesquisadores do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália. Eles simularam a trajetória do asteroide junto com a distribuição de detritos acumulados em órbita geoestacionária.

A conclusão aponta probabilidade não nula de colisão com lixo espacial. Mesmo assim, os autores registram que um choque desses não alteraria a órbita do objeto nem criaria qualquer risco novo para o planeta. O que poderia acontecer é a formação de pequenas crateras na superfície e a geração de nuvens de poeira e fragmentos.

Por que isso incomoda os cientistas

Rocha apelidada de Deus do Caos passa a menos de 32 mil km da Terra em abril de 2029. Não há risco de impacto, mas o lixo espacial preocupa os cientistas.

O prejuízo não é físico, é científico. E aí está a parte que a maioria das manchetes não explica.

A passagem de 2029 é considerada uma oportunidade irrepetível para observar como a gravidade terrestre atua sobre um objeto desse porte. Segundo a NASA, o asteroide será puxado, torcido, esticado e comprimido de um jeito que só acontece em encontros muito próximos, e o efeito geral alterará a órbita dele em torno do Sol, tornando a trajetória ligeiramente maior e o período orbital mais longo. Se um pedaço de satélite velho abrir uma cratera na superfície durante a passagem, fica impossível distinguir o que foi causado pela gravidade e o que foi causado pelo impacto.

O que os cientistas esperam observar

A lista de fenômenos previstos justifica o interesse. A atração terrestre deve alterar a rotação do corpo, provocar deslizamentos de material na superfície e até desencadear o equivalente a terremotos na rocha.

Esses movimentos revelariam o que existe abaixo da camada externa, informação central para entender a estrutura interna de asteroides desse tipo. E isso importa muito além da curiosidade: entender do que esses objetos são feitos e quão coesos eles são é justamente o que permite projetar missões de desvio caso algum represente ameaça real no futuro.

As sondas que vão acompanhar tudo

Três missões estão envolvidas. A americana OSIRIS-APEX é a antiga OSIRIS-REx, sonda que trouxe amostras do asteroide Bennu à Terra em 2023 e foi redirecionada em vez de aposentada.

Ela começa a coletar dados por volta de 2 de abril de 2029 e faz o encontro com o asteroide logo após a passagem pela Terra, com chegada prevista para junho daquele ano. O plano inclui uma manobra engenhosa: acionar os propulsores perto da superfície para levantar rochas e poeira, expondo o material logo abaixo da camada externa sem precisar pousar. A europeia Ramses tem lançamento previsto para 2028 e deve chegar antes do encontro, acompanhando o objeto durante toda a passagem, com dois pequenos satélites acoplados, um para orbitar e outro para tentar tocar a superfície, além de gravímetro e sismômetro. A japonesa Destiny Plus fará um sobrevoo de reconhecimento em alta velocidade antes de seguir para outro destino.

O tamanho do problema do lixo espacial

O estudo italiano toca em uma questão que existe independentemente do asteroide. A rede de vigilância espacial americana rastreia mais de 27 mil fragmentos de detritos orbitais maiores que 10 centímetros.

Quando um alerta de aproximação indica possibilidade de choque entre objetos, operadores calculam a probabilidade e executam manobras de desvio. O caso de 2029 impõe uma dificuldade adicional: em vez de acompanhar detritos previsíveis em órbitas estáveis, será preciso monitorar um corpo de centenas de metros em trajetória aberta, atravessando várias faixas orbitais ao mesmo tempo. Qualquer nova colisão gera mais fragmentos e torna o monitoramento ainda mais complexo.

De onde vem o apelido

O nome oficial vem da mitologia egípcia. Apófis, ou Apep, era a serpente associada ao caos e às trevas, inimiga do deus sol Rá.

A escolha foi feita quando o objeto ainda parecia representar ameaça, e o apelido pegou justamente por causa do susto inicial de 2004. Hoje ele funciona mais como marketing involuntário do que como descrição do risco. A ironia é que o Deus do Caos vai passar em uma sexta-feira 13, coincidência de calendário que ajudou a manter o assunto vivo por mais de duas décadas.

O espetáculo que muita gente vai ver

Há um lado bem menos técnico dessa história. O objeto deve ser visível a olho nu, sem telescópio nem binóculo, para observadores do Hemisfério Oriental, incluindo Europa, África e oeste da Ásia.

Estimativas divulgadas apontam que até 90% da população mundial poderia acompanhar a passagem, dependendo das condições de tempo e da posição geográfica. Sobre o tamanho do corpo, as publicações divergem: aparece como aproximadamente 340 metros em material da NASA, cerca de 370 metros em uma reportagem científica e até 450 metros em outros registros. Em qualquer dessas medidas, é um objeto comparável a um arranha-céu.

E você, pretende acompanhar essa passagem em 2029? Conta aqui nos comentários se você já viu algum fenômeno astronômico a olho nu, e diga o que achou mais preocupante nessa história, o asteroide ou a quantidade de lixo que já deixamos em órbita.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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