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Universitários da UNILA levam energia solar e internet a comunidade da Amazônia peruana que não aparecia no Google Maps e beneficiam cerca de 200 moradores

Universitários da UNILA levam energia solar e internet a comunidade da Amazônia peruana que não aparecia no Google Maps e beneficiam cerca de 200 moradores

4 min de leitura

Universitários da UNILA levam energia solar e internet a comunidade da Amazônia peruana que não aparecia no Google Maps e beneficiam cerca de 200 moradores

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 18/08/2026 às 20:16

Atualizado em 18/08/2026 às 20:22

Uma comunidade da Amazônia peruana que não aparecia no Google Maps recebeu energia solar e internet via satélite por meio de um projeto organizado por estudantes da UNILA

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Projeto criado em uma universidade federal de Foz do Iguaçu instalou painéis solares, baterias e internet via satélite em Alto Mishagua, onde 40 famílias dependiam de geradores e até a localização exigiu trabalho manual.

Uma comunidade da Amazônia peruana que não aparecia no Google Maps recebeu energia solar e internet via satélite por meio de um projeto organizado por estudantes da UNILA, universidade federal sediada em Foz do Iguaçu. Antes de levar os equipamentos, a equipe precisou descobrir e registrar a localização exata de Alto Mishagua.

A informação foi publicada em 2 de agosto de 2025 por SBT News, portal jornalístico brasileiro dedicado à cobertura de notícias. Até aquela data, o sistema atendia 40 famílias e cerca de 200 pessoas, que haviam deixado de depender de geradores a diesel.

O projeto nasceu de um problema vivido em 2020 por Roxana Mamani, aluna do curso de Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar. Com as salas de aula fechadas durante a pandemia, ela voltou para casa e encontrou as mesmas barreiras que afetavam o restante da comunidade: falta de eletricidade, conexão e acesso aos estudos.

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Uma comunidade que precisou ser localizada antes da instalação

Alto Mishagua vivia com acesso muito limitado à energia elétrica. Algumas famílias conseguiam poucas horas de luz à noite quando podiam pagar pelo combustível usado nos geradores. Para quem não tinha esse recurso, atividades simples, como estudar depois de escurecer, ficavam comprometidas.

O isolamento também apareceu na etapa mais básica do projeto. A comunidade não constava no Google Maps, por isso a equipe teve de identificar manualmente sua latitude e longitude, coordenadas usadas para marcar um ponto preciso no planeta.

Alto Mishagua vivia com acesso muito limitado à energia elétrica

A dificuldade mostra que instalar infraestrutura em uma área remota começa muito antes da chegada dos painéis. Sem uma localização segura, não seria possível organizar o deslocamento, planejar os equipamentos ou calcular as necessidades das famílias que receberiam o sistema.

Painéis solares, baterias de lítio e internet via satélite mudaram a rotina

A instalação reuniu painéis solares, baterias de lítio, inversores integrados e internet via satélite. Os painéis captam a luz do sol e geram eletricidade, enquanto as baterias guardam essa energia para que ela possa ser usada em outros momentos.

Os inversores ajustam a eletricidade para o uso nos equipamentos. O projeto também incluiu conjuntos individuais para as famílias e um sistema compartilhado, capaz de distribuir a energia armazenada para as casas da comunidade.

Além de reduzir a dependência dos geradores, a estrutura não exige desmatamento para funcionar. Os moradores receberam orientação para limpar os painéis, acompanhar o funcionamento e pedir suporte técnico quando necessário. As crianças passaram a estudar com conexão e acesso a conteúdos antes indisponíveis.

Planejamento remoto exigiu cálculo do consumo e trabalho de vários cursos

Estudantes de diferentes cursos da UNILA participaram da iniciativa por meio do Observatório Latino Americano de Geopolítica Energética. Organizações voltadas à formação de jovens líderes em energias renováveis também apoiaram o trabalho.

Painéis solares, baterias de lítio e internet via satélite mudaram a rotina

Todo o planejamento ocorreu à distância. A equipe analisou as necessidades locais, definiu os componentes e se reuniu presencialmente apenas na instalação. A distância obrigou o grupo a tomar decisões técnicas sem acompanhar diariamente a rotina da comunidade.

O SBT News, portal jornalístico brasileiro que publicou a apuração original, registrou a explicação de Icona Martins, engenheira de energia: “Identificar a latitude e longitude foi um dos maiores desafios técnicos. Também tivemos que estimar o consumo energético da comunidade após a instalação.”

Com apoio internacional, o grupo arrecadou cerca de US$ 60 mil e voltou à região em julho de 2025 para ampliar a instalação. A expansão levou a estrutura ao alcance de 40 famílias, número que representa aproximadamente 200 moradores.

Responsabilidade das concessionárias cria obstáculo para repetir a iniciativa no Brasil

A experiência de Alto Mishagua pode inspirar soluções para comunidades isoladas da Amazônia brasileira, mas não pode ser simplesmente copiada. Vitor Rissati, mestrando em Relações Internacionais, apontou que a legislação do Brasil atribui às concessionárias a responsabilidade de levar energia a esses locais.

Concessionárias são as empresas autorizadas a distribuir eletricidade em determinada área. Esse modelo reduz o espaço para que grupos independentes executem diretamente uma instalação semelhante, mesmo quando conseguem reunir conhecimento técnico, financiamento e apoio comunitário.

O contraste revela duas partes do mesmo desafio. A tecnologia solar e a conexão por satélite conseguem chegar a territórios remotos, mas as regras de cada país definem quem pode implantar a infraestrutura e de que maneira o serviço será prestado.

Energia e internet passam a fazer parte da vida de cerca de 200 moradores

Em Alto Mishagua, uma dificuldade surgida durante a pandemia mobilizou universitários, apoiadores e moradores. O resultado uniu eletricidade, comunicação e capacitação local em um sistema que a própria comunidade ajuda a conservar.

Mais do que instalar equipamentos, o grupo precisou encontrar um lugar ausente dos mapas digitais, calcular seu consumo à distância e adaptar a solução à vida de cerca de 200 pessoas. A experiência mostra o alcance prático da energia solar, mas também expõe os limites regulatórios para iniciativas independentes no Brasil.

O Brasil deveria facilitar projetos comunitários de energia solar em regiões isoladas? Comente e compartilhe esta história.

Fonte

SBT News


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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