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Ursa dançarina resgatada na Índia ainda ficava sobre as patas traseiras, saltava e andava em círculos quando alguém se aproximava mesmo após resgate

Ursa dançarina resgatada na Índia ainda ficava sobre as patas traseiras, saltava e andava em círculos quando alguém se aproximava mesmo após resgate

5 min de leitura

Ursa dançarina resgatada na Índia ainda ficava sobre as patas traseiras, saltava e andava em círculos quando alguém se aproximava mesmo após resgate

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 26/08/2026 às 23:43

Atualizado em 26/08/2026 às 23:44

Curiosidades

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Ursa dançarina resgatada na Índia ainda saltava ao ver pessoas e apresentava cegueira, dentes removidos, artrite e ferimentos graves.

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Gracie, com idade estimada entre 10 e 12 anos, foi encontrada com uma corda incorporada ao focinho, cegueira no olho esquerdo, dentes removidos, alterações osteoartríticas e problemas no fígado e na vesícula.

Uma ursa dançarina resgatada em março de 2026 no distrito de Jamtara, no estado indiano de Jharkhand, continuava se levantando sobre as patas traseiras, saltando e andando em círculos quando alguém se aproximava. Chamada de Gracie, a fêmea de urso-beiçudo tinha idade estimada entre 10 e 12 anos e carregava graves consequências físicas do período em que foi mantida ilegalmente em cativeiro.

A Divisão Florestal de Jamtara apreendeu o animal depois de receber uma denúncia sobre uma ursa explorada em apresentações. O órgão acionou a Wildlife SOS, que enviou uma equipe ao local e transportou Gracie para o Agra Bear Rescue Facility, centro especializado no atendimento de ursos resgatados.

Segundo a Wildlife SOS, Gracie teria passado a maior parte da vida com um captor, sendo obrigada a executar movimentos apresentados nas ruas como uma dança. Uma corda atravessada em seu focinho era usada para controlá-la por meio da dor.

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Ursa dançarina ainda “dançava” diante de pessoas

No primeiro dia no centro de Agra, Gracie apresentou medo e ansiedade sempre que percebia alguém nas proximidades. Ela emitia um som alto e, repentinamente, começava a andar em círculos, levantar-se sobre as patas traseiras e saltar.

Os responsáveis pelo atendimento atribuíram a reação ao condicionamento traumático sofrido durante os anos de exploração. A aproximação de uma pessoa ainda representava para a ursa o sinal de que deveria iniciar os movimentos repetidos nas apresentações.

A International Animal Rescue, organização parceira da Wildlife SOS, também informou que Gracie se levantava e começava a “dançar” quando avistava um ser humano, mesmo depois de chegar ao centro de recuperação.

Alan Knight, presidente da entidade, afirmou que o comportamento não era uma brincadeira ou reação natural. Segundo ele, a repetição forçada havia ocorrido tantas vezes que a resposta se tornou automática, fazendo com que Gracie continuasse acreditando que aquele comportamento era esperado dela.

Corda precisou ser retirada do focinho

Quando foi encontrada, Gracie ainda tinha a corda usada para controlá-la atravessada no focinho. O material permaneceu no local por tanto tempo que acabou incorporado ao tecido, provocando uma ferida que necessitava de tratamento.

A equipe observou que a própria ursa segurava parte da corda com a boca enquanto se movimentava. Os responsáveis consideram a possibilidade de que ela agisse assim para diminuir a pressão e a sensação dolorosa provocadas pelos puxões.

Antes de tocar na corda ou realizar exames mais invasivos, os profissionais permitiram que Gracie descansasse por alguns dias. A medida buscava reduzir o cansaço da viagem e a desorientação causada pela mudança de ambiente.

Posteriormente, ela foi imobilizada quimicamente para a retirada segura do material. Os veterinários aproveitaram o procedimento para realizar radiografias de corpo inteiro e uma ultrassonografia abdominal. O ferimento no focinho passou a receber curativos e acompanhamento médico regular.

Cegueira e alterações nos quadris

Os exames mostraram que Gracie não enxergava pelo olho esquerdo devido a uma cicatriz significativa na córnea. A visão do olho direito estava preservada.

A causa exata da lesão não foi determinada. De acordo com os responsáveis, a cicatriz pode ter resultado de um trauma antigo ou de uma infecção que não recebeu tratamento adequado. A ursa passou a utilizar lubrificantes oculares para diminuir o desconforto.

As radiografias também identificaram alterações osteoartríticas na articulação coxofemoral, localizada na região dos quadris. O desgaste da cartilagem estava associado à marcha ligeiramente cambaleante observada pelos cuidadores.

A ultrassonografia revelou ainda alterações no fígado e na vesícula biliar, embora os diagnósticos específicos não tenham sido divulgados. Com base nos resultados, Gracie recebeu suplementos hepáticos, medicamentos de suporte para as articulações e produtos voltados ao fortalecimento de sua condição geral.

Incisivos e caninos haviam sido removidos

Outra consequência do cativeiro estava na boca. Os incisivos e os caninos de Gracie haviam sido retirados de maneira rudimentar. A remoção desses dentes é associada à tentativa de reduzir a capacidade de defesa dos ursos explorados em apresentações.

Gracie ainda consegue mastigar utilizando os pré-molares e molares, mas não pode morder alimentos duros. Por esse motivo, os cuidadores passaram a cortar frutas como melancia e mamão em pedaços pequenos, facilitando sua alimentação.

Seu apetite inicialmente era baixo. Durante o cativeiro, ela estava acostumada a receber pães achatados. No centro, começou a ser adaptada gradualmente a uma dieta mais nutritiva, composta por alimentos como mingau de milheto e frutas.

O perfil oficial de Gracie registra que ela demonstra preferência por alimentos misturados com leite e mel. Também descreve a fêmea como calma e tímida, características que inspiraram o nome escolhido pelos cuidadores.

Recuperação exige cuidados permanentes

Gracie permaneceu inicialmente em quarentena, numa área silenciosa e com pouca circulação de pessoas. Durante essa etapa, apenas um cuidador e um veterinário mantinham contato frequente com ela, permitindo uma adaptação gradual à presença humana.

O espaço foi preparado para oferecer elementos mais próximos de um ambiente natural. A equipe também começou a estimular comportamentos próprios da espécie, como explorar o recinto e subir em árvores.

Devido às mutilações, aos problemas nas articulações, à perda de visão e ao longo período em cativeiro, Gracie continuará sob acompanhamento veterinário e cuidados de longo prazo no centro de Agra. A recuperação envolve tratamento das lesões, alimentação adaptada e redução progressiva do medo relacionado à presença de pessoas.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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