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Vendedor externo de uma loja de tintas vendeu o próprio carro, um Monza branco, comprou o maquinário para misturar massa plástica e começou num pequeno galpão em Santa Catarina, e hoje a empresa é uma das maiores fabricantes de tinta do país, com 550 funcionários e meta de 1 bilhão de reais de faturamento

Vendedor externo de uma loja de tintas vendeu o próprio carro, um Monza branco, comprou o maquinário para misturar massa plástica e começou num pequeno galpão em Santa Catarina, e hoje a empresa é uma das maiores fabricantes de tinta do país, com 550 funcionários e meta de 1 bilhão de reais de faturamento

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Vendedor externo de uma loja de tintas vendeu o próprio carro, um Monza branco, comprou o maquinário para misturar massa plástica e começou num pequeno galpão em Santa Catarina, e hoje a empresa é uma das maiores fabricantes de tinta do país, com 550 funcionários e meta de 1 bilhão de reais de faturamento

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 01/08/2026 às 09:30

Curiosidades

Fabricante de tinta de Criciúma nasceu em 1986 quando o fundador vendeu o Monza da família e comprou uma fábrica desativada para produzir massa plástica.

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A Anjo Tintas nasceu em abril de 1986, quando Beto Colombo trocou o carro da família por uma fábrica desativada. A produção começou em duas toneladas mensais de massa plástica. Desde 2013, o comando está com o filho Filipe, e a empresa opera quatro unidades fabris no sul catarinense.

A maior fabricante de tinta de Santa Catarina começou dentro de um pequeno galpão alugado em Criciúma, no sul do estado, conforme reportagem publicada pelo portal NSC Total. A Anjo Tintas foi fundada em abril de 1986 por Beto Colombo, então vendedor de uma loja de tintas da cidade, e desde 2013 é comandada pelo filho dele, Filipe Colombo, atual CEO.

O ponto de partida do negócio foi a venda do carro da família, um Monza branco ano 1985. O dinheiro do veículo financiou a compra de uma pequena fábrica desativada e o maquinário necessário para produzir massa plástica, e a operação começou fabricando duas toneladas por mês, sob a razão social Colombo Indústria e Comércio de Massas Plásticas.

O problema de logística que virou oportunidade

Beto Colombo, fundador da Anjo Tintas — Foto: Divulgação

A ideia não nasceu de um plano de negócios, e sim de um incômodo diário no balcão. Na loja onde Beto trabalhava, em meados dos anos 1980, a massa plástica revendida em Criciúma vinha de São Paulo, transportada de caminhão por estradas não duplicadas até o sul catarinense.

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O produto tinha validade de apenas 90 dias, prazo curto para uma cadeia de abastecimento tão longa. O resultado era um problema em duas pontas: ou a mercadoria vencia na prateleira, ou faltava estoque justamente quando aparecia um pedido grande.

Foi essa fricção que ele leu como oportunidade. Produzir localmente resolvia o prazo de entrega e a validade ao mesmo tempo, e a nova operação passou a atender pedidos da região em até cinco dias, marca impossível para quem dependia de carga vinda de outro estado.

O Monza que virou fábrica em 1986

A decisão de vender o carro é o elemento mais lembrado dessa história, e ela tem contexto. Beto dividia o tempo entre o trabalho na loja e as aulas de Teologia, e a esposa estava grávida. O Monza branco na garagem era o sinal visível de estabilidade que a família havia conquistado até ali.

Em 1986, o veículo foi negociado e o valor financiou a compra da pequena fábrica desativada que daria origem ao negócio. A coincidência de datas é o detalhe que a família guarda: no mesmo dia nasceram Filipe, o filho, e a empresa.

O nome escolhido também vem daí. A marca Anjo foi batizada pelo ex-estudante de Teologia que acabara de virar pai, referência que a empresa carrega até hoje na identidade visual, com o traço das pinceladas formando uma asa junto à letra inicial.

Os primeiros anos não foram simples. Sem garantias a oferecer aos bancos, que negavam crédito ao empresário iniciante, a operação chegou a funcionar com telefone emprestado.

De duas para vinte toneladas em um ano

Fundada em 1986, a Anjo Tintas conta atualmente com cerca de 550 funcionários e 190 representantes comerciais. Toda a produção fica no estado de Santa Catarina

O crescimento inicial foi rápido em termos proporcionais. A produção começou em duas toneladas mensais em 1986 e, já em 1987, com a marca Anjo, alcançou 20 toneladas por mês de massa plástica.

A empresa também chegou a funcionar nos fundos da residência de Beto, em um galpão de 144 metros quadrados, estrutura que dá a medida do porte do negócio naquele período.

Na década de 1990, a companhia se tornou líder no segmento em que atuava, com a massa plástica ultrapassando 250 toneladas mensais. Foi nesse período que o negócio deixou de ser um produto só, com a entrada dos complementos automotivos e, na sequência, dos thinners e solventes.

Quatro fábricas e a diversificação em unidades de negócio

Empresa tem quatro fábricas de tintas e solventes (Foto: Anjo Tintas, Divulgação)

A estrutura industrial atual está concentrada no sul de Santa Catarina. São quatro unidades fabris, três delas em Criciúma e uma em Morro da Fumaça, cada uma dedicada a uma frente específica de produção.

As linhas cobrem quatro mercados distintos: automotiva, imobiliária, industrial metalmecânica e impressão flexográfica, esta última voltada a embalagens flexíveis. A distribuição se apoia em filiais localizadas em São Paulo, Goiás e Pernambuco.

A segmentação não é apenas organizacional. Segundo Filipe Colombo, em declaração à revista Exame em 2022, trata se de quatro empresas dentro de uma só, arranjo que a companhia adota desde 2007, quando passou a trabalhar com o conceito de unidades de negócio. Separar as operações permite especialização técnica em cada mercado, já que tinta automotiva, imobiliária, industrial e de impressão têm exigências químicas e clientes completamente diferentes.

Os números de faturamento e o caminho até o bilhão

A trajetória financeira aparece em marcos espaçados, e vale acompanhá los com as datas. Em setembro de 2019, a empresa projetava faturamento de R$ 589 milhões para aquele ano, com 60 milhões de litros de tinta vendidos anualmente e 380 colaboradores.

Em 2022, o quadro já somava 550 funcionários e mais de 5 mil clientes atendidos. O faturamento daquele ano ficou em R$ 838 milhões, e a meta de alcançar R$ 1 bilhão foi projetada para 2023.

Vale registrar uma imprecisão comum na cobertura sobre a empresa. A cifra de R$ 1 bilhão circulou por anos como meta, e não como resultado consolidado, aparecendo associada ora a 2022, ora a 2023, dependendo da publicação. O material disponível não confirma o valor efetivamente alcançado em nenhum desses exercícios.

A sucessão familiar que mudou o comando em 2013

Filipe Colombo, CEO da Anjo Tintas — Foto: Divulgação

A transição de geração aconteceu em 2013, quando Filipe Colombo assumiu o comando da companhia. Ele começou a trabalhar na empresa aos 18 anos e passou pela área comercial, onde ocupou o primeiro cargo de liderança como supervisor administrativo de vendas e revenda.

Outro filho de Beto também integra a operação. Rodrigo Colombo atua como diretor executivo da unidade B2B, responsável pelo atendimento direto às indústrias.

Sucessão familiar em empresa de porte industrial costuma ser o ponto de maior risco na trajetória de um negócio, e no caso da Anjo ela ocorreu com o fundador ainda vivo e com o sucessor formado dentro da própria operação. Assumir o comando depois de anos no comercial é diferente de chegar direto à cadeira principal, porque o conhecimento do cliente e do produto vem de dentro.

Inovação, parceria com universidade e bônus por ideia

Uma das maiores fabricantes de tinta do Brasil (Foto: Anjo Tintas, Divulgação)

A empresa mantém parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina para desenvolvimento de novos produtos e tecnologias, arranjo informado em 2019 durante apresentação da companhia na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina.

Entre os produtos citados como resultado desse esforço está uma tinta para embalagens flexíveis que seca em 0,2 segundo, característica indispensável em impressão de alta velocidade.

O modelo de incentivo interno também chama atenção. Colaboradores que contribuem para o processo de inovação podem receber vantagem salarial que chega a 180%, segundo informação divulgada em 2019, e a companhia aplica bônus a quem se destaca na criação de produtos ou soluções. A estrutura combina tempo disponível para propor ideias e recompensa financeira para quem entrega, formato que aparece com frequência em indústrias de base química.

Em 2022, a operação já empregava softwares com inteligência artificial e automação para mapear dados de venda e executar tarefas repetitivas em áreas como call center, recursos humanos e contabilidade.

Certificações, expansão e o que estava previsto para 2024

A consolidação técnica veio com a certificação da norma ISO 9001, obtida em abril de 1999. No ano seguinte, em 2000, a companhia entrou no setor de impressão, passando a atender indústrias da área com solventes e tintas específicas.

Em 2002 foi inaugurada a unidade fabril da linha imobiliária base solvente, também em Criciúma, dando à linha destinada à construção civil uma fábrica própria. Em abril de 2007 veio a área industrial exclusiva para a unidade de negócio de impressão.

A reportagem do NSC Total registrava ainda a previsão de inauguração de uma nova planta produtiva de tintas e complementos automotivos ainda em 2024. O material disponível não informa se essa unidade foi efetivamente inaugurada no prazo previsto.

Desde 2001, a empresa mantém o projeto Anjos do Futsal, que reúne mais de 1,3 mil crianças e adolescentes em 23 municípios do sul de Santa Catarina. Ao longo de mais de duas décadas, mais de 14 mil participantes passaram pela iniciativa.

Alguns deles seguiram carreira no esporte. O projeto registra atletas que foram jogar em equipes no Catar, na Itália, na Espanha e no Iraque, além de times de destaque no Brasil, como o de Jaraguá do Sul, no norte catarinense.

Vale a ressalva de escala. Projeto social mantido por empresa é ação de responsabilidade corporativa, e o número de participantes é maior que o de atletas profissionalizados, o que é esperado em qualquer iniciativa esportiva de base.

De um carro vendido a uma indústria com quatro fábricas

O que separa o vendedor de 1986 do grupo industrial atual é uma sequência de decisões tomadas sobre problemas concretos. Produzir localmente porque o frete estragava a mercadoria, diversificar para complementos e solventes porque a base de clientes já estava construída, e segmentar em unidades porque cada mercado exige formulação e atendimento próprios.

O ponto de partida, porém, continua sendo o mais lembrado. Trocar o carro da família por uma fábrica desativada, com a esposa grávida e sem crédito bancário disponível, é o tipo de aposta que costuma não dar certo, e que neste caso deu.

E você, teria coragem de vender o próprio carro para bancar um negócio próprio? Acha que histórias assim ainda são possíveis no Brasil de hoje ou que a barreira de entrada na indústria ficou alta demais? Conta nos comentários qual foi a maior aposta que você já fez para começar alguma coisa.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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