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Vila de pescadores no Ceará foi engolida por dunas móveis na década de 1970, obrigou famílias a abandonar suas casas e renasceu dividida em quatro núcleos entre lagoas e manguezais

Vila de pescadores no Ceará foi engolida por dunas móveis na década de 1970, obrigou famílias a abandonar suas casas e renasceu dividida em quatro núcleos entre lagoas e manguezais

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Vila de pescadores no Ceará foi engolida por dunas móveis na década de 1970, obrigou famílias a abandonar suas casas e renasceu dividida em quatro núcleos entre lagoas e manguezais

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 10/08/2026 às 09:59

Atualizado em 10/08/2026 às 10:00

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Imagem ilustrativa de uma comunidade pesqueira cercada por dunas, lagoas e mar, elementos que ajudam a representar a paisagem associada à história de Tatajuba, em Camocim.

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Tatajuba, em Camocim, teve a antiga vila coberta pela areia, reorganizou seus moradores em quatro núcleos e mantém a pesca como parte central de sua identidade

No litoral oeste do Ceará, entre dunas brancas, lagoas e manguezais, Tatajuba guarda uma história marcada pela força da natureza e pela adaptação de seus moradores. A comunidade pesqueira, localizada no distrito de Guriú, em Camocim, viu sua configuração territorial mudar profundamente quando o avanço das dunas móveis atingiu a antiga vila durante a década de 1970.

O episódio obrigou famílias a deixarem a área tomada pela areia e reconstruírem a comunidade em outros pontos próximos. Com o passar do tempo, Tatajuba passou a reunir quatro núcleos: Nova Tatajuba, Vila São Francisco, Vila Nova e Baixa da Tatajuba, mantendo viva uma relação histórica com a pesca e com o ambiente costeiro.

História de Tatajuba começou em 1902 e cresceu ligada à pesca no litoral do Ceará

A ocupação de Tatajuba começou muito antes do soterramento da antiga vila. Segundo registros reunidos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio, a história oral da comunidade aponta 1902 como marco inicial da presença de moradores na região, então dividida entre Cabaceiras de Cima e Cabaceiras de Baixo.

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Em 1930, o povoado deixou de ser chamado Cabaceiras e passou a adotar o nome Tatajuba, relacionado à presença da árvore de mesmo nome. A formação da comunidade esteve diretamente ligada aos recursos encontrados na região e, principalmente, à pesca, que ganhou importância econômica com a abundância de pescado e de lagosta.

Essa ligação com o mar ajudou a definir a identidade social do povoado. Mesmo depois das mudanças impostas pelo avanço das dunas, a pesca continuou presente na rotina e na memória das famílias que permaneceram na região.

Dunas móveis avançaram sobre a vila e obrigaram moradores a reconstruir Tatajuba

A maior transformação territorial aconteceu durante a década de 1970. Nesse período, dunas móveis avançaram sobre a antiga Tatajuba e cobriram áreas anteriormente ocupadas por moradores, alterando profundamente a organização do povoado.

O movimento da areia não afetou apenas as construções. O ICMBio também registra alterações no curso da gamboa, fator que interferiu no espaço disponível e na forma como as famílias passaram a ocupar a região.

A resposta dos moradores foi reorganizar a comunidade em áreas próximas. Desse processo surgiram Nova Tatajuba, Vila São Francisco, Vila Nova e Baixa da Tatajuba, formando a configuração atual de uma comunidade que precisou se adaptar diretamente às mudanças do relevo.

Tatajuba entre dunas, lagoas e o litoral do Ceará.

Dunas, lagoas e manguezais continuam transformando a paisagem de Tatajuba

A mesma natureza que alterou a antiga vila continua moldando o cenário atual. Tatajuba reúne dunas móveis, dunas fixas, lagoas e manguezais, formando uma paisagem que muda de acordo com o vento, as chuvas, o deslocamento da areia e as condições da costa.

O ICMBio registra que as dunas podem esconder ou revelar lagoas interdunares ao longo do ano, além de modificar caminhos e acessos utilizados por moradores e visitantes. Essa dinâmica faz com que a paisagem não permaneça completamente estática, já que água, areia e rotas podem mudar conforme as condições naturais.

Em 2025, a importância ambiental da região também entrou em discussão na esfera estadual. A Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará incluiu áreas de Tatajuba em propostas relacionadas à criação de novas unidades de conservação, com atenção à preservação dos ecossistemas e ao uso sustentável dos recursos naturais.

Pesca, frutos do mar e artesanato ajudam a preservar a identidade da comunidade

A pesca permanece como um dos elementos mais ligados à história de Tatajuba. Peixes, camarões e caranguejos aparecem entre os produtos associados à culinária regional, enquanto atividades tradicionais ajudam a manter a relação entre moradores e os recursos oferecidos pelo território.

O ICMBio também registra casas de farinha e atividades artesanais entre os elementos culturais encontrados na região. Essas práticas convivem com uma paisagem marcada pelas dunas, pelas lagoas e pelos manguezais que cercam a comunidade.

Para visitantes, a Prefeitura de Camocim destaca ainda a Praia da Tatajuba e a Duna do Funil, também conhecida como Morro Branco, entre os pontos associados ao destino.

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Caio Aviz

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Caminho até Tatajuba pode cruzar a foz do rio Coreaú e depende das condições da maré

O acesso até Tatajuba também mostra como a dinâmica natural influencia a rotina da região. Segundo o ICMBio, um dos trajetos parte de Camocim pela faixa costeira e percorre aproximadamente 40 quilômetros, incluindo a travessia da foz do rio Coreaú.

A realização desse percurso depende da maré baixa, das condições da areia e do tipo de veículo utilizado. Por esse motivo, as condições do caminho precisam ser consideradas antes da saída, principalmente em trechos onde água e areia podem alterar a passagem.

A Prefeitura de Camocim também informa a possibilidade de acesso pela CE-085, oferecendo uma alternativa ao percurso feito pela praia.

História de Tatajuba mostra como uma comunidade pesqueira se reorganizou após ser soterrada

A trajetória de Tatajuba chama atenção não por técnicas construtivas extraordinárias, mas pela maneira como seus moradores responderam a uma transformação profunda da paisagem. A antiga vila foi soterrada pelas dunas, enquanto famílias precisaram abandonar áreas ocupadas e reconstruir a comunidade em outros pontos do litoral.

As fontes consultadas não registram casas sobre palafitas móveis, técnicas de encaixe sem pregos, durabilidade de 40 anos ou tentativas fracassadas de construtoras para reproduzir algum sistema tradicional.

A história documentada, porém, permanece singular. Tatajuba reúne memória comunitária, pesca, dunas, lagoas e manguezais em um território onde o movimento da natureza alterou a vila, os caminhos e a própria forma de ocupação ao longo das décadas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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