Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Vista do espaço, uma imagem do satélite da NASA mostra o Mar Negro deixando de parecer negro e surgindo tomado por gigantescas faixas azul-turquesa, criadas por bilhões de organismos microscópicos que tingiram a superfície e desenharam redemoinhos visíveis em órbita

Vista do espaço, uma imagem do satélite da NASA mostra o Mar Negro deixando de parecer negro e surgindo tomado por gigantescas faixas azul-turquesa, criadas por bilhões de organismos microscópicos que tingiram a superfície e desenharam redemoinhos visíveis em órbita

7 min de leitura

Vista do espaço, uma imagem do satélite da NASA mostra o Mar Negro deixando de parecer negro e surgindo tomado por gigantescas faixas azul-turquesa, criadas por bilhões de organismos microscópicos que tingiram a superfície e desenharam redemoinhos visíveis em órbita

Escrito por Ana Alice

Publicado em 04/08/2026 às 23:57

Ciência e Tecnologia

Canal

Assista o vídeo
Imagem da NASA revela o Mar Negro em tons azul-turquesa e mostra faixas de fitoplâncton visíveis do espaço pelo satélite PACE da agência. (Imagem: Ilustrativa)

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Um registro feito a centenas de quilômetros de altitude revelou desenhos incomuns sobre o Mar Negro, conectando organismos microscópicos, correntes marinhas e uma tecnologia capaz de enxergar detalhes invisíveis aos olhos humanos.

Um mar conhecido pelo tom escuro apareceu coberto por redemoinhos azul-turquesa que podiam ser vistos a centenas de quilômetros de altitude.

O registro não mostra tinta, despejo industrial ou uma mudança permanente na água, mas a presença de organismos tão pequenos que não podem ser observados individualmente a olho nu.

A imagem foi captada em 22 de junho de 2026 pelo instrumento OCI, instalado no satélite PACE, da NASA.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

As faixas claras atravessam parte do Mar Negro e ajudam a revelar movimentos da água que poderiam passar despercebidos em uma superfície de aparência uniforme.

Segundo o Observatório da Terra da agência espacial norte-americana, a cor foi provavelmente provocada por uma floração de cocolitóforos.

Esses organismos fazem parte do fitoplâncton e vivem próximos à superfície, onde usam a luz do Sol para realizar fotossíntese.

O que torna a cena visível do espaço está ao redor de cada célula.

Os cocolitóforos são cobertos por pequenas placas de carbonato de cálcio, material também encontrado no calcário.

Quando bilhões desses organismos e de suas placas se acumulam na água, a luz é refletida de uma maneira que produz o aspecto leitoso e azul-turquesa registrado pelo satélite.

O que fez o Mar Negro ficar azul-turquesa

A água do Mar Negro não se tornou azul-turquesa de forma permanente.

A aparência muda conforme a quantidade de organismos, partículas e sedimentos presentes perto da superfície, além das condições de iluminação no momento da observação.

Durante a primavera e o começo do verão no Hemisfério Norte, os cocolitóforos podem se multiplicar em grande quantidade.

A NASA explica que essas florações costumam se destacar nesse período, enquanto outros tipos de organismos microscópicos podem predominar em diferentes épocas do ano.

As diatomáceas, por exemplo, são algas microscópicas envolvidas por estruturas de sílica.

Ao contrário dos cocolitóforos, que tendem a clarear a água, elas podem contribuir para que a superfície apresente tonalidades mais escuras.

Uma floração acontece quando determinados organismos encontram condições favoráveis para crescer e se reproduzir rapidamente.

Luz solar, temperatura, disponibilidade de nutrientes e movimentação da água estão entre os fatores que podem influenciar esse processo.

O termo não significa, por si só, que exista contaminação ou perigo.

Florações de fitoplâncton fazem parte da dinâmica dos ambientes aquáticos, embora algumas espécies e situações específicas possam produzir efeitos prejudiciais.

No caso mostrado pela NASA, a explicação divulgada se concentra na mudança de cor causada pelos cocolitóforos.

Faixas azul-turquesa formadas por uma floração de fitoplâncton se espalham pelo Mar Negro em imagem captada pelo satélite PACE em 22 de junho de 2026. Crédito: NASA Earth Observatory/Michala Garrison

Placas microscópicas criam faixas vistas do espaço

Cada cocolitóforo possui uma cobertura formada por pequenas estruturas conhecidas como cocólitos.

Essas placas são feitas de calcita, uma forma de carbonato de cálcio, e medem apenas uma fração de milímetro.

Isoladamente, uma célula não alteraria a aparência de uma região marítima.

O efeito surge quando uma floração reúne uma quantidade muito grande de organismos e placas soltas na superfície.

A NASA explica que, em áreas com trilhões de cocolitóforos, a concentração de material calcário pode deixar a água com aspecto turquesa e opaco.

Correntes e redemoinhos distribuem essa concentração de maneira irregular, formando linhas, curvas e espirais.

Por isso, o desenho observado na imagem não representa apenas a presença de vida microscópica.

As faixas também acompanham o deslocamento da água e tornam visíveis algumas estruturas da circulação marinha.

Em determinados pontos, os organismos ficam mais concentrados e a cor aparece com maior intensidade.

Em outros, a floração se dispersa, mistura-se a diferentes massas de água ou deixa de produzir um sinal tão claro para o sensor.

Satélite PACE observa detalhes além do azul e do verde

O registro foi feito pelo Ocean Color Instrument, conhecido pela sigla OCI.

O equipamento integra a missão PACE, nome formado pelas palavras em inglês para plâncton, aerossol, nuvem e ecossistema oceânico.

Lançado em fevereiro de 2024, o satélite foi desenvolvido para observar a interação entre o oceano e a atmosfera.

Uma de suas funções é medir a luz absorvida e refletida pela superfície terrestre, especialmente pelas águas do planeta.

Enquanto sensores anteriores analisavam um número menor de faixas de luz, o OCI registra mais de 200 comprimentos de onda nas regiões ultravioleta, visível e infravermelha próxima.

Essa capacidade permite examinar diferenças sutis na cor do oceano e ajuda os pesquisadores a distinguir partículas e grupos de fitoplâncton por suas características ópticas.

Para produzir essas análises, os cientistas não observam apenas uma fotografia comum.

Os instrumentos registram como diferentes comprimentos de onda interagem com a água, os organismos, os sedimentos e outras substâncias.

A atmosfera também interfere no sinal recebido pelo satélite.

Antes de interpretar a cor do oceano, os pesquisadores precisam considerar e retirar efeitos provocados por gases, aerossóis, nuvens e pela própria luz que atravessa o ar.

Assista o vídeo

Floração azul-turquesa também chegou ao Bósforo

A floração não ficou limitada ao Mar Negro.

O Bósforo, estreito que atravessa Istambul e conecta o Mar Negro ao Mar de Mármara, também apresentou tonalidade turquesa.

Cerca de um mês antes do registro do PACE, um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional fotografou a região em 27 de maio de 2026.

Na imagem, o fitoplâncton acompanha as correntes nos dois lados do estreito, criando marcas claras sobre a água.

A fotografia foi feita com uma câmera Nikon Z9 e uma lente de 50 milímetros.

Segundo a NASA, o arquivo passou por recorte e ajustes de contraste, além da retirada de efeitos produzidos pela lente.

A existência de registros feitos por instrumentos diferentes permite observar o mesmo tipo de fenômeno por perspectivas complementares.

A câmera mostra a aparência visível da superfície, enquanto o satélite mede variações de luz que fornecem dados para estudos sobre os organismos e o ambiente.

Floração revela movimentos das correntes marinhas

Quando os cocolitóforos se espalham, sua coloração pode funcionar como uma espécie de marcador natural.

Em vez de ver apenas uma extensão contínua de água, pesquisadores conseguem acompanhar linhas que indicam circulação, mistura e encontro entre massas de água.

Comparações feitas ao longo de vários dias permitem observar como uma floração cresce, se desloca, muda de formato, se divide e desaparece.

Esse acompanhamento seria mais difícil apenas com coletas realizadas em embarcações, especialmente em uma região extensa.

A observação por satélite não elimina a necessidade de medições diretas.

Amostras recolhidas no mar continuam importantes para confirmar quais organismos estão presentes, medir sua concentração e verificar se a interpretação dos dados orbitais corresponde às condições reais.

Ainda assim, o sensoriamento remoto permite acompanhar grandes áreas com frequência.

Essa capacidade é especialmente útil em locais onde navios e equipes científicas não conseguem realizar coletas contínuas.

Assista o vídeo

Fitoplâncton também participa do ciclo do carbono

O fitoplâncton ocupa a base de muitas cadeias alimentares aquáticas.

Assim como as plantas em terra, esses organismos absorvem luz e dióxido de carbono durante a fotossíntese e produzem oxigênio.

Os cocolitóforos também usam carbono para formar suas placas de calcita.

Quando morrem, parte do material pode afundar e chegar ao fundo do oceano, onde uma parcela permanece armazenada por períodos prolongados.

Por esse motivo, as florações fornecem informações sobre produtividade biológica, circulação da água e processos ligados ao transporte de carbono entre a atmosfera, a superfície e as regiões mais profundas do mar.

Na imagem registrada em junho de 2026, duas escalas muito diferentes aparecem conectadas.

Placas microscópicas de carbonato de cálcio alteraram a luz refletida por uma região marítima grande o suficiente para ser observada em órbita.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

Sair da versão mobile