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Viúva ficou sozinha com quatro filhos após a morte do marido, usou os últimos R$ 10 para fazer pasta de amendoim na cozinha de casa e transformou a receita em uma indústria que produz 10 toneladas por dia, está em milhares de pontos de venda e faturou R$ 45 milhões em 2025
Escrito por Carla Teles
Publicado em 08/08/2026 às 14:00
Atualizado em 08/08/2026 às 14:01
Economia
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A viúva Juliana Maena começou com R$ 10 na cozinha de casa, em Peruíbe, após a morte do marido, criou a La Ganexa com os filhos e transformou a produção caseira de pasta de amendoim em indústria que fabrica 10 toneladas por dia e faturou R$ 45 milhões em 2025.
Depois da morte do marido, Juliana Maena ficou responsável pelos quatro filhos e precisou reorganizar a vida financeira da família em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Foi nesse cenário que a viúva utilizou R$ 10 disponíveis para comprar ingredientes e começou a produzir pasta de amendoim na própria cozinha, inicialmente como uma forma de economizar dentro de casa.
A experiência doméstica começou em 2016 e gradualmente deixou de atender apenas à família. Os filhos passaram a levar a pasta para o trabalho e para a academia, pessoas próximas demonstraram interesse em comprar e aquilo que saía de um liquidificador doméstico se transformou na origem da La Ganexa, empresa que completou dez anos em 2026 após alcançar escala industrial e distribuição nacional.
R$ 10 compraram os primeiros ingredientes
O negócio não nasceu com equipamentos industriais, capital externo ou uma estrutura comercial preparada. Juliana dispunha de apenas R$ 10 para começar e comprava amendoim em pequenas quantidades, chegando a adquirir pacotes de cerca de 100 gramas em lojas de especiarias porque era o volume compatível com o dinheiro disponível naquele momento.
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A produção acontecia dentro de casa, utilizando os recursos que a família já possuía. A viúva não iniciou a atividade pensando imediatamente em construir uma indústria, mas a aceitação das primeiras receitas entre pessoas próximas mostrou que havia consumidores dispostos a pagar pelo produto que ela fazia para reduzir despesas domésticas.
Filhos ajudaram a transformar receita em venda
Os próprios filhos tiveram participação importante nos primeiros passos comerciais. Eles levavam os potes para os ambientes que frequentavam e, conforme outras pessoas experimentavam a pasta de amendoim, surgiam pedidos para comprar novas unidades. Foi assim que o produto começou a circular para além da cozinha da família.
Essa demanda inicial permitiu testar o negócio sem uma estrutura formal de varejo. As primeiras vendas aconteceram diretamente para consumidores, criando uma clientela antes mesmo de a empresa possuir CNPJ, representantes comerciais ou presença em supermercados e lojas especializadas.
Negócio permaneceu informal durante dois anos
Entre 2016 e 2018, a produção funcionou de maneira informal. A família vendia diretamente para pessoas físicas e também utilizava degustações em academias como forma de apresentar a pasta para novos consumidores, enquanto a quantidade produzida aumentava conforme surgiam novos pedidos.
O crescimento começou a criar uma nova questão: clientes queriam saber onde poderiam encontrar os produtos sem depender diretamente da família. Essa procura mostrou que a produção doméstica começava a ultrapassar os limites de uma atividade complementar, tornando necessária uma estrutura capaz de vender também para estabelecimentos comerciais.
Formalização aconteceu em 2018
A família decidiu formalizar a operação em 2018. Com o CNPJ, passou a existir a possibilidade de emitir notas fiscais e atender supermercados, padarias e lojas de produtos naturais de Peruíbe, ampliando o mercado que até então dependia principalmente das vendas individuais.
Um dos filhos de Juliana, Allan Gomes de Souza, assumiu atividades administrativas e começou a procurar estabelecimentos que já tinham contato com consumidores da pasta. A entrada no varejo permitiu à La Ganexa sair do círculo inicial de clientes e construir uma distribuição mais estruturada, abrindo espaço para o aumento do faturamento.
Família trabalhou anos sem retirar salário
O crescimento não significou retorno financeiro imediato para os integrantes da empresa. Durante aproximadamente quatro anos, o dinheiro obtido com as vendas era reinvestido na própria operação, e os primeiros pagamentos aos sócios começaram somente em 2020.
A rotina produtiva também era extensa. Juliana chegou a enfrentar jornadas de 15 a 20 horas em pé durante determinados períodos e houve ocasião em que trabalhou 22 horas seguidas. A expansão ocorreu enquanto a família direcionava recursos e tempo para aumentar a capacidade do negócio, em vez de transformar rapidamente as vendas em renda pessoal.
Ano de 2021 mudou a escala da La Ganexa
Uma transformação mais expressiva aconteceu em 2021. Naquele período, a empresa lançou um novo sabor de pasta de amendoim, posteriormente apontado como o mais vendido da marca, e participou do programa de empreendedorismo Shark Tank, ampliando sua exposição.
No fim daquele mesmo ano, a família iniciou a construção da fábrica onde a operação passou a funcionar. A combinação entre aumento da demanda, maior reconhecimento e expansão física permitiu à empresa quadruplicar de tamanho em aproximadamente um ano, estabelecendo uma estrutura muito diferente daquela iniciada na cozinha.
Viúva passou a comandar produção industrial
Mesmo depois do aumento de escala, Juliana continuou diretamente ligada à fabricação e ao desenvolvimento de produtos. A viúva passou da preparação dos primeiros potes em casa para uma operação industrial na qual atua na produção e na criação de novos itens.
Os filhos também foram incorporados a diferentes áreas da companhia. Allan ficou responsável pelas áreas administrativa, fiscal, contábil e financeira; Allex deixou a Marinha para atuar no comercial; Alline assumiu marketing, redes sociais e comércio eletrônico; enquanto outros integrantes da família passaram a trabalhar com marketplaces e produção.
Pasta de amendoim deixou de ser único produto
Até 2024, a La Ganexa concentrava sua atividade na pasta de amendoim. A família percebeu, porém, que lançar apenas novos sabores não necessariamente aumentava o consumo total, porque parte dos clientes apenas substituía uma versão pela outra mantendo aproximadamente a mesma quantidade comprada.
A estratégia então passou a buscar outros momentos de consumo. Um alfajor recheado com pasta de amendoim abriu caminho para produtos como panqueca, suspiro, biscoito, salgadinho, doce de leite e brigadeiro de colher, ampliando o portfólio para além do item que havia originado a empresa.
Fábrica alcançou capacidade de 10 toneladas por dia
A estrutura atual possui capacidade para produzir até 10 toneladas por dia, considerando o conjunto de produtos fabricados. O volume mostra a distância entre os primeiros lotes feitos em liquidificador doméstico e a dimensão alcançada depois de uma década de operação.
O crescimento físico também continuou. A companhia passou a ocupar um segundo galpão em Peruíbe para ampliar sua capacidade e, no período informado, mantinha 48 funcionários internos e outros 18 profissionais externos ligados às atividades de vendas e promoção, além da participação dos integrantes da família.
Produtos chegaram a mais de 5 mil pontos de venda
A distribuição avançou para além do litoral paulista e alcançou todas as unidades da federação. A La Ganexa ultrapassou 5 mil pontos de venda, utilizando principalmente lojas de produtos naturais, suplementos e outros estabelecimentos especializados como parte importante de sua estratégia comercial.
A expansão nacional ocorreu ao mesmo tempo em que grandes empresas começaram a disputar com mais intensidade o mercado relacionado à alimentação saudável e a produtos com maior presença de proteína. A companhia optou por aprofundar sua atuação em canais nos quais o consumidor costuma buscar informações e orientação antes da compra, enquanto também avançava para redes varejistas.
Exportações já alcançam cinco países
A expansão também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Os produtos chegaram aos Estados Unidos, Bolívia, Argentina, Paraguai e República Dominicana, fazendo com que a companhia alcançasse seu quinto mercado internacional.
Para entrar no mercado americano, a empresa contou com certificação específica para produtos derivados de amendoim. A internacionalização acrescentou uma nova etapa à trajetória iniciada com vendas para conhecidos em Peruíbe, colocando uma produção que nasceu dentro de uma residência em rotas comerciais fora do Brasil.
Faturamento chegou a R$ 45 milhões em 2025
A escala conquistada também apareceu nas receitas. Em 2025, a empresa registrou faturamento de R$ 45 milhões, resultado obtido nove anos depois do início da produção doméstica e dos primeiros R$ 10 investidos nos ingredientes.
Para 2026, a companhia projetava superar R$ 60 milhões em receita. O plano de crescimento estava apoiado em três frentes: vender mais para clientes já atendidos, conquistar novos pontos comerciais e desenvolver produtos capazes de entrar em outros momentos de consumo ao longo do dia.
Cozinha de casa virou indústria em dez anos
A transformação ocorreu ao longo de uma década. A viúva que começou preparando pasta de amendoim em casa para administrar melhor as despesas familiares passou a comandar, junto dos filhos, uma companhia com produção industrial, milhares de pontos de venda e presença internacional.
O contraste entre o início e a estrutura alcançada ajuda a dimensionar a mudança: R$ 10 usados para comprar os primeiros ingredientes deram origem a uma operação capaz de fabricar 10 toneladas por dia e faturar R$ 45 milhões em um único ano, sem que esse crescimento tenha acontecido de maneira imediata ou linear.
Viúva transformou necessidade doméstica em negócio familiar
A história da La Ganexa começou em um momento no qual Juliana precisava sustentar e organizar a rotina de uma família com quatro filhos após a morte do marido. O que surgiu para reduzir gastos dentro de casa encontrou consumidores, foi formalizado, entrou no varejo, ganhou uma fábrica e posteriormente alcançou distribuição nacional e exportações.
Dez anos depois do início, a viúva e os filhos estavam à frente de uma empresa que passou dos pequenos lotes domésticos para uma capacidade de até 10 toneladas diárias e R$ 45 milhões de faturamento em 2025. O que mais chama sua atenção nessa trajetória: começar com apenas R$ 10 ou conseguir transformar uma receita feita na cozinha em uma indústria desse tamanho? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

