DF
5 min de leitura
Viúva há um ano e mãe de sete filhos sai de casa às 5h para trabalhar como catadora de materiais recicláveis no Distrito Federal, sustenta a família com o próprio esforço e ganha destaque em livro com histórias de 25 mulheres da reciclagem
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 24/08/2026 às 18:48
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Aos 41 anos, Aparecida Ferreira de Maria carrega uma história iniciada aos 18, enfrentou a separação de resíduos no chão e sob sol forte, encontrou apoio em cooperativas e agora aparece em uma obra gratuita criada para dar voz às trabalhadoras da reciclagem no Brasil.
A rotina da catadora de materiais recicláveis Aparecida Ferreira de Maria começa por volta das 5h, quando ela sai de casa no Distrito Federal para garantir a principal renda de seus sete filhos. Aos 41 anos e viúva havia um ano no período retratado, ela transformou uma atividade presente na própria família em sustento, autonomia e reconhecimento.
O Estrutural On Line, portal de notícias locais e regionais, publicou a trajetória que levou Aparecida às páginas do livro “Mulheres que Reciclam o Futuro”. A obra reúne 25 trabalhadoras da reciclagem e mostra quem está por trás de um serviço essencial, mas ainda pouco reconhecido.
Uma rotina que começa de madrugada para garantir o sustento de sete filhos
A coleta não apareceu de repente na vida de Aparecida. Filha de catadores, ela cresceu vendo o pai recorrer aos recicláveis para manter a casa. Aos 18 anos, quando precisou cuidar dos filhos, entrou no mesmo setor e começou uma longa trajetória ligada às cooperativas do Distrito Federal.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Nos primeiros anos, Aparecida chegou a fazer a separação dos materiais no chão, exposta ao sol intenso. A dificuldade mostra o peso físico de uma ocupação que exige esforço diário e, ao mesmo tempo, representa a fonte de renda de muitas famílias.
Para ela, o trabalho significa mais do que sobrevivência. A catadora resume a importância da dignidade e da autonomia em uma frase direta: “Se sustentar com o próprio esforço é algo muito importante”.
Das condições difíceis no chão a uma nova função dentro da Centcoop
Com o tempo, Aparecida ingressou na Central das Cooperativas de Trabalho de Materiais Recicláveis do Distrito Federal, identificada pela sigla Centcoop. A mudança trouxe condições melhores após anos marcados pela triagem de resíduos no chão e pelo trabalho sob o sol.
Na instituição, ela passou a atuar como ajudante de cozinha. A permanência no ambiente das cooperativas também ofereceu algo que vai além da renda: uma rede de apoio entre mulheres que convivem com dificuldades semelhantes.
Essa união ajuda a transformar experiências individuais em uma força coletiva. Dentro da cooperativa, as trabalhadoras encontram pessoas que compreendem a rotina, o esforço e a responsabilidade de manter a família com o próprio trabalho.
O livro que dá voz às catadoras e transforma trabalho cotidiano em memória
A participação de Aparecida no livro nasceu de um convite ligado à Centcoop. Ao contar sua história para a obra, ela viveu um momento de desabafo e reconhecimento, depois de tantos anos dedicados ao trabalho com materiais recicláveis.
O livro “Mulheres que Reciclam o Futuro” leva para a literatura experiências que costumam permanecer distantes do público. São histórias de mulheres que sustentam suas casas e ajudam a manter a reciclagem em funcionamento no Brasil.
O Estrutural On Line, portal de notícias locais e regionais, registrou que a publicação reúne 25 mulheres. A presença de Aparecida entre as protagonistas transforma sua rotina em memória e amplia a visibilidade de uma categoria fundamental para as cidades.
Mulheres representam cerca de 70% das pessoas que trabalham com reciclagem
As mulheres representam cerca de 70% das pessoas que trabalham no setor de reciclagem no país. O número ajuda a explicar por que uma obra dedicada às experiências femininas tem peso para a categoria e para a discussão sobre reconhecimento profissional.
Na publicação de maio de 2026, o lançamento estava marcado para 20 de maio de 2026, em Brasília, dentro das ações do mês dedicado ao Dia Mundial da Reciclagem. A programação associava as histórias das trabalhadoras a uma data voltada à importância do reaproveitamento de materiais.
O livro também tinha distribuição gratuita pela internet prevista. Essa escolha permitiria que as histórias alcançassem leitores de diferentes lugares e apresentassem os rostos, os nomes e as trajetórias de quem realiza esse trabalho todos os dias.
O trabalho das catadoras ajuda a separar materiais que podem receber um novo destino. Esse esforço reduz o descarte e mantém itens aproveitáveis em circulação, ao mesmo tempo que cria uma fonte de renda para famílias que dependem diretamente da atividade.
Há também um impacto social que não cabe apenas nos números. Quando uma trabalhadora conquista dignidade, autonomia e apoio coletivo, a reciclagem passa a representar sustento e possibilidade de seguir em frente mesmo diante de condições difíceis.
A história de Aparecida reúne essas duas dimensões. Seu trabalho contribui para o meio ambiente e para a economia sustentável, enquanto sua presença no livro ajuda a combater a invisibilidade de profissionais essenciais para o funcionamento das cidades.
Da madrugada às páginas de um livro, uma história de esforço que agora pode ser conhecida
Aparecida saiu da convivência familiar com a reciclagem, começou a trabalhar no setor aos 18 anos e enfrentou a separação de materiais no chão. Aos 41, mãe de sete filhos e viúva, viu sua trajetória ocupar espaço em uma obra criada para valorizar as mulheres da categoria.
O livro transforma uma experiência individual em retrato coletivo. Ao reunir 25 trabalhadoras, a publicação mostra que por trás de cada material recuperado existem rotinas, famílias e mulheres que começam o dia muito antes de boa parte da cidade acordar.
Você acredita que livros como esse podem ajudar o Brasil a reconhecer melhor o trabalho das catadoras? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta história.
Fonte
Estrutural On Line
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

