Xororó mantém no Mato Grosso do Sul uma propriedade de mais de 2.600 hectares e, aos 68 anos, cria mais de 2 mil cabeças de gado enquanto transforma parte da fortuna construída nos palcos em uma gigantesca operação no campo
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 17/08/2026 às 06:33
Agronegócio
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Xororó, aos 68 anos, mantém fazenda de mais de 2.600 hectares em Mato Grosso do Sul, com mais de 2 mil cabeças de gado, e revela uma trajetória no agronegócio que vai além da música sertaneja, com investimentos rurais também em Goiás.
Aos 68 anos, Durval de Lima, o Xororó, mantém uma ligação com o campo que vai muito além das letras sertanejas. Entre suas propriedades está o Rancho Fundo, em Ribas do Rio Pardo, Mato Grosso do Sul, com mais de 2.600 hectares e mais de 2 mil cabeças de gado. Segundo a Rede Globo, a propriedade integra os investimentos rurais do cantor, que também possui vínculo com uma fazenda em Mozarlândia, Goiás.
O tamanho do empreendimento ajuda a revelar uma faceta menos conhecida de um dos artistas mais importantes da música sertaneja brasileira.
A relação financeira de Xororó com a pecuária não surgiu recentemente: ainda em 1999, ele e Chitãozinho contaram à Folha de S.Paulo que destinavam uma parcela relevante da fortuna acumulada na música à criação de gado, embora conduzissem seus investimentos rurais separadamente.
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Rancho Fundo de Xororó supera 2.600 hectares em Mato Grosso do Sul
O número que mais chama atenção é a dimensão do Rancho Fundo. A Rede Globo informa que a propriedade possui mais de 2,6 mil hectares, uma escala que coloca o investimento muito distante da ideia de um pequeno refúgio rural usado apenas para descanso nos intervalos dos shows.
A área fica em Ribas do Rio Pardo, município de Mato Grosso do Sul. Uma reportagem do Campo Grande News, publicada em 2008, também identificava Xororó como proprietário da Fazenda Rancho Fundo e situava a área na divisa de Ribas do Rio Pardo com Água Clara.
Transformados apenas para efeito de dimensão, 2.600 hectares correspondem a aproximadamente 26 quilômetros quadrados. E a extensão territorial é apenas parte da história: dentro dessa área está um rebanho que também alcança a casa dos milhares.
Mais de 2 mil cabeças de gado fazem da propriedade um negócio rural de grande escala
O Rancho Fundo abriga mais de 2 mil cabeças de gado, segundo os números publicados pela Rede Globo.
Isso coloca a pecuária no centro da atividade econômica associada à propriedade e ajuda a entender por que os investimentos rurais de Xororó são tratados como negócio, e não simplesmente como hobby de celebridade.
Xororó já investia parte da fortuna na pecuária na década de 1990
Em março de 1999, a Folha de S.Paulo publicou uma reportagem específica sobre os investimentos de Chitãozinho e Xororó fora da música. Naquele momento, o jornal informou que as grandes fazendas de criação de gado recebiam uma parcela expressiva da fortuna acumulada pelos dois artistas.
A reportagem mostrava que os irmãos possuíam propriedades rurais, mas não operavam como uma sociedade única nos investimentos agropecuários. Xororó explicou ao jornal que, embora ambos tivessem escolhido negócios semelhantes, cada um administrava seus investimentos de forma independente.
Esse detalhe é fundamental para compreender o Rancho Fundo. A propriedade não aparece apenas como uma extensão da marca Chitãozinho & Xororó, mas como parte da estratégia patrimonial individual de Durval de Lima, construída paralelamente à carreira artística que o tornou conhecido nacionalmente.
Cantor preferia o gado às aplicações financeiras tradicionais
A decisão de investir no campo também tinha uma explicação econômica. Na entrevista publicada pela Folha, Xororó demonstrou desconfiança em relação às aplicações financeiras e disse que costumava evitar até mesmo a poupança, em um contexto marcado pelo receio de confiscos e turbulências econômicas.
Chitãozinho manifestava pensamento semelhante. Para os dois, o gado representava uma forma concreta de colocar parte dos recursos obtidos nos palcos em uma atividade produtiva que eles conheciam e acompanhavam.
A reportagem destacava justamente essa preferência pela pecuária em comparação com determinadas aplicações financeiras.
Investimentos de Chitãozinho e Xororó no campo sempre foram separados
Embora os nomes dos irmãos estejam unidos há décadas nos discos, nos palcos e na memória popular, a divisão é diferente quando o assunto são fazendas.
A declaração de Xororó à Folha é clara ao mostrar que os dois seguiam caminhos individuais na administração dos investimentos.
A Rede Globo reforçou essa diferença ao apresentar propriedades ligadas individualmente aos artistas. No caso de Xororó, destacou duas: uma em Mozarlândia, Goiás, e o Rancho Fundo, em Ribas do Rio Pardo, Mato Grosso do Sul.
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Uma carreira conjunta não significa necessariamente propriedade conjunta de todos os negócios. No caso deles, a música é compartilhada, mas os investimentos rurais possuem trajetórias próprias.
Rancho Fundo fica em região tradicionalmente ligada à atividade agropecuária
O Rancho Fundo está ligado a Ribas do Rio Pardo, no interior sul-mato-grossense, e registros jornalísticos antigos também situam a propriedade nas proximidades da divisa com Água Clara.
Em 2008, o Campo Grande News descreveu a fazenda como pertencente ao cantor e localizada a cerca de 189 quilômetros de Campo Grande.
A localização ajuda a explicar por que a pecuária ocupa posição central na propriedade. Mato Grosso do Sul possui longa tradição na criação bovina, e o investimento de Xororó se insere justamente nessa paisagem econômica rural, distante dos estúdios e grandes arenas onde a dupla construiu sua fama.
No Rancho Fundo, portanto, a imagem do cantor encontra outra escala. Em vez de microfones, discos e turnês, aparecem milhares de hectares e milhares de animais, revelando como parte da riqueza construída com a música passou a financiar uma operação rural.
Da infância artística ao primeiro disco, Xororó construiu carreira antes de investir em grandes propriedades
Xororó nasceu em 30 de setembro de 1957, em Astorga, no Paraná, segundo o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Filho de Mário Antônio de Lima, começou a cantar ainda criança ao lado do irmão que ficaria conhecido como Chitãozinho.
Os irmãos passaram por reuniões familiares, festas juninas, rádio, programas de televisão, circos e apresentações pelo país antes da consolidação comercial. Em 1970, gravaram o primeiro disco, iniciando uma trajetória fonográfica que atravessaria décadas.
A explosão definitiva aconteceu em 1983 com “Fio de Cabelo”. O álbum Somos Apaixonados, que trazia a música, vendeu 1,5 milhão de cópias, segundo o Dicionário Cravo Albin, abrindo uma fase de enorme expansão comercial para a dupla.
Sucesso nos palcos criou patrimônio que encontrou destino também no campo
No início dos anos 2000, o Dicionário Cravo Albin registrava que Chitãozinho & Xororó já haviam alcançado aproximadamente 30 milhões de discos vendidos em três décadas de carreira. A trajetória ajudou a transformar dois jovens cantores do interior em protagonistas da indústria musical brasileira.
Parte do capital gerado por esse sucesso encontrou destino longe das gravadoras. A reportagem da Folha de 1999 já mostrava os músicos direcionando recursos para gado, fazendas e também empreendimentos do setor de alimentação, demonstrando uma estratégia de diversificação patrimonial.
No caso de Xororó, o Rancho Fundo acabou se tornando uma das representações mais visíveis dessa escolha.
Com milhares de hectares e um rebanho superior a duas mil cabeças, a propriedade materializa a passagem de recursos obtidos com entretenimento para uma atividade produtiva completamente diferente.
Fazenda em Goiás amplia presença rural de Xororó além de Mato Grosso do Sul
A Rede Globo também aponta uma fazenda ligada a Xororó em Mozarlândia, no interior de Goiás, mostrando que sua presença no meio rural ultrapassa Mato Grosso do Sul.
É fácil olhar para um cantor sertanejo dono de fazenda e interpretar a atividade apenas como parte de uma estética ligada ao gênero musical.
Os registros históricos sobre os investimentos de Xororó mostram, porém, uma relação econômica muito mais concreta com a pecuária.
Em 1999, ele já discutia sua preferência por ativos rurais em uma reportagem sobre investimentos. Em 2008, a imprensa local identificava o Rancho Fundo como propriedade do cantor. Em 2024 e 2025, reportagens continuavam atribuindo à fazenda mais de 2.600 hectares e mais de 2 mil cabeças de gado.
Essa sequência de registros atravessa décadas e mostra que a ligação de Xororó com o campo não surgiu como tendência recente. Ela acompanha uma parcela considerável de sua trajetória financeira depois que o sucesso musical já havia colocado a dupla entre os grandes nomes do país.
Aos 68 anos, Xororó mantém duas trajetórias que parecem pertencer ao mesmo universo
Aos 68 anos, Xororó continua sendo reconhecido primeiro pela música, resultado de uma carreira iniciada ainda na infância e consolidada em mais de cinco décadas de gravações e apresentações. O campo, porém, ocupa há muito tempo outra parte importante de sua história.
O Rancho Fundo resume bem essa dimensão menos exposta. São mais de 2.600 hectares em Mato Grosso do Sul e mais de 2 mil cabeças de gado, números que colocam o patrimônio rural do cantor em uma escala muito além de uma propriedade recreativa.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

