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Ypê volta à mídia após escândalo de contaminação em detergente

Ypê volta à mídia após escândalo de contaminação em detergente

Alguns lotes do detergente Ypê tiveram recolhimento determinado pela Anvisa
Ypê/Divulgação

Não teve pedido de desculpas. A Química Amparo, dona dos produtos de limpeza Ypê, voltou à mídia, mas para agradecer aos clientes fiéis à marca. A iniciativa ocorreu dois meses depois do escândalo do detergente contaminado com a Pseudomonas aeruginosa, uma bactéria oportunista que pode provocar ou agravar quadros infecciosos em quem tem o sistema imunológico comprometido.

“Confiança”, “seriedade” e “transparência” são as expressões em destaque na campanha criada pela agência DPZ, veiculada em TV aberta, mídias digitais e streaming, além de ações de marketing de influência. Na sequência, veio a promoção Meu Ypê Premiado, com direito a sorteio de 10 carros zero km, 2.000 vouchers de R$ 500 e um prêmio final de R$ 1 milhão. Agora, em agosto, foi a vez de a empresa apresentar a nova versão do sabão em pó Tixan X-Max, que promete remover bolinhas.

Os três filmes, exibidos em horário nobre na TV, marcam o retorno à mídia da Química Amparo. A companhia é dona de um faturamento anual da ordem de R$ 10 bilhões e é a segunda maior empresa do setor de limpeza doméstica no Brasil, depois da multinacional anglo-holandesa Unilever, que produz Omo e Comfort.

“A empresa quer mostrar que é resiliente, que está de volta ao jogo e segue tudo bem”, diz Tatiana Maia Lins, professora de gestão da reputação e de crises da ESPM e doutoranda em comunicação e consumo. Se tivesse pedido desculpas, teria reconhecido que errou e reforçado o papel da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que em maio interrompeu a produção e comercialização de lotes fabricados em Amparo, acrescenta. “A empresa tomou uma decisão inteligente, de não atacar, nem debochar: apenas agradeceu.”

A maior crise dos 75 anos da Química Amparo começou com falhas nos processos de produção, apontadas pela Anvisa e que a empresa garante ter corrigindo. Mas o problema escalou para uma crise institucional diante da polarização política dos consumidores —os donos foram doadores de campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.

A proporção que o assunto tomou assustou a família dona da companhia. Os Beira estão longe de serem empresários midiáticos —como os Trajano, do Magalu, ou Alê Costa, da Cacau Show. Também não costumam subir em palanques, como Luciano Hang, da Havan, apoiador declarado de Bolsonaro.

“Meu avô fundou isso daqui com o compromisso de entregar qualidade com custo-benefício. Esse compromisso não é de agora, é de sempre e vai continuar”, disse à reportagem Eduardo Beira, diretor de operações da Química Amparo, sem esconder o orgulho pela empresa familiar.

A companhia é uma das duas únicas grandes de Amparo (SP) —a outra é a JBS. O prefeito da cidade, Carlos Alberto Martins (MDB), em segundo mandato, fez uma defesa pública da Química Amparo nas redes sociais, sugerindo que a crise foi uma cilada comercial.

“É impossível ignorar que estamos falando de uma empresa brasileira gigante, líder de mercado em diversos segmentos, que disputa espaço com multinacionais poderosíssimas. E, infelizmente, no mundo corporativo, sabemos que muitas vezes interesses econômicos caminham junto de narrativas cuidadosamente amplificadas.”

Embora os donos tenham apoiado Bolsonaro em 2022, com R$ 1,5 milhão doados à campanha do ex-presidente, foi nos dois primeiros mandatos do governo Lula que a Química Amparo deslanchou. A companhia cresceu, no início dos anos 2000, na esteira do aumento do poder de compra da classe C, seu principal público.

Hoje a empresa detém mais da metade do mercado de detergentes, que soma R$ 3,6 bilhões no Brasil, segundo a consultoria Euromonitor. Em sabão, vem no encalço da líder Omo, que vê o consumidor migrar para marcas mais em conta no setor de limpeza, o que favorece a Tixan Ypê, em média 20% mais barata.

Foi a Unilever quem denunciou a contaminação microbiológica do lava-roupas Tixan Ypê e do detergente Ypê à Anvisa. A fabricação já foi restabelecida no complexo de Amparo, inaugurado em 1977, que conta com oito unidades de produção e um centro de distribuição.

A Anvisa restringiu apenas a venda dos produtos que pertencem a lotes terminados com o número 1, fabricados até 31 de dezembro de 2025 (caso de detergentes e desinfetantes) e até 31 de março de 2026 (lava-roupas líquidos).

Fonte: UOL


Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por UOL.

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