4 min de leitura
227 caixões gigantes de concreto são despejados no mar para formar muralha submersa de 9,1 km em Singapura, com estruturas de 10 andares que sustentam porto de 1.337 hectares e 66 berços automatizados
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 19/09/2026 às 15:46
Construção
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A segunda fase do Tuas Port recupera 387 hectares do mar com estruturas pré-fabricadas de contenção. O complexo foi projetado para concentrar operações de contêineres de Singapura e alcançar capacidade anual de 65 milhões de TEUs quando todas as etapas estiverem concluídas.
A segunda fase do Tuas Port transforma uma área antes ocupada pelo mar em terreno destinado à infraestrutura portuária. A Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA) informa que 227 caixões de concreto formam 9,1 quilômetros de estrutura de contenção nessa etapa do projeto.
As peças, com altura equivalente à de edifícios de dez andares, funcionam como grandes paredes marítimas. Instaladas sobre uma fundação preparada no fundo do mar, elas delimitam o espaço que recebe o material usado na recuperação de terreno.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
O sistema permite criar 387 hectares de nova área terrestre somente na segunda fase. A contenção mantém o material de preenchimento dentro do perímetro definido pelos caixões e forma a base para áreas operacionais, vias internas e instalações ligadas à movimentação de cargas.
O Tuas Port completo foi dividido em quatro fases e terá aproximadamente 1.337 hectares. A MPA compara essa superfície a cerca de 3.300 campos de futebol, considerando a área destinada às operações e à infraestrutura necessária para atender grandes navios porta-contêineres.
O planejamento prevê 66 berços distribuídos ao longo de 26 quilômetros de cais. A capacidade final projetada é de 65 milhões de TEUs por ano, unidade internacional equivalente a um contêiner de 20 pés e usada para medir a movimentação de terminais e navios.
Como os caixões permitem recuperar terreno do mar
Os caixões são produzidos antes de chegar ao ponto definitivo de instalação e transportados por via marítima até a obra. No local, cada estrutura é posicionada sobre uma base preparada para que o conjunto forme uma linha contínua de contenção.
Depois dessa etapa, o espaço atrás da barreira pode receber material de preenchimento até formar terreno acima do nível do mar. A parede de concreto separa a área recuperada da água e integra a estrutura necessária à expansão física do porto.
A pré-fabricação permite executar parte do trabalho em uma área controlada antes do transporte das peças para o mar. Na segunda fase, a construção também incorporou módulos pré-fabricados de barras de aço e sistemas automatizados empregados em etapas do tratamento do concreto.
O projeto prevê ainda o aproveitamento de materiais provenientes das atividades de dragagem e de solo excedente de outras obras. Esses materiais podem ser empregados no preenchimento das áreas recuperadas, reduzindo a quantidade de areia necessária para formar o novo terreno atrás das estruturas de contenção.
A primeira fase teve os trabalhos de recuperação de terras concluídos em 2021. A segunda, iniciada em 2018, concentra a maior área de recuperação entre as quatro etapas previstas e foi projetada para acrescentar aproximadamente 21 milhões de TEUs anuais de capacidade quando estiver plenamente operacional.
A execução em etapas permite combinar obras marítimas, preparação de terrenos e implantação das instalações portuárias sem exigir que todo o complexo fique pronto ao mesmo tempo. Áreas concluídas podem entrar em operação enquanto outras partes continuam em construção.
Automação muda a operação dentro do terminal
A expansão física é acompanhada pela implantação de equipamentos automatizados e sistemas digitais para a movimentação dos contêineres. O projeto inclui guindastes automatizados e veículos guiados automaticamente para transportar cargas entre navios, pátios de armazenamento e outras áreas do terminal.
Parte dessas operações pode ser acompanhada a distância por equipes que utilizam câmeras, sensores e sistemas digitais de controle. A automação permite que determinadas tarefas repetitivas sejam executadas pelos equipamentos enquanto operadores monitoram diferentes atividades a partir de centros de controle.
A tecnologia também aparece no próprio processo construtivo. Entre os recursos empregados estão sistemas de monitoramento da concretagem e soluções automatizadas de cura do concreto, adotadas para controlar etapas da fabricação das grandes estruturas utilizadas na expansão marítima.
O terminal já recebe navios enquanto as obras das demais fases continuam. A PSA Singapore, responsável pelas operações, informa que Tuas começou a movimentar contêineres em setembro de 2022 e posteriormente ultrapassou a marca acumulada de 25 milhões de TEUs.
A entrada gradual em serviço permite que novos berços, pátios e equipamentos sejam incorporados conforme cada parte da infraestrutura fica pronta. A capacidade disponível, portanto, aumenta por etapas durante a expansão, em vez de depender da conclusão simultânea das quatro fases.
A conclusão integral do Tuas Port permanece prevista para a década de 2040. Até lá, a operação continuará coexistindo com as obras, com novas áreas do complexo entrando em serviço à medida que forem concluídas e integradas à infraestrutura já em funcionamento.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

