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A água desperdiçada pelo seu ar-condicionado poderia resfriar seu prédio: empresa transforma a condensação em uma fachada refrescante sem usar energia
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 17/09/2026 às 16:51
Atualizado em 17/09/2026 às 16:52
Ciência e Tecnologia
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Projeto sul-coreano emprega painéis modulares, estrutura giroide e ventilação natural, mas ainda precisa passar por protótipos, testes térmicos e instalação-piloto.
O Urban Dew é um projeto de fachada modular que pretende reaproveitar a água condensada por aparelhos de ar-condicionado para reduzir o aquecimento das paredes externas. Desenvolvida na Coreia do Sul, a proposta utiliza evaporação e ventilação natural, mas ainda não foi instalada nem testada em um edifício real.
Apresentado ao James Dyson Award 2026, o sistema foi concebido para a recuperação de construções antigas. Em vez de permitir que o condensado seja descartado pelo dreno do ar-condicionado, a proposta prevê coletar, filtrar e distribuir essa água por módulos instalados sobre a parede original.
A evaporação da água absorveria parte do calor presente na superfície. Com a fachada mais fria, a expectativa do criador é reduzir a carga térmica sobre a parede existente e, consequentemente, limitar parte da transferência de calor para o interior da construção.
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Como funciona o Urban Dew
Segundo a descrição oficial do Urban Dew no James Dyson Award, o funcionamento foi dividido em cinco etapas: coleta do condensado, fornecimento do líquido, distribuição por um núcleo giroide, resfriamento evaporativo e ventilação natural.
Quando o ar-condicionado entra em funcionamento, a água formada pela condensação da umidade do ar é recolhida na linha de drenagem. Depois de passar por um filtro, o líquido segue por tubulações verticais posicionadas atrás da nova fachada.
Cada painel possui um núcleo com geometria giroide, formado por superfícies curvas e contínuas. A função dessa estrutura é espalhar a água em uma película fina, evitando que o líquido fique acumulado em um único ponto e ampliando seu contato com o ar externo.
Quando essa película evapora, ela absorve calor da superfície. O princípio é conhecido como resfriamento evaporativo e já é empregado em diferentes sistemas de climatização. No Urban Dew, a novidade proposta está na integração do processo a uma fachada modular abastecida pelo condensado do próprio edifício.
Atrás dos painéis, o projeto prevê uma cavidade de ar com 90 milímetros. Esse espaço permitiria que o ar aquecido e úmido subisse naturalmente, favorecendo a circulação sem ventiladores instalados diretamente na fachada.
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Fabio Lucas Carvalho
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Painéis seriam instalados sobre prédios existentes
A proposta não exige a demolição da parede original. Os módulos seriam fixados sobre uma estrutura secundária, criando uma espécie de segunda pele para edifícios envelhecidos.
A página do projeto apresenta painéis verticais de 900 milímetros de altura, 735 milímetros de largura e 50 milímetros de profundidade. Entre os módulos seriam mantidas juntas abertas de 10 milímetros para ventilação, drenagem, dilatação e tolerâncias de montagem.
Entretanto, outra parte da mesma documentação menciona um módulo de 600 por 500 por 10 milímetros. A diferença não é esclarecida e pode estar relacionada a versões distintas do desenho. Como a tecnologia ainda está em desenvolvimento, as medidas não devem ser interpretadas como especificações finais de um produto comercial.
O sistema também prevê engates de desconexão rápida. Eles permitiriam retirar um painel para limpeza ou substituição, interrompendo o fluxo de água somente naquele ponto, sem desmontar toda a fachada.
Desempenho térmico ainda será medido
O Urban Dew ainda não possui resultados que indiquem quantos graus a superfície pode resfriar ou quanta eletricidade seria economizada. Também não há um edifício operando com o sistema completo.
Os próximos passos apresentados pelo criador incluem a fabricação de um modelo em escala e de um protótipo de painel. A intenção é comparar o sistema com uma fachada convencional utilizando câmeras térmicas e sensores.
Também estão previstos testes de estabilidade no fornecimento de água, filtragem, drenagem, prevenção de entupimentos, resistência aos raios ultravioleta, deformação em condições úmidas e durabilidade dos engates. Somente depois dessas etapas deverá ocorrer uma instalação-piloto em um prédio antigo.
A eficiência também poderá variar conforme o clima. Material técnico do Departamento de Energia dos Estados Unidos mostra que o desempenho do resfriamento evaporativo depende das condições de temperatura e umidade do ar. Quanto mais úmido estiver o ambiente, menor tende a ser a capacidade de evaporação.
Água exige filtragem e manutenção
Embora seja uma possível fonte para usos não potáveis, o condensado pode entrar em contato com poeira, bandejas, tubulações e microrganismos. Por isso, não deve ser tratado automaticamente como água potável ou completamente livre de contaminantes.
Uma pesquisa disponibilizada pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos avaliou a qualidade microbiológica de condensados de sistemas de climatização para possíveis aplicações de reúso.
No Urban Dew, a filtragem faz parte do conceito, mas sua eficiência ainda será avaliada. Limpeza dos módulos, formação de biofilme e obstrução dos canais estão entre os desafios técnicos que precisarão ser enfrentados antes de uma aplicação permanente.
Assim, o projeto apresenta uma possibilidade de reaproveitamento de água e redução da carga térmica das fachadas. Seu desempenho efetivo, entretanto, dependerá dos resultados obtidos nos protótipos, nos testes de durabilidade e na futura instalação-piloto.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

