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A Âmbar vai aplicar R$ 5,5 bilhões até 2031 na rede elétrica do Amazonas, com 12 subestações novas até 2028, para atacar os 44% da energia que entram no sistema e não chegam a ser faturados
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 05/09/2026 às 12:33
Atualizado em 05/09/2026 às 12:35
Geração de Energia
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A Âmbar apresentou um plano de R$ 5,5 bilhões para reconstruir a rede elétrica do Amazonas até 2031, com doze subestações novas já até 2028 e troca de cabos antigos, num sistema em que 44% da energia que entra hoje simplesmente não chega a ser faturada.
O pacote foi apresentado em 3 de setembro pela empresa, que assumiu a distribuição no estado em abril deste ano. O diretor-presidente da companhia é João Pilla.
Do total, R$ 3,9 bilhões saem do capital próprio da Âmbar. O restante vem de repasses federais ligados ao programa Luz para Todos e à interligação de municípios ao sistema elétrico, conforme a Agência iNFRA.
O número que explica o tamanho do problema
Existe um indicador que resume a situação melhor do que qualquer discurso: 44% da energia não é faturada.
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Paulo Nogueira
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Quase metade do que entra no sistema, portanto, não vira receita. Uma parte disso é perda técnica, aquela que a física impõe: cabo velho esquenta, transformador antigo desperdiça, rede mal dimensionada dissipa energia no caminho.
A outra parte é perda comercial, o nome técnico para ligação clandestina e medição que não registra o que deveria. Nas duas situações, quem paga a conta em dia acaba sustentando o que se perde.
É por isso que a modernização de rede numa concessão assim não é obra estética. Cada ponto percentual recuperado nessa conta vira receita direta, e é essa receita que devolve o investimento ao longo do contrato.
O que o plano prevê construir
O item mais visível são as subestações. Segundo a companhia, serão doze até 2028, número que pode chegar a quinze ao longo de cinco anos, somadas construção e revitalização das existentes.
Subestação é o ponto onde a energia muda de tensão para poder ser distribuída. Sem elas na quantidade certa, o alimentador fica sobrecarregado, a tensão cai nas pontas e o bairro inteiro convive com oscilação e queda.
O segundo item é a substituição gradual dos cabos antigos por cabos concêntricos revestidos. Esse tipo de cabo é bem mais difícil de derivar clandestinamente, e é a resposta técnica direta ao problema da perda comercial.
Há ainda expansão de rede, adoção de novas tecnologias e a retomada do Luz para Todos. Dois municípios aparecem como prioritários para rede nova: Iranduba e Manacapuru, ambos na região metropolitana de Manaus.
Por que o Amazonas é um caso à parte
Distribuir energia no Amazonas não se parece com distribuir energia em qualquer outro estado. A geografia impõe uma conta diferente.
Boa parte do território não é atendida por linha de transmissão do sistema interligado nacional. Muitas localidades dependem de geração térmica local, com combustível transportado por rio, o que encarece cada quilowatt entregue.
Além disso, a rede atravessa igarapé, área de várzea e trecho onde a manutenção chega de barco. Uma equipe que em outro estado resolve uma ocorrência em uma hora pode levar um dia inteiro para chegar ao poste.
É nesse contexto que a interligação de municípios ao sistema aparece no plano com dinheiro federal. Ligar uma cidade à rede principal substitui diesel caro por energia mais barata, e o ganho aparece na tarifa e na conta pública dos subsídios.
Confesso que o item que mais chama atenção não é a cifra bilionária, e sim o prazo das subestações. Doze unidades em pouco mais de dois anos, numa região onde levar equipamento pesado depende de balsa e de nível de rio, é um cronograma agressivo.
Vale acompanhar também o que a concessionária vai reportar sobre a curva de perdas. Anunciar investimento é fácil; mostrar o percentual de energia não faturada caindo ano a ano é o que prova que o dinheiro virou rede.
Para quem mora em Manaus e convive com oscilação, o teste prático não será o comunicado. Será se a luz para de piscar quando o calor aperta e todo mundo liga o ar-condicionado ao mesmo tempo.
Há um ponto contratual que ajuda a entender o tamanho do compromisso. Concessão de distribuição vem com metas de qualidade fiscalizadas pela ANEEL, medidas por indicadores que registram quantas vezes e por quanto tempo o cliente fica sem energia.
Descumprir esses índices gera compensação financeira ao consumidor e sanção regulatória. Portanto, o plano bilionário não é generosidade: é o caminho para cumprir obrigação assumida ao assinar o contrato.
Vale lembrar como o Amazonas chegou a esse ponto. A distribuição no estado passou por sucessivas trocas de controle nos últimos anos, e cada transição adiou investimento estrutural enquanto a demanda seguia crescendo.
O resultado é o que se vê hoje: rede envelhecida em uma capital que ultrapassou dois milhões de habitantes e que tem no Polo Industrial de Manaus um consumidor de porte, sensível a qualquer oscilação de tensão.
Indústria não convive bem com piscada de energia. Uma queda de fração de segundo derruba linha de montagem, perde lote de produção e obriga religamento demorado de equipamento.
Por isso o plano interessa a quem talvez nunca ouça falar dele. Estabilidade de rede em Manaus é condição para que o parque industrial local continue competitivo diante de fábricas instaladas no Sudeste.
Além disso, convém separar o que depende da concessionária do que depende de política pública. A troca de cabo e a construção de subestação estão sob controle da empresa; já a interligação de municípios distantes envolve recurso federal e licenciamento ambiental em área sensível.
Portanto, parte do plano avança conforme o caixa da companhia, enquanto outra parte depende de repasse e de autorização. São dois relógios diferentes tocando ao mesmo tempo.
Durante os próximos anos, contudo, o indicador que realmente mede o sucesso é um só: o percentual de energia não faturada. Se ele cair de forma consistente, o investimento se pagou; se continuar perto de 44%, o dinheiro terá comprado equipamento sem resolver o problema de fundo.
Você mora no Amazonas? A energia melhorou desde a troca de concessionária em abril ou continua igual?
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Fonte
Agência iNFRA
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

