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A caixa de banco perdeu o direito à pausa de dez minutos a cada noventa depois que uma linha do acordo coletivo mudou e passou a exigir digitação permanente

A caixa de banco perdeu o direito à pausa de dez minutos a cada noventa depois que uma linha do acordo coletivo mudou e passou a exigir digitação permanente

SP

3 min de leitura

A caixa de banco perdeu o direito à pausa de dez minutos a cada noventa depois que uma linha do acordo coletivo mudou e passou a exigir digitação permanente

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 03/09/2026 às 13:23

Atualizado em 03/09/2026 às 13:30

Economia

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Uma caixa de banco tinha direito à pausa de descanso criada para digitadores, ganhou a ação em primeira instância e agora viu esse direito ser cortado a partir de setembro de 2022, porque uma única linha do acordo coletivo da categoria mudou nesse intervalo.

A decisão é da Segunda Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, sediado em Campinas, e foi divulgada nesta quarta-feira. O colegiado deu provimento parcial ao recurso do banco para limitar a condenação ao período anterior à mudança da norma.

O corte ficou em 1º de setembro de 2022. Conforme a decisão, a partir dessa data o benefício passou a ser devido apenas a bancários que exercem atividade de digitação de forma permanente, o que não era o caso da profissional.

O que é o intervalo de digitador

Vale explicar de onde vem essa pausa, porque ela não é invenção de acordo coletivo. A norma que a criou parte de um problema de saúde ocupacional bem documentado: digitação contínua, em ritmo alto e postura fixa, provoca lesão por esforço repetitivo. A resposta encontrada foi obrigar uma interrupção periódica, tipicamente de dez minutos a cada noventa trabalhados, sem desconto da jornada.

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O caixa bancário entrou nessa discussão porque passa boa parte do expediente digitando, ainda que também atenda cliente, confira documento e manuseie dinheiro. Ou seja, a atividade dele é mista, e é justamente essa mistura que gera a disputa: se a digitação é parte relevante do trabalho, ela justifica a pausa, ou só justifica quando é a atividade única?

Segundo a decisão, a conclusão da Câmara é coerente com a tese fixada pelo Tribunal Superior do Trabalho no Tema 51 de recursos repetitivos. Por esse entendimento, o caixa bancário tem direito ao intervalo previsto para digitadores, exceto quando a norma coletiva ou interna exigir que a digitação seja exercida de forma permanente ou exclusiva.

Quando uma cláusula muda, o direito muda junto

Aqui está o ponto que interessa a qualquer trabalhador com convenção coletiva, e não só a bancário. Direito criado por acordo coletivo existe enquanto o acordo existir naquela redação. Se a cláusula é alterada na negociação seguinte, o direito acompanha a alteração daí em diante.

Foi exatamente isso que aconteceu no caso. A trabalhadora não perdeu o que já tinha adquirido antes da mudança, e por isso a condenação foi mantida para o período anterior. Perdeu o direito daí para a frente. Dessa forma, a decisão dividiu o contrato em dois trechos, com regras diferentes em cada um.

Isso costuma pegar de surpresa. A gente tende a pensar em direito trabalhista como algo estável, escrito de uma vez e válido para sempre. Boa parte dele, no entanto, é renegociada a cada campanha salarial, e uma frase acrescentada ao texto pode restringir um benefício que valia para milhares de pessoas.

Por que vale acompanhar a letra miúda da negociação

A campanha salarial dos bancários é uma das mais organizadas do país, com sindicato forte e negociação nacional. Ainda assim, mudanças de redação como essa passam quase despercebidas fora do círculo que negocia, e só aparecem para o trabalhador comum quando viram decisão judicial anos depois.

Portanto, a lição prática é menos jurídica e mais cotidiana: ler o acordo da própria categoria, especialmente as cláusulas que mudaram em relação ao ano anterior, é o que permite saber o que se ganhou e o que se perdeu. Poucos fazem isso, e é compreensível, porque o texto é longo e técnico.

Olhando assim, o caso não é sobre dez minutos de pausa. É sobre a distância entre o que se negocia na mesa e o que o trabalhador entende que tem. Queria saber o que você acha de um direito que muda de valor conforme a data no calendário.

Você sabe quais cláusulas mudaram no acordo coletivo da sua categoria neste ano?

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Fontes

TRT-15

TST


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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