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A PRIO produziu 186,1 mil barris de óleo equivalente por dia em agosto, queda de 5,2% em um mês, com Albacora Leste parada para manutenção do sistema de resfriamento e falha de bomba no poço C-16 de Peregrino
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 05/09/2026 às 17:31
Atualizado em 05/09/2026 às 17:35
Petróleo e Gás
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A PRIO produziu 186,1 mil barris de óleo equivalente por dia em agosto, queda de 5,2% em um único mês, resultado de paradas simultâneas em Albacora Leste, no cluster Bravo e no campo de Peregrino, enquanto as vendas subiram 15,2% no mesmo período.
O relatório mensal foi divulgado em 3 de setembro. Em julho a companhia havia produzido 196,2 mil barris de óleo equivalente por dia, patamar do qual recuou.
Conforme o InfoMoney, a própria empresa atribuiu o desempenho a paradas e manutenções, e não a declínio de reservatório. A distinção é toda.
Três ativos parados no mesmo mês
A queda mais funda veio de Albacora Leste, que recuou cerca de 21% na comparação mensal. O motivo foi uma parada programada parcial da planta para manutenção do sistema de resfriamento.
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Paulo Nogueira
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Parada programada é justamente o oposto de um problema. Ela entra no calendário com antecedência, permite trocar equipamento e evitar falha maior adiante, e o operador aceita perder produção agora para não perder muito mais depois.
No cluster Bravo, que reúne Polvo e Tubarão Martelo, a retração foi de cerca de 6%. Ali o fator foi a continuidade da interrupção temporária do poço OGX-44HP, parado por necessidade de reparo na linha de produção.
Já em Peregrino, ativo em que a companhia detém 80% de participação, a redução ficou em torno de 5%. A causa foi a parada do poço C-16 por falha no bombeio centrífugo submerso, equipamento que foi reparado ainda no fim do mês.
Bombeio centrífugo submerso é uma bomba instalada dentro do poço, no fundo do mar, para empurrar o óleo até a superfície quando a pressão natural do reservatório já não dá conta. Quando ela falha, o poço para até a intervenção.
O poço novo que entrou no meio da queda
No mesmo mês em que três ativos tiveram problema, um poço começou a produzir. O A-13 entrou em operação em 10 de agosto, com vazão inicial de 6 mil barris por dia.
Seis mil barris não compensam a perda somada das três paradas, mas o dado importa por outro motivo: mostra que a companhia seguiu conectando poço novo enquanto administrava manutenção nos existentes.
Esse é o ritmo de quem opera campo maduro. A estratégia da empresa se apoia em comprar ativo que outra operadora considerou no fim da vida útil e devolver produção a ele com perfuração e intervenção.
Nesse modelo, cada poço adicional é uma peça pequena que precisa entrar continuamente para segurar a curva. Quando várias unidades param ao mesmo tempo, o mês fecha em baixa mesmo com poço novo somando.
Por que as vendas subiram enquanto a produção caía
O detalhe que parece contraditório tem explicação simples. As vendas cresceram 15,2% no mês em que a produção recuou 5,2%.
Produção e venda não andam juntas no dia a dia de uma operadora offshore. O óleo é produzido continuamente e armazenado na própria unidade flutuante, mas só é vendido quando um navio atraca e carrega o lote inteiro.
Portanto, um mês com dois carregamentos aparece como venda alta, e o mês seguinte, com um só, aparece como queda, independentemente do que aconteceu nos poços. Por isso o número de produção é o indicador operacional que realmente diz como a empresa está tocando os campos.
Vale acompanhar setembro exatamente por isso. Com Albacora Leste voltando da manutenção, o C-16 já reparado e o A-13 rodando o mês inteiro, o próximo relatório é o que vai mostrar se agosto foi solavanco pontual ou início de um patamar mais baixo.
Olhando assim, o resultado tem menos drama do que a manchete sugere. Queda de 5,2% causada por manutenção programada e por dois reparos concluídos é ruído de curto prazo, e não sinal de esgotamento.
O que merece atenção é a concentração. Três ativos parando no mesmo mês, ainda que por razões diferentes, mostra o quanto uma carteira enxuta sente qualquer indisponibilidade.
Vale entender o modelo de negócio que sustenta a companhia, porque ele explica a volatilidade mensal. A empresa comprou ativos que a operadora anterior classificou como não estratégicos e apostou em extrair mais deles com custo menor.
Isso funciona porque uma estrutura enxuta consegue justificar intervenção que uma companhia grande considera pequena demais. Reabrir um poço, trocar uma bomba ou perfurar um ramal adicional tem retorno diferente conforme o tamanho de quem faz a conta.
Em compensação, carteira concentrada amplifica qualquer indisponibilidade. Quem opera três ou quatro ativos sente na média mensal o que uma operadora com dezenas de campos diluiria sem aparecer no relatório.
Foi exatamente o que aconteceu em agosto.
Há ainda o peso de Peregrino no conjunto. Com participação de 80% e volume de dezenas de milhares de barris diários, ele responde por fatia expressiva da produção total, e uma parada ali move o indicador consolidado sozinha.
Por isso o mercado costuma olhar menos o percentual do mês e mais a sequência de meses. Manutenção programada aparece e some; declínio de reservatório não some, e é essa diferença que o próximo relatório ajuda a esclarecer.
Além disso, vale acompanhar o efeito do calendário de manutenção sobre o ano fechado. Conforme a empresa concentra paradas programadas em determinados meses, a produção anual tende a ficar mais estável do que sugere qualquer leitura mensal isolada.
Portanto, comparar agosto com julho diz pouco. Em seguida, a comparação relevante passa a ser com o mesmo mês do ano anterior e com a média móvel dos últimos trimestres.
No entanto, há um dado que merece atenção independentemente disso: a entrada de poços novos. Dessa forma se mede se a estratégia de revitalização segue funcionando, e o A-13, com 6 mil barris diários iniciais, é a peça mais recente dessa conta.
Campo maduro revitalizado por empresa menor é o futuro do petróleo brasileiro ou uma aposta de prazo curto?
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Fontes
InfoMoney
Petronotícias
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

