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Acordo EUA China mira tarifa menor para US$ 30 bilhões em brinquedos, madeira e frutos do mar, e China vai importar 10 milhões de toneladas de carvão

Acordo EUA China mira tarifa menor para US$ 30 bilhões em brinquedos, madeira e frutos do mar, e China vai importar 10 milhões de toneladas de carvão

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Acordo EUA China mira tarifa menor para US$ 30 bilhões em brinquedos, madeira e frutos do mar, e China vai importar 10 milhões de toneladas de carvão

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 28/09/2026 às 08:03

Atualizado em 28/09/2026 às 08:04

Economia

Canal

Xi Jinping e Donald Trump na chegada da visita de Estado, em 23 de setembro. Foto: Foto oficial da Casa Branca/Daniel Torok

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O acordo EUA China saiu em documentos da Casa Branca e da chancelaria chinesa com os oito pontos da visita de Xi Jinping a Washington; veja o que entra na lista, quanto isso dá em reais e por que a tarifa menor ainda não tem data para valer.

O acordo EUA China fechado na visita de Xi Jinping a Washington mira tarifa menor para US$ 30 bilhões em produtos de cada lado, mas ainda não tem data para valer.

O consenso aparece em dois documentos oficiais: o fact sheet da Casa Branca, datado de 25 de setembro de 2026, e a nota do Ministério das Relações Exteriores da China, de 26 de setembro.

Os dois textos contam a mesma história com palavras diferentes. Segundo a Casa Branca, são “recomendações” de tarifa mais favorável. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, é um “arranjo” de redução recíproca de tarifas.

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Nenhum dos dois documentos traz a lista completa, as novas alíquotas ou o dia em que a mudança começa. Por isso, o acordo EUA China ainda não tem data para valer.

O que EUA e China acertaram em Washington

Xi Jinping fez uma visita de Estado aos Estados Unidos de 23 a 25 de setembro, pelo horário local, segundo o Ministério das Relações Exteriores da China. Foi recebido por Donald Trump e pela primeira-dama Melania Trump, ao lado da esposa, Peng Liyuan.

Cerimônia de chegada de Xi Jinping à Casa Branca, em 24 de setembro. Foto: Foto oficial da Casa Branca/Andrea Hanks

A nota de Pequim diz que os dois chefes de Estado chegaram a “oito resultados e entendimentos”. O fact sheet americano organiza o mesmo encontro em outros blocos, com temas como comércio, investimento, drogas e segurança.

A parte comercial é a que mexe com dinheiro de verdade. Ela inclui a tarifa menor para os US$ 30 bilhões, a compra de carvão americano pela China e a entrada em funcionamento de dois conselhos bilaterais criados meses antes.

Por que o acordo EUA China ainda não tem data para valer

O ponto mais importante para quem acompanha preços e comércio é este: nada mudou na alfândega até agora. O fact sheet diz que os dois países chegaram a “consenso sobre recomendações” de tratamento tarifário mais favorável.

Recomendação não é tarifa em vigor, e o acordo EUA China segue sem data de início nos dois documentos. A nota chinesa registra que os dois presidentes “deram instruções” para que os resultados sejam implementados.

Na prática, o leitor deve tratar os US$ 30 bilhões como um compromisso político ainda sem calendário. Quem importa ou exporta algum dos produtos citados continua pagando a tarifa atual até que os governos publiquem a mudança.

Quanto são US$ 30 bilhões em reais

A conta em reais ajuda a dar a escala. Pela PTAX de venda do Banco Central de 25 de setembro de 2026, o dólar fechou em R$ 5,1991. Multiplicando, US$ 30 bilhões dão cerca de R$ 156 bilhões.

O fact sheet fala em US$ 30 bilhões “em cada direção”. Ou seja, a lista americana e a lista chinesa têm, cada uma, esse tamanho.

Somadas, as duas chegam a US$ 60 bilhões em produtos, o que dá perto de R$ 312 bilhões pela mesma cotação.

Esse valor é o volume de mercadorias que entra na lista, e não o desconto em si. O tamanho do corte em cada item fica para a etapa de implementação.

O que os EUA vão vender com tarifa menor

A lista dos produtos que os americanos exportam para a China começa pela comida. O fact sheet registra produtos agrícolas, peixes e frutos do mar, além de toras e produtos de madeira.

O que está na lista de US$ 30 bilhões. Foto: Arte CPG com dados da Casa Branca e do Banco Central

Fecham a lista americana os cosméticos e os aparelhos médicos. O documento chama tudo isso de bens “não sensíveis”, uma forma de deixar de fora os produtos ligados à segurança nacional.

O setor agrícola ganhou ainda um grupo de trabalho próprio. Segundo a Casa Branca, o Board of Trade abriu uma frente para tratar de barreiras de acesso ao mercado agrícola, fora da lista de tarifas.

O que a China vai vender com tarifa menor

Do outro lado da balança estão produtos que o americano compra no dia a dia. O fact sheet registra pequenos eletrodomésticos, brinquedos e enfeites de fim de ano, todos classificados como bens de consumo.

O item mais específico da lista é a cadeirinha infantil para carro. O documento da Casa Branca registra o item com esse nome, ao lado dos brinquedos e dos enfeites, entre as importações americanas que podem ter tarifa mais favorável.

A lista publicada pela Casa Branca usa a expressão “incluem”, o que indica exemplos, e não o rol completo. Por isso, outros produtos podem estar no pacote sem aparecer no fact sheet.

Board of Trade, o conselho que nasceu em Pequim

A tarifa menor saiu de um órgão novo. O Board of Trade foi criado na cúpula de Pequim, em maio de 2026, e ganhou funcionamento nesta visita, segundo o fact sheet de 25 de setembro.

O documento americano de maio, de 17 de maio de 2026, explica para que ele serve: permitir que os dois governos administrem o comércio bilateral de bens não sensíveis. É um canal direto entre governos, sem passar por um tratado.

A nota chinesa confirma o papel do mecanismo. Ela diz que os presidentes endossaram o resultado das consultas entre as equipes econômicas, incluindo “estabelecer e levar adiante o Board of Trade” e o arranjo dos US$ 30 bilhões.

Foi na cúpula entre Trump e Xi Jinping em Pequim, em maio, que os dois lados criaram o conselho que agora entrega o acordo EUA China.

O conselho de investimento também saiu do papel

Junto com o comércio, os dois países ativaram o Board of Investment. A Casa Branca informa que ele vai discutir oportunidades de investimento e os entraves que travam negócios entre os dois lados.

O órgão também vai oferecer um canal estruturado para tratar de problemas de investimento com peso comercial, informa a Casa Branca.

10 milhões de toneladas de carvão americano por ano

O compromisso mais concreto do pacote é energético. Segundo a Casa Branca, a China vai importar pelo menos 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos Estados Unidos em 2027, e de novo em 2028.

Somando os dois anos, a compra mínima chega a 20 milhões de toneladas. A conta é simples: 10 milhões em 2027 mais 10 milhões em 2028. O documento fala em piso, então o volume pode ser maior.

Esse ponto aparece só no fact sheet americano. A nota chinesa registra o comércio de forma mais ampla, dentro do item que fala do Board of Trade.

Trump pediu mais combustível refinado a Xi

Outro trecho do documento americano toca direto no mercado de petróleo. Segundo o fact sheet, Trump pediu a Xi que aumente a produção de derivados refinados de petróleo para estabilizar a oferta global.

O verbo usado no texto é “urged”, que em português fica perto de “instou” ou “pediu com ênfase”. É um pedido registrado pelo lado americano, e não um compromisso assumido pela China.

O pedido, registrado só no documento americano, fica fora dos oito pontos da lista chinesa. É a posição de Washington, sem número de barris e sem prazo.

Terras raras seguem na mesa

As terras raras continuam como assunto aberto. A Casa Branca informa que os dois países seguem trabalhando nas preocupações americanas sobre falta desses minerais e de outros minerais críticos nas cadeias de suprimento.

O objetivo, pelo texto, é fazer os embarques voltarem a “níveis apropriados”, ainda sem volume ou data definidos.

O fact sheet de maio já registrava quatro desses minerais pelo nome: ítrio, escândio, neodímio e índio. Naquele documento, a China se comprometia a tratar das preocupações americanas com a oferta.

Os oito pontos do acordo EUA China, na lista chinesa

A chancelaria chinesa numerou os resultados. O primeiro é construir “uma relação construtiva de estabilidade estratégica“, com base em respeito, justiça e reciprocidade. A Casa Branca usa quase as mesmas palavras.

Xi Jinping e Donald Trump na Casa Branca, em 24 de setembro. Foto: Foto oficial da Casa Branca/Andrea Hanks

O segundo é o apoio mútuo para sediar a APEC e o G20, com a intenção dos dois presidentes de ir ao encontro do outro. O terceiro trata do Irã e das vias navegáveis, e o quarto lembra a aliança da Segunda Guerra.

O quinto é o comércio, com o Board of Trade e os US$ 30 bilhões. O sexto é o combate às drogas, o sétimo cria um diálogo sobre tecnologia, o AI Dialogue, e o oitavo registra a chegada de dois pandas-gigantes a Atlanta.

Superinteligência ou AI: o nome muda conforme o lado

O ponto sobre tecnologia tem uma diferença curiosa de vocabulário. Segundo a Casa Branca, os dois líderes concordaram em usar o termo “super intelligence” (superinteligência) no lugar de “artificial intelligence” para descrever essas tecnologias.

Os oito pontos, na ordem da chancelaria chinesa. Foto: Arte CPG com dados do Ministério das Relações Exteriores da China

Por isso, o lado americano chama o novo canal de U.S.-China Super Intelligence (SI) Dialogue. Já a nota chinesa, publicada um dia depois, chama o mesmo fórum de China-U.S. AI Dialogue, com a sigla em inglês AI.

Segundo a Casa Branca e a nota chinesa, o objetivo é igual: trocar visões sobre riscos e benefícios da tecnologia. Os dois governos também vão criar um canal bilateral para incidentes, e a próxima rodada está marcada para novembro de 2026.

Fentanil, precursores e prisões

O combate às drogas ocupa um bloco inteiro do documento americano. A Casa Branca elogia a China por colocar sob controle uma classe de drogas que o texto chama de “orphines”.

O fact sheet também registra novos controles de exportação chineses sobre dois produtos químicos precursores do fentanil.

E informa que, em agosto de 2026, a China prendeu 21 cidadãos chineses por fabricar e distribuir esses insumos, com base em informações da polícia americana.

Pequim descreve a cooperação de outro jeito. Ela fala em casos desmontados em conjunto, envolvendo novas substâncias psicoativas e precursores, e em “dezenas” de suspeitos presos nos dois países.

Irã e vias marítimas: frases parecidas, tom diferente

O terceiro ponto tem redação distinta em cada capital. A Casa Branca escreve que os líderes concordaram que o Irã “nunca pode ter uma arma nuclear”.

A nota chinesa diz que o Irã “deve honrar seu compromisso” de não desenvolver armas nucleares. É a mesma direção, com uma formulação que coloca o peso no compromisso já assumido pelo país.

Nos dois documentos, a segunda metade da frase é praticamente igual: nenhum país ou instituição pode cobrar pedágio em vias navegáveis internacionais.

APEC, G20, Segunda Guerra e o canal militar

Os dois governos prometem apoio mútuo como anfitriões da APEC e do G20. A Casa Branca registra que os dois presidentes pretendem ir à cúpula um do outro.

Os textos também lembram que China e Estados Unidos foram aliados na Segunda Guerra Mundial e lutaram lado a lado para vencer. A frase aparece quase idêntica em Washington e em Pequim.

Há ainda itens que só um lado publicou. A Casa Branca informa que Trump defendeu negociações de controle de armas entre Estados Unidos, Rússia e China.

Já o documento chinês informa que os militares dos dois países vão fechar “o quanto antes” um memorando sobre comunicação e prevenção de crises.

O mesmo trecho prevê seguir a cooperação na busca por restos mortais de militares americanos desaparecidos na China.

Dois pandas-gigantes para Atlanta

O oitavo ponto é o mais leve do pacote. O fact sheet registra que os Estados Unidos saudaram a chegada de dois pandas-gigantes emprestados pela China ao zoológico de Atlanta.

Jantar de Estado oferecido a Xi Jinping, em 24 de setembro. Foto: Foto oficial da Casa Branca/Emily J. Higgins

O item está nos dois documentos, com a mesma frase. A diferença é só o nome do zoológico: a Casa Branca escreve Atlanta Zoo, e a chancelaria chinesa usa Zoo Atlanta.

A trégua de Kuala Lumpur foi estendida, sem nova data no papel

Há um detalhe que só aparece na nota chinesa. O item cinco cita a “extensão dos resultados das consultas econômicas e comerciais em Kuala Lumpur”, sem dizer até quando.

Essa trégua vem do acordo fechado na Coreia do Sul. O fact sheet da Casa Branca de 1º de novembro de 2025 registrava que os Estados Unidos manteriam suspensas as tarifas recíprocas mais altas até 10 de novembro de 2026, com a taxa recíproca de 10% em vigor.

Com a extensão registrada por Pequim, 10 de novembro deixa de ser o limite. Nenhum dos dois documentos oficiais de setembro, porém, publica a nova data.

As próximas datas já marcadas

Com o que foi publicado, o calendário tem poucos marcos fixos. O primeiro é a nova rodada do diálogo sobre tecnologia, que os dois documentos registram para novembro de 2026.

Depois vem o carvão, com compras mínimas de 10 milhões de toneladas em 2027 e em 2028. E há as cúpulas da APEC e do G20, onde Xi Jinping e Trump pretendem se encontrar de novo.

Já a tarifa menor dos US$ 30 bilhões segue como recomendação aprovada pelos dois líderes. Até que os governos publiquem a lista completa, as alíquotas e a data, o acordo EUA China não muda o preço de nenhum produto na alfândega.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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