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Acreana com câncer raro faz vaquinha para custear tratamento em São Paulo

Acreana com câncer raro faz vaquinha para custear tratamento em São Paulo

A fonoaudióloga Kamyla Hall, de 36 anos, moradora do bairro São Francisco, em Rio Branco, pede ajuda para custear o tratamento contra um câncer raro em São Paulo. Em entrevista ao ac24horas nesta quinta-feira (24), ela contou que está afastada do trabalho pelo INSS, sem receber, e que a família depende de uma vaquinha entre amigos para manter as despesas fora do Acre.

Nascida em Rio Branco, Kamyla foi criada pela avó e pelos tios em uma casa de madeira no bairro Bosque. A formatura em Fonoaudiologia, segundo ela, foi uma das maiores conquistas da vida. “Foi muito esforço. Era um sonho”, afirmou.

Os primeiros sintomas surgiram em 2024, após uma viagem de férias a Cusco, no Peru, logo depois da formatura. De volta a Rio Branco, ela trabalhava pela manhã e à tarde em duas clínicas particulares e, nos fins de semana, atendia em ações itinerantes em comunidades. Nesse período, passou a sentir fortes dores no estômago e diarreia intensa. “Eu ia ao banheiro 20, 30 vezes por dia, até quando bebia água”, relatou.

Com a perda acelerada de peso, Kamyla procurou vários médicos na capital, mas todos os exames apresentavam resultados normais. O quadro se agravou com vômitos, fraqueza e queda de pressão, e ela precisou ser internada na Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre). A médica responsável pelo caso buscou orientação com uma especialista de São Paulo, que indicou uma ressonância mais detalhada. O exame revelou um nódulo, e a biópsia confirmou o câncer por volta de novembro de 2024.

“Eu fiquei um pouco assustada, mas acreditava muito que aquilo ia passar”, disse.

A médica conseguiu uma consulta em São Paulo com prazo de duas semanas para a viagem. Segundo Kamyla, a família já havia gasto quase toda a poupança, já que os medicamentos chegaram a custar R$ 1 mil. Os tios pagaram as passagens, e o restante do dinheiro guardado serviu para alugar um apartamento na capital paulista.

Ela conseguiu atendimento no Hospital das Clínicas. “É quase impossível conseguir um lugar no HC, com milhares de pessoas de todo o Brasil atrás de tratamento”, afirmou. Após uma semana de internação, a equipe apontou a possibilidade de retirada da cauda do pâncreas e de um transplante de fígado, com chance de cura.

Em uma nova etapa, a equipe multidisciplinar, formada por oncologista e neuroendocrinologista, descartou a cirurgia. Os exames mostraram que o tumor principal está no pâncreas, com lesões pequenas espalhadas pelo fígado. A investigação apontou um tipo raro de tumor, sem cura.

A alternativa passou a ser a embolização, procedimento que bloqueia os vasos que alimentam o tumor e interrompe o crescimento da lesão. O tratamento exige viagens frequentes a São Paulo. Após a primeira fase, Kamyla voltou a Rio Branco e retomou o trabalho, mas em janeiro deste ano os vômitos, a diarreia e a perda de peso voltaram.

Ela retornou a São Paulo, fez uma nova embolização e precisou se afastar novamente do trabalho. Hoje, está hospedada na casa da irmã, em Taubaté, no interior paulista, sem data para voltar ao Acre. A previsão é de permanência até janeiro. Novas sessões podem ser necessárias, mas há risco, porque os tumores são muito pequenos e o procedimento pode atingir outras veias.

“Eu fiz a primeira. Eu estou bem. Eu estou viva, graças a Deus”, declarou.

Doações podem ser feitas pelo Pix 93706235234, em nome de Kamyla Hall. O valor arrecadado será destinado ao tratamento de saúde em São Paulo e às despesas com viagem e estadia.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

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