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Adeus rachaduras na parede: tecnologia que já começa a ser usada por construtoras reage à umidade, depende de 3 fatores decisivos e pode reduzir infiltrações, manutenção e desgaste ao longo do tempo

Adeus rachaduras na parede: tecnologia que já começa a ser usada por construtoras reage à umidade, depende de 3 fatores decisivos e pode reduzir infiltrações, manutenção e desgaste ao longo do tempo

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Adeus rachaduras na parede: tecnologia que já começa a ser usada por construtoras reage à umidade, depende de 3 fatores decisivos e pode reduzir infiltrações, manutenção e desgaste ao longo do tempo

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 14/09/2026 às 21:20

Atualizado em 14/09/2026 às 21:21

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Bactérias incorporadas a determinadas formulações podem permanecer inativas até que a água alcance uma fissura e desencadeie reações que ajudam a formar material mineral no interior da abertura. A eficiência varia conforme a fissura, a umidade disponível e as características do concreto.

Uma tecnologia de autocura do concreto usa microrganismos capazes de permanecer inativos dentro do material e voltar à atividade quando uma fissura permite a entrada de água. Em condições adequadas, essa reação favorece a formação de carbonato de cálcio, mineral que ajuda a preencher a abertura e a reduzir a passagem de líquidos.

O sistema, conhecido como concreto bacteriano ou autocicatrizante, não faz qualquer parede rachada se recompor sozinha. A solução precisa integrar a formulação do concreto ou ser aplicada por produtos desenvolvidos para reparo, dentro dos limites previstos para cada método e para o tipo de fissura.

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Pequenas aberturas podem criar caminhos para água e substâncias agressivas. Com o tempo, essa exposição pode contribuir para a deterioração do concreto e, em estruturas armadas, favorecer processos que atingem o aço, aumentando a necessidade de manutenção.

Uma revisão publicada na revista Construction and Building Materials examinou os fatores que interferem nos mecanismos de autocura de materiais cimentícios. O trabalho aponta a presença de água como condição importante para vários desses processos e mostra que o desempenho varia conforme as características da fissura, do concreto e do agente utilizado.

Como as bactérias ajudam a fechar pequenas fissuras

Nas formulações bacterianas, os microrganismos são escolhidos para suportar o ambiente altamente alcalino do concreto. Eles precisam permanecer viáveis dentro da matriz e, quando encontram água e os componentes necessários, participar de reações que favorecem a precipitação de carbonato de cálcio.

Em alguns sistemas, bactérias ou esporos ficam protegidos no material junto com nutrientes. Quando uma fissura alcança esses componentes e permite a entrada de água, surgem condições para a atividade microbiana e para a formação do material mineral que ajuda a ocupar parte da abertura.

O processo não recompõe uma estrutura severamente rompida nem elimina a causa de uma rachadura. O efeito estudado está ligado principalmente ao fechamento de fissuras pequenas e à redução da permeabilidade, limitando caminhos pelos quais água, sais e outras substâncias podem avançar no concreto.

O primeiro fator decisivo é a largura e a configuração da fissura. Aberturas maiores ou mais complexas podem ultrapassar a capacidade de fechamento de determinado sistema, por isso resultados obtidos em laboratório ou em uma formulação específica não se aplicam automaticamente a qualquer obra.

O segundo é a disponibilidade de umidade. A água participa da ativação de diferentes mecanismos bacterianos, e uma fissura exposta a condições incompatíveis com o método escolhido pode ter comportamento diferente daquele observado quando há contato suficiente com água.

O terceiro reúne as características do concreto e do agente de autocura. Tipo de cimento, pH, temperatura, nutrientes, concentração bacteriana, forma de incorporação dos microrganismos e condições de exposição estão entre as variáveis que podem alterar a eficiência do processo.

Por isso, não existe um limite universal de abertura que todo concreto bacteriano consiga reparar. A capacidade de fechamento depende da combinação entre o material empregado, o ambiente em que a estrutura está exposta e as características da fissura que se formou.

Uso em obra e limites práticos

A tecnologia já foi aplicada fora do ambiente de laboratório. Na restauração do ARTIS-Aquarium, em Amsterdã, a construtora Salverda Bouw participou de uma obra na qual parte dos tanques recebeu concreto autocicatrizante com bactérias secas capazes de voltar à atividade quando entram em contato com água.

O próprio ARTIS informou que parte dos tanques recebeu esse concreto durante a restauração. A instituição explica que os microrganismos participam da produção de material calcário que ajuda a fechar fissuras e que a solução foi adotada em parceria com empresas envolvidas no projeto.

O caso mostra uma aplicação em tanques de aquário, nos quais o contato com água faz parte do uso da estrutura. Ele representa, porém, uma aplicação específica e não significa que a solução esteja disseminada em construções residenciais.

O interesse pelo sistema está relacionado à durabilidade. Se pequenas fissuras forem fechadas antes de facilitar a entrada contínua de água e agentes agressivos, pode haver menor necessidade de reparos destinados a recuperar a estanqueidade e proteger o concreto e a armadura.

Esse potencial explica a expectativa de reduzir determinadas intervenções de manutenção, mas não significa eliminar fissuras. A proposta é acrescentar ao material um mecanismo capaz de reagir a danos pequenos quando as condições do sistema de autocura são atendidas.

Para uma casa ou edifício já construído, encontrar uma rachadura não significa que bactérias possam simplesmente ser adicionadas à parede para resolver o problema. Fissuras podem estar relacionadas a retração, movimentação térmica, falhas de execução, recalques ou esforços estruturais, e a causa precisa ser identificada antes da escolha do reparo.

O concreto bacteriano também não substitui inspeção técnica quando há abertura crescente, infiltração persistente, deformação, corrosão aparente ou outros sinais de comprometimento. Nesses casos, a avaliação da origem e da gravidade da fissura continua sendo necessária para definir se o problema exige reparo convencional ou intervenção estrutural.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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