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Adolescente pede comida a um desconhecido em supermercado e oferece carregar suas compras em troca; ao descobrir que ele e a mãe com deficiência viviam quase sem nada, homem cria campanha que arrecada mais de R$ 1,75 milhão mil e ajuda a família a recomeçar em uma nova casa
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 07/09/2026 às 14:09
Atualizado em 07/09/2026 às 14:10
Curiosidades
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Adolescente oferece carregar compras por comida, desconhecido descobre que ele vivia quase sem nada e mobiliza doadores para transformar sua vida.
Em junho de 2016, Chauncy Black atravessou Memphis de ônibus e foi até um supermercado Kroger com um objetivo extremamente simples: encontrar alguém disposto a comprar comida para ele e para a mulher que chamava de mãe. Sem dinheiro, aproximou-se do desconhecido Matt White e ofereceu carregar suas compras até o carro em troca de um pacote de donuts. Matt recusou a troca, mas não o pedido de ajuda: levou o adolescente de volta para dentro do mercado, encheu um carrinho com mantimentos e depois o acompanhou até sua casa. Foi ali que percebeu que a situação era muito pior do que imaginava.
Segundo a ABC News, em menos de duas semanas a campanha criada por White já havia ultrapassado US$ 103 mil, e a mobilização permitiu ajudar Chauncy e sua família a deixar a situação em que viviam e avançar para uma nova moradia. A arrecadação continuou crescendo: poucos dias depois já passava de US$ 250 mil e, no registro atualmente disponível da campanha “Chauncy’s Chance”, soma US$ 342.106 em mais de 14 mil doações, cerca de R$ 1,75 milhão pela cotação atual.
Chauncy entrou no ônibus porque precisava encontrar comida para o jantar
O encontro não aconteceu porque Chauncy estava passeando pelo supermercado. O adolescente saiu de South Memphis e usou seu passe de ônibus para chegar ao Kroger localizado na região de Poplar Avenue com Highland Street. Segundo Matt White, Chauncy descrevia o local como o supermercado das pessoas mais ricas e acreditava que ali teria maior chance de encontrar alguém disposto a ajudá-lo.
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Paulo Nogueira
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Ele não pediu dinheiro.
A proposta era trabalhar por comida.
Chauncy aproximou-se de Matt e perguntou se poderia levar as sacolas até o carro em troca de um pacote de donuts. White lembraria posteriormente que o adolescente parecia envergonhado, faminto e acostumado a ouvir respostas negativas.
Assista o vídeo
Em vez de entregar alguns dólares ou comprar apenas os donuts, Matt quis saber por que um adolescente estava pedindo comida daquela maneira.
Foi quando a história começou a mudar.
Matt voltou para dentro do supermercado e decidiu encher um carrinho
White convidou Chauncy a retornar ao mercado.
Os dois começaram a percorrer os corredores e comprar itens suficientes para aproximadamente uma semana de alimentação, segundo a ABC News. Entraram no carrinho produtos como vegetais, massas, frutas, pizza, manteiga de amendoim e itens de higiene pessoal.
Durante as compras, Chauncy começou a falar sobre a própria vida.
Disse que era um aluno dedicado, que fazia pequenos trabalhos quando conseguia e que queria ajudar a mulher com quem vivia a pagar as despesas da casa. Também falava sobre o desejo de um dia ter seu próprio negócio e criar empregos para outras pessoas.
Para Matt, a situação já era comovente. Mas ele ainda não tinha visto a casa.
Dentro da residência, geladeira vazia e falta de móveis mudaram tudo
Depois das compras, Matt decidiu levar Chauncy de carro para casa para que ele não precisasse retornar de ônibus carregando os alimentos.
Ao entrar na residência, percebeu que o que ouvira não era exagero.
Reportagens locais descreveram uma casa praticamente sem móveis, com geladeira vazia, poucas lâmpadas e estruturas improvisadas para dormir. Uma reportagem da época registrou que Chauncy dormia no chão depois de um colchão inflável que utilizava ter estourado.
Matt afirmou que teve dificuldade para controlar a emoção.
Era uma coisa ouvir um adolescente dizer que não tinha dinheiro.
Era outra entrar em sua casa e ver que faltavam cama, alimentos e objetos básicos.
Foi nesse momento que uma compra de supermercado deixou de parecer suficiente.
Mulher que Chauncy chamava de mãe era, na verdade, sua avó
As primeiras reportagens apresentaram Barbara como a mãe com deficiência de Chauncy, inclusive a ABC News e a própria campanha criada por Matt.
Uma reportagem posterior do Washington Post, porém, esclareceu um detalhe familiar importante: Barbara, então com 61 anos, era biologicamente a avó do adolescente, mas ele a chamava de “mãe” porque era ela quem o criava.
Ela possuía limitações físicas relacionadas ao diabetes e enfrentava dificuldades para trabalhar e manter a casa.
Por isso, quando Chauncy dizia que queria conseguir emprego e ajudar a mãe, referia-se à mulher que desempenhava esse papel em sua vida.
O título preserva a forma como o caso foi inicialmente noticiado e como o próprio adolescente se referia a Barbara, mas o parentesco biológico correto é de avó e neto.
Ideia inicial era arrecadar apenas US$ 250 para comprar um cortador de grama
Depois de voltar para casa, Matt publicou a história no Facebook.
A repercussão foi imediata. Ele havia descoberto que Chauncy queria trabalhar e gostava da ideia de cortar grama para ganhar dinheiro. Mas o adolescente não possuía sequer os equipamentos necessários para começar.
Matt então criou a campanha “Chauncy’s Chance” no GoFundMe.
O plano inicial era extraordinariamente modesto: conseguir cerca de US$ 250 para comprar um cortador de grama.
Chauncy poderia começar a fazer pequenos serviços no bairro, ganhar dinheiro por conta própria e ajudar nas despesas domésticas.
O que aconteceu depois superou completamente aquela meta.
Doadores ultrapassaram US$ 100 mil em menos de duas semanas
A publicação viralizou. Pessoas que nunca haviam conhecido Chauncy começaram a enviar dinheiro, móveis, roupas, roupas de cama e outros itens.
Em menos de duas semanas, a ABC News registrava mais de US$ 103 mil arrecadados. Em outra atualização publicada no mesmo período, o valor já aparecia acima de US$ 130 mil.
Poucos dias depois, a campanha rompeu a marca de US$ 250 mil. O salto é difícil de dimensionar.
Assista o vídeo
Uma campanha concebida para conseguir US$ 250 e comprar uma máquina destinada a trabalhos de jardinagem passou a movimentar mil vezes o objetivo inicial.
O cortador de grama foi comprado.
Mas naquele momento já estava claro que o dinheiro poderia mudar muito mais do que a renda de férias de um adolescente.
Campanha terminaria acumulando mais de US$ 342 mil
A arrecadação continuou mesmo depois de as primeiras reportagens nacionais perderem o ritmo. O registro atualmente disponível no GoFundMe mostra US$ 342.106 arrecadados por aproximadamente 14 mil doadores.
Na cotação atual, isso equivale a cerca de R$ 1,75 milhão.
A comparação torna o começo da história ainda mais desproporcional.
Chauncy entrou no supermercado querendo um pacote de donuts.
Matt imaginou conseguir US$ 250 para um cortador de grama.
A internet acabou mobilizando centenas de milhares de dólares.
O próprio White escreveu na campanha que continuava aumentando a meta porque as pessoas simplesmente continuavam doando.
A prioridade deixou de ser apenas alimentação imediata e passou a incluir moradia, educação, móveis e estrutura financeira de longo prazo.
Uma nova casa passou a ser o objetivo central da mobilização
A ABC News informou em 24 de junho de 2016 que Matt havia ajudado Chauncy e sua família a se mudar para uma nova casa com os recursos obtidos.
Outras reportagens publicadas praticamente no mesmo período mostram que a transição habitacional ainda estava sendo organizada e que profissionais trabalhavam na criação de um fundo para administrar os recursos. A intenção era garantir uma nova residência e reservar dinheiro para a educação de Chauncy, evitando que uma arrecadação repentina fosse consumida sem planejamento.
O cuidado tornou-se especialmente importante porque a publicidade trouxe problemas inesperados.
O Washington Post relatou que familiares anteriormente afastados começaram a procurar Barbara e Chauncy depois que o valor da campanha se tornou conhecido. Por segurança, eles chegaram a deixar temporariamente sua residência e permanecer em hotéis enquanto os próximos passos eram organizados.
A história que havia começado com falta de comida agora exigia advogados, planejamento financeiro e medidas de segurança.
Chauncy dizia querer abrir uma empresa e ajudar outras pessoas
O que mais impressionou Matt não foi apenas a condição material do adolescente.
Foi o que Chauncy dizia querer fazer se um dia tivesse recursos.
A campanha o descrevia como aluno com notas máximas, interessado em trabalhar, ajudar financeiramente em casa e, no futuro, tornar-se empresário. Seu desejo era criar oportunidades para outras pessoas que enfrentassem dificuldades semelhantes.
Isso ajuda a explicar por que Matt passou a chamá-lo de herói.
White tinha 30 anos e escreveu na campanha que acabara de encontrar um novo herói, alguém de apenas 16.
A lógica para ele era simples: Chauncy não estava parado esperando ajuda. Havia atravessado a cidade de ônibus e estava disposto a carregar compras de desconhecidos para conseguir comida.
Quando recebeu uma oportunidade, pediu trabalho antes de pedir dinheiro.
Encontro também mudou a vida do próprio Matt White
Nas entrevistas daquele período, Chauncy costumava dizer que Matt havia sido enviado como uma espécie de anjo para ajudá-lo.
White respondia invertendo a ideia. Para ele, o adolescente também havia mudado sua vida.
Depois da repercussão da campanha, Matt declarou que havia encontrado um novo propósito.
A relação ultrapassou o gesto inicial de comprar alimentos.
White tornou-se responsável por organizar a campanha, receber doações, negociar ajuda, conversar com profissionais financeiros e tentar proteger a família de problemas provocados pela nova exposição.
Em poucos dias, um estranho encontrado diante de um carrinho de supermercado havia se tornado uma das pessoas mais envolvidas com o futuro de Chauncy.
Não havia obrigação contratual, parentesco ou amizade anterior.
Tudo começou com uma pergunta sobre carregar sacolas.
Chauncy Black ofereceu carregar as compras de um desconhecido em troca de comida. Matt White aceitou ajudá-lo por alguns minutos, entrou em sua realidade por algumas horas e acabou mobilizando milhares de pessoas para mudar as condições em que aquela família vivia.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

