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Agricultor leva água pelo deserto, planta 27 mil árvores uma por uma e cria uma barreira verde para impedir que a areia avance sobre sua aldeia

Agricultor leva água pelo deserto, planta 27 mil árvores uma por uma e cria uma barreira verde para impedir que a areia avance sobre sua aldeia

3 min de leitura

Agricultor leva água pelo deserto, planta 27 mil árvores uma por uma e cria uma barreira verde para impedir que a areia avance sobre sua aldeia

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 15/09/2026 às 23:34

Atualizado em 15/09/2026 às 23:35

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Agricultor indiano planta 27 mil árvores no deserto, recupera área degradada e impede avanço das dunas sobre sua vila natal.

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Durante décadas, Ranaram Bishnoi transportou água por quilômetros, escolheu espécies resistentes e plantou milhares de árvores para transformar terras áridas e proteger uma vila indiana ameaçada pelo avanço constante das dunas do deserto da região

O agricultor Ranaram Bishnoi transformou uma área árida próxima à vila de Ekalkhori, no estado indiano do Rajastão, em uma extensa faixa verde. Ao longo de décadas, ele plantou aproximadamente 27 mil árvores para conter o avanço das dunas sobre terras agrícolas da comunidade.

Segundo reportagem do Times of India, o trabalho alcançou aproximadamente 25 bighas, medida territorial usada na Índia, equivalentes a cerca de 10 acres — pouco mais de quatro hectares. O agricultor realizou boa parte da tarefa com recursos simples e trabalho manual.

Água transportada por quilômetros

Ranaram não contava com máquinas pesadas, sistemas modernos de irrigação ou programas governamentais para realizar o plantio. Conforme os relatos reunidos pelo jornal, ele retirava água de um poço próximo e a transportava em grandes recipientes de barro.

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O trajeto até as dunas tinha aproximadamente três quilômetros. Em algumas ocasiões, o agricultor recebia a ajuda de um camelo para carregar os recipientes. A água era usada para molhar individualmente as mudas espalhadas pelo terreno arenoso.

Esse processo precisava ser repetido constantemente. Ranaram retornava à área em dias alternados para cuidar das árvores e impedir que as plantas morressem diante das condições severas do deserto. O resultado, portanto, não veio de uma única campanha, mas de anos de dedicação.

Espécies resistentes foram escolhidas

As árvores plantadas não foram escolhidas apenas pela aparência. O agricultor priorizou espécies resistentes e adaptadas ao ambiente árido do Rajastão, aumentando as possibilidades de sobrevivência das mudas.

Entre as variedades mencionadas estão neem, rohida, kankeri, khejri, figueira, babool e buganvília. Com raízes fixando o solo e a vegetação reduzindo a força dos ventos, a área verde ajudou a impedir que a areia continuasse avançando sobre os arredores da comunidade.

Além de enfrentar a falta de água, Ranaram precisava proteger as plantas dos animais. Para isso, instalava barreiras feitas com galhos espinhosos ao redor das mudas mais jovens, evitando que bovinos e animais silvestres destruíssem o plantio antes de seu desenvolvimento.

Tradição de proteção à natureza

Ranaram pertence à comunidade Bishnoi, conhecida na região pela relação histórica com a conservação ambiental. A proteção das árvores e dos animais é parte importante da cultura desse grupo, presente no Rajastão há séculos.

Um dos episódios mais marcantes dessa tradição aconteceu em 1730, quando integrantes da comunidade sacrificaram a própria vida na tentativa de impedir a derrubada de árvores. Esse legado ajuda a contextualizar a iniciativa desenvolvida pelo agricultor em Ekalkhori.

O trabalho de Ranaram mostrou que a recuperação de uma área degradada também pode nascer de ações simples e constantes. Com mudas, água transportada manualmente e proteção contra animais, ele criou uma barreira natural que ajudou a conter as dunas.

A paisagem antes dominada pela areia passou a abrigar milhares de árvores. Mais do que modificar o terreno, a iniciativa deixou para a vila uma proteção duradoura contra o avanço do deserto.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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