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Agricultor perdia 30% da venda para atravessadores e chegou ao limite após não conseguir sustentar a família até 2 amigos criarem plataforma sem comissão que já leva pequenos produtores a clientes de mais de 15 e renda quase dobra em 1 ano

Agricultor perdia 30% da venda para atravessadores e chegou ao limite após não conseguir sustentar a família até 2 amigos criarem plataforma sem comissão que já leva pequenos produtores a clientes de mais de 15 e renda quase dobra em 1 ano

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Agricultor perdia 30% da venda para atravessadores e chegou ao limite após não conseguir sustentar a família até 2 amigos criarem plataforma sem comissão que já leva pequenos produtores a clientes de mais de 15 e renda quase dobra em 1 ano

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 03/09/2026 às 14:37

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Criada em 2022 por Aniket Gharge e Jay Sidhpura, a IFE Store elimina a comissão sobre os produtos, cobra apenas 10 rúpias pela embalagem, reúne mais de 25 categorias e já ajuda ao menos 20 agricultores a vender diretamente para cerca de 340 clientes

Em uma propriedade de apenas 3,5 acres, Sachin Gore cultivava cana-de-açúcar e cúrcuma, mas uma parte importante do resultado de seu trabalho desaparecia quando chegava a hora de vender: intermediários cobravam comissão de 30% e revendiam os produtos por valores muito maiores. A situação financeira ficou tão difícil que o agricultor, responsável por uma família de oito pessoas, chegou a tentar tirar a própria vida. A história foi publicada em 2 de setembro de 2026 pelo site The Better India, que mostrou como uma plataforma criada por dois amigos começou a eliminar os atravessadores e permitir que pequenos produtores indianos vendessem diretamente aos consumidores.

A solução surgiu em 2022, quando os amigos de faculdade Aniket Gharge e Jay Sidhpura criaram a IFE Store. Em vez de repetir o modelo tradicional, eles montaram um marketplace que não cobra comissão dos agricultores. Se um produto custa ₹100, esse é o preço anunciado; a plataforma cobra apenas ₹10 pela embalagem.

O modelo ainda é pequeno, mas os resultados relatados chamam atenção. Atualmente, a IFE Store trabalha com pelo menos 20 agricultores, reúne mais de 25 categorias de produtos, já vendeu para cerca de 340 clientes e permite que produtores alcancem consumidores em mais de 15 estados da Índia. Segundo estimativa de Aniket publicada pelo The Better India, a renda dos agricultores participantes quase dobrou em um ano.

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Sachin vendia por ₹90 o quilo e via intermediários cobrarem até ₹150 pelo mesmo produto

O problema que levou Aniket e Jay a desenvolverem a plataforma aparece com clareza na experiência de Sachin.

O agricultor cultiva cana-de-açúcar e cúrcuma em 3,5 acres, mas tinha poucas alternativas para comercializar aquilo que produzia.

A dependência de intermediários custava caro.

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Segundo seu relato ao The Better India, quando entregava um produto por ₹90 o quilo, atravessadores conseguiam revendê-lo por algo entre ₹120 e ₹150.

Além disso, a comissão chegava a 30%.

Na prática, quem cultivava assumia o trabalho e os riscos da produção, mas uma parcela relevante do valor permanecia no caminho entre a propriedade rural e o consumidor.

Para uma família de oito pessoas, a renda insuficiente provocou consequências graves.

A falta de renda levou o agricultor a uma crise extrema

A situação de Sachin chegou a um ponto dramático alguns anos atrás.

Ele contou que a família não conseguia obter renda suficiente com aquilo que produzia e, em meio à crise, tentou tirar a própria vida.

O episódio mostra que o problema dos intermediários, nessa história, não se limitava a uma discussão abstrata sobre margem comercial.

Ele atingia diretamente a capacidade de uma família de sobreviver do próprio trabalho.

A questão também ajuda a explicar por que modelos que aumentam a parcela do preço final recebida pelo produtor podem provocar um impacto muito maior entre pequenos agricultores.

No Brasil, discussões sobre crédito rural com juros entre 3% e 6% ao ano também mostram como acesso a condições financeiras e comerciais diferentes pode alterar a viabilidade de uma propriedade.

Um dos fundadores cresceu em família de agricultores e escolheu tecnologia para atacar um problema que conhecia desde pequeno

A IFE Store não surgiu de uma grande companhia de comércio eletrônico.

Uma parte da ideia veio da experiência pessoal de Aniket Gharge.

Ele cresceu em uma família ligada à agricultura e passou anos ouvindo produtores relatarem suas dificuldades.

Depois, estudou engenharia da computação e começou a trabalhar em Pune.

Sua formação poderia levá-lo para uma carreira convencional no setor de tecnologia.

Entretanto, Aniket começou também um canal no YouTube no qual contava histórias de agricultores.

As conversas fizeram um problema aparecer repetidamente.

Produtores conseguiam desenvolver alimentos orgânicos e produtos de maior valor agregado.

O obstáculo vinha depois:

onde vender?

Agricultores conseguiam produzir, mas não sabiam onde encontrar compradores

Aniket percebeu que aumentar o valor do produto não resolvia sozinho o problema.

Um agricultor poderia transformar sua produção em itens orgânicos ou processados e, teoricamente, aumentar sua margem.

Mas precisava encontrar consumidores dispostos a comprá-los.

Sem acesso direto ao mercado, a dependência dos intermediários continuava.

Foi então que Aniket enxergou uma oportunidade para combinar agricultura e tecnologia.

Em vez de tentar mudar a produção dentro das propriedades, ele decidiu mexer na etapa seguinte da cadeia: a venda.

Em 2022, dois amigos criam a IFE Store praticamente sem investimento

Aniket se juntou ao amigo de faculdade Jay Sidhpura e, em 2022, os dois lançaram a IFE Store.

O começo foi enxuto.

Segundo a reportagem, eles desenvolveram o site praticamente sem investimento.

O objetivo era criar uma ponte digital entre produtores e consumidores.

Agricultores interessados entram em contato com Aniket por meio das redes sociais.

Depois disso, o processo não acontece apenas pela internet.

Ele visita as propriedades, verifica os produtos e conclui o cadastro antes de disponibilizá-los na plataforma.

Assim, o marketplace tenta combinar alcance digital com verificação física dos produtores.

Plataforma elimina justamente a comissão de 30% que pesava sobre produtores como Sachin

A principal diferença está no modelo de cobrança.

A IFE Store não cobra comissão sobre o produto vendido.

O exemplo apresentado pelo The Better India é simples:

se o agricultor estabelece um produto em ₹100, a plataforma anuncia esse produto por ₹100.

A empresa cobra apenas ₹10 pela embalagem.

Esse formato ataca diretamente o problema relatado por Sachin.

Em vez de entregar a produção para alguém que desconta uma porcentagem e posteriormente revende o item por preço maior, o agricultor consegue chegar ao consumidor através da plataforma.

Isso não significa que toda a cadeia fique sem custos.

Embalagem, armazenamento, transporte e operação continuam existindo.

A diferença está em não retirar uma porcentagem do valor do produto como comissão do produtor.

Produtos saem das propriedades, passam por Satara e seguem aos consumidores por transportadoras

A plataforma também precisou resolver a parte física do comércio.

Afinal, colocar um produto em um site não faz com que ele apareça automaticamente na casa do comprador.

Os produtos ficam armazenados em Satara, no estado de Maharashtra.

Depois, seguem por serviços de entrega para os consumidores.

Esse processo permite que agricultores vendam muito além das comunidades próximas às propriedades.

E é justamente aí que o alcance do modelo começa a chamar atenção.

Produtores que dependiam do mercado local passam a alcançar consumidores em mais de 15 estados

A IFE Store começou em Maharashtra, mas as vendas ultrapassaram as fronteiras do estado.

Segundo o The Better India, os agricultores conseguem alcançar consumidores em mais de 15 estados indianos.

Entre eles aparecem:

Gujarat, Kerala, Karnataka, Uttar Pradesh, West Bengal e Assam.

Isso muda uma limitação histórica de pequenos produtores.

Imagem Ilustrativa

Antes, a distância entre a fazenda e o consumidor funcionava como barreira.

Agora, a plataforma digital encontra o comprador e serviços de entrega transportam o produto.

A lógica lembra outras transformações do agronegócio impulsionadas por novas formas de comercialização, nas quais acesso ao mercado pode ser tão importante quanto aumentar a própria produção.

Mais de 25 categorias transformam pequenas produções em catálogo nacional

A IFE Store já reúne mais de 25 categorias.

Entre os produtos aparecem itens como jaggery — açúcar não refinado tradicional — e diferentes especiarias.

Essa variedade é importante porque o modelo não depende de uma única cultura.

Produtores diferentes podem utilizar a mesma infraestrutura digital para encontrar compradores.

Além disso, produtos processados ou de maior valor agregado podem permitir que agricultores capturem uma parcela maior do valor criado dentro da própria propriedade.

Em vez de vender apenas matéria-prima para outro agente processar e comercializar, o produtor consegue aproximar sua marca e seu produto do consumidor final.

Ao menos 20 agricultores já utilizam o modelo

A escala ainda está longe daquela encontrada nos gigantes do comércio eletrônico.

A IFE Store trabalha atualmente com pelo menos 20 agricultores.

Esse número é importante para não exagerar o estágio do projeto.

A iniciativa ainda funciona em escala relativamente pequena.

Entretanto, os fundadores conseguiram demonstrar que a venda direta pode ultrapassar a região onde esses agricultores produzem.

O próximo desafio será descobrir se o modelo consegue manter as mesmas características conforme o número de propriedades, produtos, pedidos e destinos aumentar.

Cerca de 340 consumidores já compraram produtos pela plataforma

Do outro lado da operação estão aproximadamente 340 clientes que já realizaram compras.

Novamente, o número mostra um negócio em fase inicial.

Mas também confirma que existe demanda além das propriedades atendidas.

Para o produtor, cada novo comprador amplia a possibilidade de comercializar sem depender exclusivamente de agentes locais.

Para o consumidor, a proposta oferece uma ligação mais direta com quem produz.

Essa conexão se tornou um dos principais argumentos de diferentes marketplaces agrícolas: encurtar a cadeia para redistribuir melhor o valor entre seus participantes.

Em um ano, renda dos agricultores quase dobra, segundo estimativa do fundador

O resultado mais importante aparece na renda.

Aniket estima que, em aproximadamente um ano, os agricultores participantes passaram a ganhar quase o dobro.

É importante manter a precisão: o dado é uma estimativa apresentada pelo fundador, e a publicação não apresenta uma auditoria financeira independente que permita afirmar que todos os produtores duplicaram exatamente seus rendimentos.

Ainda assim, a estimativa ajuda a dimensionar o efeito que a retirada das comissões e a ampliação do mercado podem produzir.

O modelo atua simultaneamente em duas pontas.

Reduz o valor perdido na intermediação e amplia o número potencial de compradores.

O caso mostra por que 30% fazem enorme diferença para quem produz em pequena escala

Uma comissão de 30% pode parecer apenas uma porcentagem.

Para uma pequena propriedade, entretanto, ela pode determinar se determinada cultura oferece renda suficiente para continuar sendo produzida.

Isso ocorre porque o agricultor já arca com despesas antes da venda.

Sementes, fertilizantes, irrigação, equipamentos, mão de obra, transporte e perdas podem consumir uma parcela relevante da receita.

Se outro agente retira uma porcentagem elevada no momento da comercialização, a margem restante diminui ainda mais.

Por isso, a discussão sobre produção agrícola e valorização das propriedades rurais envolve muito mais do que simplesmente aumentar a quantidade colhida.

O preço efetivamente recebido pelo produtor também importa.

Modelo de comissão zero não significa operação de custo zero

A expressão “zero comissão” precisa ser interpretada corretamente.

A IFE Store não cobra porcentagem sobre a venda dos agricultores, conforme a reportagem.

Isso não significa que toda a operação seja gratuita.

Existe a cobrança de ₹10 pela embalagem, além da necessidade de armazenar e transportar os produtos.

A própria expansão cria novos custos.

Quanto mais estados recebem encomendas, maior se torna o desafio logístico.

Produtos agrícolas também podem apresentar exigências diferentes de conservação e prazo.

Portanto, eliminar o intermediário comercial resolve uma parte do problema, mas não elimina a necessidade de uma cadeia logística eficiente.

Entrega por transportadoras vira justamente um dos principais obstáculos

O próprio Aniket reconhece que existem dificuldades.

Entre elas estão os atrasos das transportadoras.

Quando uma entrega atrasa, a equipe precisa fazer ligações e acompanhar repetidamente o pedido até encontrar uma solução.

Esse problema tende a ficar mais complexo conforme a plataforma cresce.

Vender para 340 clientes é diferente de atender milhares de pedidos simultaneamente.

A expansão para novos estados também aumenta distâncias e adiciona diferentes rotas logísticas.

Por isso, a próxima fase da iniciativa dependerá não apenas da tecnologia que conecta agricultor e comprador, mas da infraestrutura capaz de transportar os produtos entre eles.

Aniket troca o caminho seguro da engenharia por agricultura e tecnologia

A história dos agricultores também se mistura à trajetória do próprio fundador.

Os pais de Aniket preferiam que ele seguisse uma carreira estável como engenheiro.

Era o caminho esperado depois de sua formação em engenharia da computação.

Ele escolheu outro.

Aniket decidiu combinar tecnologia com agricultura e trabalhar diretamente com produtores.

Essa escolha explica por que a plataforma não funciona apenas como um site no qual qualquer vendedor publica automaticamente um item.

O fundador visita propriedades e mantém contato direto com os agricultores.

O componente tecnológico existe, mas a operação continua profundamente ligada ao campo.

Uma pequena plataforma começa a mudar uma conta antiga do campo: quem produz recebe menos do que quem intermedeia

A IFE Store ainda trabalha com apenas 20 agricultores e aproximadamente 340 compradores, portanto seria precipitado tratá-la como uma transformação de toda a agricultura indiana.

Mas a experiência revela algo maior.

Sachin cultivava em 3,5 acres, entregava um produto por ₹90 o quilo e via intermediários revendê-lo por até ₹150.

A comissão chegava a 30%.

Do outro lado, dois amigos criaram em 2022 uma plataforma praticamente sem investimento, eliminaram a comissão sobre os produtos e abriram acesso a consumidores em mais de 15 estados.

Hoje, a iniciativa reúne mais de 25 categorias, e Aniket estima que a renda dos produtores participantes quase dobrou em um ano.

O que começou como uma tentativa de resolver onde pequenos agricultores poderiam vender seus produtos acabou atacando uma questão ainda mais básica: quanto do dinheiro pago pelo consumidor realmente chega às mãos de quem plantou, cultivou e produziu aquilo que está sendo comprado.

Você compraria alimentos diretamente de pequenos agricultores por uma plataforma como essa se soubesse que eles não perderiam parte da venda para intermediários?

Fonte

The Better India


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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