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Alemanha começa a erguer bateria gigante de 1,6 GWh em antiga área de usina a carvão, capaz de guardar energia para 640 mil casas por quatro horas

Alemanha começa a erguer bateria gigante de 1,6 GWh em antiga área de usina a carvão, capaz de guardar energia para 640 mil casas por quatro horas

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Alemanha começa a erguer bateria gigante de 1,6 GWh em antiga área de usina a carvão, capaz de guardar energia para 640 mil casas por quatro horas

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 05/09/2026 às 11:34

Atualizado em 05/09/2026 às 11:35

Energia Renovável

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HyperStrong iniciou na Saxônia a construção do GigaBattery Boxberg 400, sistema com 400 MW de conexão e 1,6 GWh de armazenamento. A instalação ocupará seis hectares recuperados do complexo energético de Boxberg e usará baterias LFP refrigeradas a líquido para integrar mais energia solar e eólica à rede alemã.

A HyperStrong iniciou a construção do GigaBattery Boxberg 400, um gigantesco sistema de armazenamento de energia em baterias no complexo de Boxberg, na Saxônia, Alemanha. O empreendimento terá 400 MW de capacidade de conexão à rede e 1.600 MWh, ou 1,6 GWh, de armazenamento, dimensão suficiente para teoricamente fornecer eletricidade a aproximadamente 640 mil residências durante quatro horas, segundo a empresa.

O projeto pertence à LEAG Clean Power GmbH, enquanto a HyperStrong atua como contratada responsável pela entrega completa do sistema BESS. Além de fornecer as baterias, a companhia integrará equipamentos elétricos e executará a construção turnkey da instalação.

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A obra entrou oficialmente na fase de construção no fim de agosto de 2026. Agora, uma área de seis hectares anteriormente ocupada pela chamada Plant II no complexo de Boxberg ganhará uma nova função dentro da transformação energética da região da Lusácia.

Bateria terá 400 MW e armazenará 1,6 GWh

Os números colocam Boxberg entre os grandes projetos europeus de armazenamento atualmente em construção.

O sistema combinará 400 MW de potência com 1.600 MWh de capacidade energética. Portanto, a configuração permite uma duração nominal de aproximadamente quatro horas quando a instalação descarrega na potência máxima.

Essa diferença entre MW e MWh é importante. Os 400 MW representam a potência, enquanto os 1,6 GWh indicam a quantidade de energia armazenável.

Segundo a HyperStrong, a energia acumulada permitiria, em uma comparação teórica, atender aproximadamente 640 mil residências durante quatro horas. No entanto, isso não significa que o projeto terá uma rede exclusiva para essas casas.

Na prática, a bateria trabalhará conectada ao sistema elétrico alemão. Assim, poderá armazenar eletricidade quando houver oferta elevada e devolvê-la à rede conforme as condições do mercado e as necessidades operacionais.

Seis hectares de uma antiga área industrial receberão milhares de baterias

O local escolhido acrescenta outro elemento importante à história.

A LEAG instalará a GigaBattery Boxberg 400 em seis hectares de terreno recuperado da antiga Plant II, dentro da área da usina de Boxberg. Dessa forma, uma parcela de um complexo historicamente associado à geração convencional passa a receber infraestrutura voltada ao armazenamento de eletricidade.

Essa transformação ocorre na Lusácia, região que durante décadas manteve forte ligação econômica com a mineração de linhito e a geração termelétrica.

Agora, porém, a LEAG tenta transformar parte dessa infraestrutura energética em uma base para fontes renováveis, armazenamento e sistemas flexíveis.

O movimento faz parte da estratégia que a companhia chama de GigawattFactory.

A transformação de antigas áreas energéticas alemãs já aparece em outros projetos acompanhados pelo CPG. Na antiga usina nuclear de Gundremmingen, por exemplo, um projeto de 400 MW e 700 MWh pretende aproveitar uma área industrial existente para instalar outro enorme sistema de armazenamento conectado à rede.

HyperStrong fornecerá baterias de lítio-ferro-fosfato

Para construir o sistema, a HyperStrong utilizará sua plataforma HyperBlock III, desenvolvida para aplicações de armazenamento de energia em escala de rede.

Os equipamentos utilizarão células de lítio-ferro-fosfato, conhecidas pela sigla LFP, e contarão com refrigeração líquida.

A HyperStrong assumirá diferentes etapas do empreendimento. Além de fornecer os sistemas de baterias, a empresa integrará os equipamentos elétricos e ficará responsável pela construção turnkey do BESS.

Imagem: Reprodução HyperStrong.

Portanto, seu papel vai além do simples fornecimento de contêineres de baterias.

A empresa terá responsabilidade pela entrega integrada do sistema de armazenamento, enquanto outros parceiros cuidarão de partes complementares da infraestrutura.

Bateria ajudará a armazenar energia quando vento e sol produzirem em excesso

A função central do GigaBattery Boxberg 400 será aumentar a flexibilidade do sistema elétrico.

Fontes como solar e eólica apresentam produção variável. Em determinados momentos, as condições meteorológicas permitem gerar grandes volumes de eletricidade. Entretanto, essa oferta nem sempre coincide com os horários de maior consumo.

Nesse cenário, sistemas BESS conseguem absorver parte da eletricidade disponível e armazená-la.

Depois, a bateria pode devolver energia à rede quando a geração renovável diminuir, quando a demanda aumentar ou quando as condições econômicas justificarem a descarga.

Por isso, a LEAG afirma que o sistema ajudará a tornar energia solar e eólica mais flexível, além de contribuir para a estabilidade da rede.

Essa necessidade também começa a transformar o setor elétrico brasileiro. A ANEEL já autorizou no Brasil a operação comercial de um BESS colocalizado com uma usina solar, criando um exemplo de como baterias podem armazenar excedentes fotovoltaicos e devolvê-los ao sistema em outros horários.

Boxberg terá uma irmã ainda maior, de 4 GWh

Embora os 1,6 GWh de Boxberg impressionem, o projeto representa apenas uma parte da estratégia de armazenamento da LEAG.

A companhia também desenvolve o GigaBattery Jänschwalde 1000, com 1 GW de potência e 4 GWh de armazenamento.

Nesse segundo empreendimento, entretanto, a LEAG trabalha com a Fluence, e não com a HyperStrong.

Somados, os dois projetos anunciados alcançam 1,4 GW de potência e 5,6 GWh de capacidade de armazenamento.

Isso significa que Boxberg e Jänschwalde poderão guardar quantidades enormes de eletricidade, embora permaneçam projetos distintos, localizados em áreas diferentes e com fornecedores diferentes.

O CPG já detalhou esse segundo empreendimento. O GigaBattery Jänschwalde terá 1 GW de potência e 4 GWh de armazenamento, tornando-se uma das peças centrais da estratégia da LEAG para transformar uma região historicamente ligada ao carvão em polo de energia flexível.

Portanto, a nova obra em Boxberg não deve ser confundida com o projeto de 4 GWh já anunciado em Jänschwalde.

Dois projetos da LEAG chegam juntos a 5,6 GWh

A soma ajuda a dimensionar a estratégia.

O GigaBattery Boxberg 400 terá:

400 MW de potência e 1,6 GWh de armazenamento.

Já o GigaBattery Jänschwalde 1000 terá:

1.000 MW de potência e 4 GWh de armazenamento.

Consequentemente, os dois empreendimentos chegam a 1.400 MW e 5.600 MWh, ou 5,6 GWh.

Ambos também trabalham com aproximadamente quatro horas de duração nominal.

A diferença está principalmente na escala e nos fornecedores. A HyperStrong participa de Boxberg, enquanto a Fluence fornece a solução tecnológica para Jänschwalde.

Antiga região do carvão começa a ganhar uma segunda função

A escolha da Lusácia não acontece por acaso.

A região possui décadas de infraestrutura energética, áreas industriais, conexões elétricas e mão de obra associadas à geração convencional.

Agora, a estratégia da LEAG tenta aproveitar parte dessa base enquanto a matriz energética alemã muda.

Em vez de abandonar completamente áreas que já possuem vocação energética, a empresa pretende incorporar energia solar, eólica, baterias e outras tecnologias flexíveis.

Esse reaproveitamento também ocorre em antigas áreas de mineração. O CPG mostrou como a Alemanha transformou terrenos marcados pela extração de carvão em lagos, áreas renováveis e novos projetos energéticos, dando outra função econômica a regiões industriais degradadas.

No caso de Boxberg, porém, é importante não exagerar essa narrativa. O projeto ocupa uma área recuperada de seis hectares dentro do local da usina, e não significa que todo o complexo de Boxberg deixou de ter relação com geração convencional.

Armazenamento não produz eletricidade, mas muda quando ela fica disponível

Uma bateria de 1,6 GWh não funciona como uma usina solar, eólica, nuclear ou termelétrica.

Ela não cria energia primária.

Em vez disso, o sistema recebe eletricidade da rede, armazena essa energia nas células e posteriormente devolve parte dela ao sistema.

Essa característica permite deslocar energia no tempo.

Por exemplo, se turbinas eólicas produzirem muita eletricidade durante um período de baixa demanda, a bateria poderá absorver parte dessa oferta. Mais tarde, quando o consumo aumentar ou a geração renovável cair, o sistema poderá descarregar.

Além disso, grandes baterias podem prestar serviços importantes para manter frequência, equilíbrio e estabilidade da rede.

1,6 GWh equivalem a quatro horas na potência máxima

A relação matemática do projeto ajuda a entender seu funcionamento.

Se a instalação possui 1.600 MWh de capacidade energética e 400 MW de potência, a divisão resulta em quatro horas.

Isso significa que, em uma situação teórica, a bateria conseguiria descarregar seus 400 MW durante aproximadamente quatro horas.

Entretanto, a operação real não exige necessariamente uma descarga contínua na potência máxima.

O operador pode utilizar diferentes estratégias conforme preços de eletricidade, condições da rede, geração renovável disponível e necessidades técnicas.

Portanto, os 1,6 GWh oferecem flexibilidade operacional, e não apenas uma descarga fixa de quatro horas todos os dias.

Alemanha acelera construção de grandes baterias

Boxberg não está sozinho.

A Alemanha registra uma onda de projetos de armazenamento em grande escala, impulsionada pelo crescimento das fontes renováveis e pela necessidade de tornar o sistema elétrico mais flexível.

No mesmo período em que a HyperStrong iniciou as obras em Boxberg, outro projeto de 100 MW/441 MWh começou a avançar em Stendal, na Saxônia-Anhalt.

Além disso, projetos ainda maiores já entraram no pipeline alemão.

O resultado é uma mudança importante na infraestrutura energética: instalações de centenas de megawatts deixam de ser exceções e começam a formar uma nova categoria de ativos conectados à rede.

HyperStrong amplia presença na Europa

Para a HyperStrong, Boxberg também representa um passo importante na expansão europeia.

A empresa chinesa atua no segmento de sistemas de armazenamento de energia e vem aumentando sua presença em diferentes mercados do continente.

No projeto alemão, ela terá de demonstrar não apenas a capacidade de fornecer baterias, mas também de executar um empreendimento de 1,6 GWh dentro dos padrões europeus de segurança, qualidade e integração elétrica.

Por isso, Boxberg funciona como uma vitrine tecnológica e comercial.

Se a implantação avançar conforme planejado, o projeto colocará a plataforma HyperBlock III em uma instalação de grande escala dentro de uma das maiores economias da Europa.

Uma bateria para 640 mil casas — mas apenas como comparação teórica

A afirmação de que o sistema poderá abastecer 640 mil residências durante quatro horas ajuda a traduzir 1,6 GWh para uma escala mais compreensível.

Entretanto, esse número exige cautela.

A própria HyperStrong apresenta o dado como uma capacidade teórica.

Isso não significa que 640 mil casas receberão eletricidade exclusivamente dessa bateria, nem que a LEAG construirá uma rede dedicada para esses consumidores.

Na realidade, o sistema ficará conectado à rede elétrica e atuará como um ativo de armazenamento.

Portanto, o número serve principalmente para demonstrar a escala energética do empreendimento.

GigawattFactory tenta transformar a Lusácia em polo energético pós-carvão

A LEAG chama sua estratégia regional de GigawattFactory.

O plano pretende combinar ativos renováveis e tecnologias de flexibilidade para manter a Lusácia relevante no sistema energético alemão enquanto o país reduz sua dependência do carvão.

Nesse contexto, baterias desempenham um papel especialmente importante porque podem utilizar parte da infraestrutura elétrica existente.

Grandes complexos de geração tradicional já contam com conexões de alta capacidade, áreas industriais e conhecimento técnico acumulado.

Assim, instalar armazenamento próximo desses pontos pode aproveitar características que seriam caras e demoradas para reproduzir em um terreno completamente novo.

Boxberg representa apenas uma peça de uma transformação muito maior

A cerimônia realizada no fim de agosto não marcou a conclusão da GigaBattery. Pelo contrário, marcou o início da construção.

Esse detalhe é fundamental para evitar que o projeto apareça como uma bateria já operacional.

Agora, HyperStrong, LEAG e os demais parceiros precisam avançar com instalação dos sistemas, equipamentos elétricos, infraestrutura de conexão, integração e testes.

Somente depois dessas etapas a bateria poderá exercer sua função dentro da rede.

Ainda assim, o início das obras transforma um projeto anunciado em infraestrutura física em implantação.

De antiga área industrial a bateria de 1,6 GWh

A imagem que resume Boxberg reúne passado e futuro do sistema elétrico alemão no mesmo terreno.

Em uma região historicamente associada ao carvão, seis hectares recuperados receberão uma instalação capaz de armazenar 1,6 GWh de eletricidade.

A HyperStrong fornecerá sistemas LFP refrigerados a líquido. A LEAG manterá o projeto dentro de sua estratégia GigawattFactory. Ao mesmo tempo, a bateria ajudará a absorver e redistribuir eletricidade em uma rede que recebe volumes crescentes de geração renovável.

Quando somada ao projeto de Jänschwalde, a estratégia anunciada da LEAG alcança 5,6 GWh de armazenamento.

Por isso, Boxberg representa mais do que a instalação de contêineres cheios de células de lítio. O projeto mostra como empresas historicamente ligadas à geração convencional começam a transformar terrenos, conexões elétricas e infraestrutura industrial em ativos capazes de responder a um sistema dominado cada vez mais por fontes variáveis.

Agora, o desafio será transformar os números do projeto em desempenho real e confiável na rede alemã.

E você, acredita que transformar antigas áreas ligadas ao carvão em gigantescos centros de armazenamento é o melhor caminho para acelerar a transição energética, ou a Alemanha deveria priorizar outras tecnologias para garantir energia quando não há sol ou vento?

Fonte

HyperStrong


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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