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Amazon vai atravessar o Pacífico com cabo submarino de 420 Tbps e 20 pares de fibras para ligar EUA ao Japão em nova rota prevista para entrar em operação em 2029

Amazon vai atravessar o Pacífico com cabo submarino de 420 Tbps e 20 pares de fibras para ligar EUA ao Japão em nova rota prevista para entrar em operação em 2029

11 min de leitura

Amazon vai atravessar o Pacífico com cabo submarino de 420 Tbps e 20 pares de fibras para ligar EUA ao Japão em nova rota prevista para entrar em operação em 2029

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 03/09/2026 às 17:15

Atualizado em 03/09/2026 às 17:20

Ciência e Tecnologia

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Batizado de Sta’O’Nuk, novo cabo submarino da AWS conectará o estado de Washington a um ponto ainda não divulgado do Japão, terá capacidade de 420 Tbps e 20 pares de fibras. Projeto também marca a chegada do primeiro novo cabo submarino internacional a Washington em quase três décadas.

A Amazon Web Services (AWS) prepara uma nova infraestrutura para atravessar o Oceano Pacífico e conectar diretamente os Estados Unidos ao Japão. Segundo informações publicadas pela Data Center Dynamics (DCD) em 2 de setembro de 2026, a companhia anunciou o Sta’O’Nuk, um cabo submarino com 20 pares de fibras e capacidade de 420 terabits por segundo (Tbps), previsto para entrar em operação em 2029.

O projeto conectará o estado de Washington, nos Estados Unidos, a um ponto ainda não divulgado do Japão. Além da enorme capacidade de transmissão, a rota chama atenção por outro motivo: será o primeiro novo cabo submarino internacional a chegar ao estado de Washington em quase 30 anos. A infraestrutura amplia a rede física que sustenta serviços de nuvem e aplicações digitais cada vez mais intensivas em dados.

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A movimentação ocorre justamente enquanto inteligência artificial, computação em nuvem e novos data centers elevam a demanda por capacidade de processamento e comunicação entre continentes.

Novo cabo da Amazon terá capacidade de 420 Tbps

O principal número do Sta’O’Nuk está na capacidade projetada. O sistema contará com 20 pares de fibras ópticas e poderá transportar até 420 Tbps, segundo as informações divulgadas sobre o projeto.

Imagem ilustrativa.

Para colocar a escala em perspectiva, trata-se de uma infraestrutura criada para movimentar enormes volumes de informação entre os dois lados do Pacífico. Serviços de nuvem, inteligência artificial, streaming, transações financeiras e aplicações distribuídas dependem justamente de redes capazes de transferir dados rapidamente entre regiões.

A capacidade anunciada também coloca o projeto entre as grandes infraestruturas submarinas recentes. Em julho de 2026, o CPG mostrou outro exemplo dessa corrida: um cabo do Google entre Estados Unidos e Europa com cerca de 7 mil km, 16 pares de fibras e capacidade projetada de 384 Tbps.

Embora sejam projetos diferentes e atravessem oceanos distintos, os números ajudam a revelar a escala das novas rotas digitais. Enquanto o projeto citado do Google chega a 384 Tbps, o Sta’O’Nuk foi anunciado com 420 Tbps.

Cabo terá 20 pares de fibras entre Estados Unidos e Japão

A AWS planeja distribuir essa capacidade por 20 pares de fibras. A empresa ainda não informou todos os detalhes técnicos da construção, porém já confirmou que o sistema estabelecerá uma nova ligação transpacífica entre Washington e o Japão.

No lado norte-americano, a Amazon trabalha com a Toptana Technologies, responsável pela estação de chegada do cabo e pelos serviços de backhaul, que farão a conexão entre a infraestrutura submarina e as redes terrestres.

A Toptana também iniciou a construção de uma nova Cable Landing Station (CLS) em Ocean Shores, Washington. A instalação terá capacidade para acomodar até quatro sistemas diferentes de cabos submarinos, o que amplia seu potencial para receber outras rotas no futuro.

Portanto, o projeto não envolve apenas colocar fibras no fundo do Pacífico. Ele exige uma infraestrutura terrestre capaz de receber os dados, conectá-los às redes continentais e direcioná-los para data centers e outros pontos da malha digital.

Estação de Washington pertence a empresa da Quinault Indian Nation

Existe ainda uma característica incomum na infraestrutura norte-americana. Fundada em 2022, a Toptana Technologies pertence à Quinault Indian Nation, nação indígena soberana localizada no estado de Washington.

Segundo a DCD, a Toptana é a única provedora indígena de estação de chegada de cabos e rede de backhaul na Costa Oeste dos Estados Unidos. A empresa também afirma que sua nova instalação será a primeira nova estação desse tipo construída em Washington em mais de 25 anos.

O projeto, portanto, terá impacto além da conectividade internacional. A Quinault Indian Nation vê a infraestrutura como uma oportunidade de criar atividade econômica de longo prazo e, simultaneamente, ampliar a posição de Washington na economia digital global.

A reserva Quinault ocupa aproximadamente 210 mil acres, ou cerca de 850 km², no oeste do estado. A área inclui aproximadamente 27 milhas, ou 43 km, de litoral contínuo, característica que ajuda a explicar a importância geográfica da região para projetos de conexão submarina.

Nome Sta’O’Nuk significa “serpente de relâmpago”

A ligação entre o projeto e a Quinault Indian Nation também aparece no próprio nome escolhido pela Amazon.

Sta’O’Nuk significa “serpente de relâmpago” na língua Quinault. A nação indígena concedeu à AWS permissão para utilizar o termo no sistema, mantendo sua importância cultural e linguística.

A escolha conecta simbolicamente a velocidade da infraestrutura de comunicação à cultura da comunidade onde o cabo chegará aos Estados Unidos.

No entanto, a participação local não se limita ao nome. A Toptana desenvolverá uma das estruturas fundamentais do sistema, enquanto a Assured Communications atua como parceira estratégica, gerente do programa e prestadora de serviços operacionais da estação.

Japão terá ponto de chegada ainda não divulgado

Enquanto a localização norte-americana está definida em Ocean Shores, a Amazon ainda não revelou onde exatamente o Sta’O’Nuk chegará ao Japão.

Uma imagem divulgada pela companhia sugere uma conexão na região de Tóquio, porém a AWS não confirmou essa localização. Questionada pela DCD, a empresa informou apenas que o ponto japonês oferecerá diversidade geográfica em relação aos corredores tradicionais de cabos.

Essa diversificação representa uma característica estratégica. Redes globais não dependem apenas de capacidade bruta; elas também precisam de rotas alternativas para reduzir a dependência de poucos corredores.

Quando diferentes cabos compartilham regiões semelhantes, uma falha física, desastre natural ou interrupção em determinada área pode afetar simultaneamente várias conexões. Criar caminhos geograficamente distintos ajuda a reduzir esse risco.

Cabos submarinos viraram infraestrutura estratégica da internet

Apesar da expansão de satélites e redes móveis, a infraestrutura física instalada no fundo dos oceanos continua essencial para o funcionamento da internet internacional.

Cabos submarinos transportam enormes volumes de informações entre continentes e conectam redes de telecomunicações, empresas de tecnologia, data centers e serviços de nuvem. Por isso, eles passaram a ocupar também o centro de debates sobre segurança nacional e soberania digital.

O CPG mostrou recentemente que os Estados Unidos querem reforçar as regras para cabos submarinos justamente porque essas estruturas transportam cerca de 99% do tráfego internacional de internet e passaram a ser tratadas como ativos estratégicos para segurança e circulação de dados.

Consequentemente, projetos como o Sta’O’Nuk representam muito mais do que infraestrutura para acelerar downloads. Eles fazem parte de uma rede física que sustenta serviços financeiros, plataformas digitais, sistemas corporativos e comunicação entre países.

Inteligência artificial aumenta pressão sobre redes internacionais

O momento do anúncio também chama atenção. Empresas de tecnologia estão construindo data centers cada vez maiores para atender à expansão da inteligência artificial, enquanto modelos de IA exigem enormes quantidades de processamento e movimentação de dados.

Grandes modelos podem operar em infraestruturas distribuídas entre diferentes regiões. Nesse cenário, não basta aumentar apenas a capacidade computacional dos data centers. Também é necessário criar conexões de alta capacidade entre essas instalações.

A Data Center Knowledge informou que a AWS vê o Sta’O’Nuk como infraestrutura para aplicações intensivas em largura de banda, incluindo treinamento distribuído de grandes modelos de linguagem, computação de borda, transações financeiras e streaming de vídeo.

A expansão da IA também está alterando a infraestrutura energética desses centros.

Assim, o crescimento da IA cria duas pressões simultâneas: mais energia para processar informações e mais infraestrutura de telecomunicações para movimentá-las.

Amazon também prepara cabo próprio entre Estados Unidos e Irlanda

O Sta’O’Nuk não representa uma iniciativa isolada da AWS no fundo do oceano. A companhia também desenvolve o Fastnet, sistema transatlântico dedicado que conectará Maryland, nos Estados Unidos, ao condado de Cork, na Irlanda.

Segundo a própria Amazon, o Fastnet terá capacidade superior a 320 Tbps e deve entrar em operação em 2028, um ano antes da previsão para o Sta’O’Nuk.

A empresa afirma que sua rede global de fibra óptica já possui extensão suficiente para percorrer a distância entre a Terra e a Lua, ida e volta, mais de 11 vezes. A entrada em cabos privados amplia o controle da companhia sobre uma parte da infraestrutura física que conecta suas regiões de nuvem.

O movimento também acompanha uma tendência entre as gigantes de tecnologia. Em vez de depender exclusivamente de capacidade contratada em sistemas construídos por operadoras tradicionais, empresas de nuvem passam a investir diretamente em rotas submarinas.

Nova rota chega enquanto Google também amplia sua rede submarina

A Amazon não está sozinha nessa corrida. Google, Meta e outras gigantes digitais também investem em cabos para transportar quantidades crescentes de dados entre continentes.

O Sta’O’Nuk amplia essa corrida para o Pacífico com 20 pares de fibras e 420 Tbps. Entretanto, comparar diretamente os dois projetos exige cautela, pois capacidade, arquitetura, extensão, tecnologia e rotas são diferentes.

Ainda assim, os dois exemplos deixam clara uma tendência: as empresas responsáveis por grandes plataformas digitais também estão assumindo um papel cada vez maior na infraestrutura física da internet.

Washington não recebe um novo cabo internacional desse tipo há quase 30 anos

Além dos 420 Tbps, outro dado ajuda a dimensionar a importância regional do projeto. Segundo a DCD, o Sta’O’Nuk será o primeiro cabo submarino internacional novo a chegar ao estado de Washington em quase três décadas.

Os dois últimos sistemas citados pela publicação chegaram em 1999. Um deles foi o Pacific Crossing-1 (PC-1), entre Estados Unidos e Japão, que possui ponto de chegada em Harbour Pointe.

O outro foi o Alaska United East (AU-East), que sai de Lynnwood e segue para diferentes pontos do Alasca.

Desde então, novas rotas internacionais concentraram seus pontos de chegada em outras regiões da costa norte-americana. A construção da instalação da Toptana em Ocean Shores cria, portanto, uma nova porta para sistemas submarinos em Washington.

Estação poderá receber até quatro cabos submarinos

A capacidade da nova estação também indica que o projeto pode ir além do Sta’O’Nuk. Segundo a Toptana, a instalação foi projetada para acomodar até quatro sistemas submarinos.

Isso significa que a estrutura terrestre poderá servir como porta de entrada para outros cabos no futuro, caso novos projetos sejam desenvolvidos para a região.

A Toptana havia anunciado planos para construir uma estação de cabos ainda em 2022. Na época, a empresa esperava iniciar as obras em 2023 e colocar a instalação em operação em 2025. Agora, o projeto finalmente avançou para a fase de construção.

A infraestrutura terrestre será fundamental porque os dados que atravessarem o Pacífico precisam seguir viagem por redes de fibra em terra até data centers, pontos de troca de tráfego e clientes.

Brasil também vive expansão de cabos e data centers

Embora o Sta’O’Nuk atravesse o Pacífico, a mesma corrida por conectividade aparece no Brasil. A expansão dos data centers aumenta a importância das cidades capazes de combinar energia, infraestrutura terrestre e acesso a cabos internacionais.

O CPG mostrou que o Brasil deverá receber uma nova conexão submarina com os Estados Unidos pelo projeto Synapse, de aproximadamente 9.700 km, integrado a uma infraestrutura de data center de R$ 550 milhões no Nordeste.

A concentração dessa infraestrutura já transformou Fortaleza em um ponto estratégico da conectividade brasileira.

Portanto, o que acontece em Washington e no Japão faz parte de uma transformação global. Regiões costeiras capazes de receber cabos e conectá-los a grandes centros computacionais passam a ocupar posições estratégicas na economia digital.

Rotas alternativas também ganham importância geopolítica

A escolha das rotas deixou de ser apenas uma decisão técnica. Governos passaram a tratar cabos submarinos como infraestrutura crítica, especialmente diante da competição internacional por controle de dados e tecnologia.

Além disso, surgem projetos para criar caminhos completamente diferentes dos corredores tradicionais.

No caso do Sta’O’Nuk, a própria AWS destacou que o ponto japonês pretende oferecer diversidade geográfica em relação aos corredores tradicionais. Dessa maneira, redundância e localização tornam-se tão relevantes quanto velocidade.

Cabos de centenas de Tbps mostram como a infraestrutura da internet mudou

A evolução da capacidade dos sistemas submarinos mostra quanto a demanda digital cresceu. Redes modernas já chegam à casa das centenas de terabits por segundo, enquanto utilizam dezenas de fibras para transportar dados simultaneamente.

Outro projeto acompanhado pelo CPG ajuda a mostrar essa escala.

O Sta’O’Nuk, por sua vez, terá 420 Tbps distribuídos por 20 pares de fibras. Embora os projetos não possam ser comparados apenas pelo número máximo de Tbps, ambos mostram como a infraestrutura submarina acompanha a explosão do tráfego digital.

Esse crescimento ganha ainda mais importância com IA generativa, armazenamento em nuvem, streaming em alta resolução e processamento distribuído.

Sta’O’Nuk deverá entrar em operação em 2029

Se o cronograma avançar conforme anunciado, o novo cabo deverá começar a operar em 2029. Até lá, Amazon e seus parceiros precisarão concluir a estação de Ocean Shores, instalar a infraestrutura terrestre e realizar a implantação do sistema através do Pacífico.

Quando entrar em serviço, o Sta’O’Nuk adicionará uma nova rota direta entre Estados Unidos e Japão, com 20 pares de fibras e capacidade de 420 Tbps.

Mais do que simplesmente instalar outro cabo no fundo do oceano, a AWS amplia sua presença na camada física da internet. A mesma empresa que constrói data centers, oferece serviços de nuvem e fornece infraestrutura para inteligência artificial passa a controlar também novas rotas internacionais pelas quais volumes gigantescos de dados poderão circular.

A estratégia mostra como a corrida tecnológica deixou de acontecer apenas dentro dos servidores. Agora, ela avança também por milhares de quilômetros de fibra óptica instalados no fundo dos oceanos, conectando data centers, economias e mercados inteiros.

E você, acredita que gigantes como Amazon, Google e Meta deveriam construir e controlar seus próprios cabos submarinos internacionais, ou uma infraestrutura tão estratégica para a internet deveria ter participação maior de governos e operadoras independentes?

Fonte

Data Center Dynamics


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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