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Angra 1 fica 90 dias desligada para trocar 44 elementos combustíveis, executar 12 modificações, oito em sistemas de segurança, e mobilizar 1.700 trabalhadores em Angra dos Reis
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 24/09/2026 às 11:45
Atualizado em 24/09/2026 às 11:46
Energia Nuclear
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Parada programada 1P30 inclui troca de 44 elementos combustíveis, inspeções no vaso do reator, revisão do gerador e 12 modificações de projeto, enquanto cerca de 1.700 temporários reforçam as equipes em Angra dos Reis.
Angra 1 saiu do Sistema Interligado Nacional para uma intervenção que deve ocupar cerca de três meses. A usina nuclear de 640 MW entrou na parada programada 1P30 com troca de combustível, inspeções profundas e uma rodada de modernização ligada à operação de longo prazo da unidade.
A parada começou em 19 de setembro e foi planejada para durar aproximadamente 90 dias. Segundo informações divulgadas pela Eletronuclear e reproduzidas pelo Correio da Manhã e pela Reuters, o cronograma reúne manutenção, testes, inspeções periódicas e mudanças de projeto que precisam ser executadas com a unidade desligada.
Quarenta e quatro elementos combustíveis serão substituídos no reator
O trabalho mais visível da parada é a substituição de 44 elementos combustíveis. Os novos conjuntos foram recebidos antes do desligamento e armazenados na Piscina de Combustível Novo. Com o reator descarregado, os elementos usados no ciclo anterior são transferidos para a Piscina de Combustível Usado, enquanto os novos entram no núcleo para o próximo período de operação.
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A Indústrias Nucleares do Brasil informou, ao concluir a produção da 30ª recarga de Angra 1, que os 44 elementos foram montados com cerca de 10 mil varetas combustíveis. A fabricação terminou no fim de 2025, e o transporte para a central nuclear estava previsto para 2026, preparando a unidade para a parada agora em andamento.
Reator será aberto para inspeções visuais, ultrassom e teste de vedação da contenção
A retirada do combustível libera o acesso a componentes que permanecem inacessíveis durante a operação. A programação inclui inspeção das estruturas internas inferiores do vaso do reator por exames visuais e ultrassom automatizado, além de uma Inspeção em Serviço de dez anos sobre soldas, tubulações do circuito primário e estruturas internas.
Também está previsto o Teste Integral da Contenção, conhecido pela sigla ILRT, usado para verificar a capacidade de vedação da estrutura que envolve o reator. Outro serviço é o Upflow Conversion, alteração no caminho do fluxo do refrigerante em uma região dos componentes internos do vaso.
Doze modificações de projeto entram no cronograma e oito envolvem sistemas de segurança
A parada concentra 12 modificações de projeto, sendo oito em sistemas classificados como de segurança. Entre as intervenções anunciadas estão a substituição dos motores do sistema de recirculação da contenção, a troca de atuadores de válvulas motorizadas e a implantação de ventilação filtrada da contenção.
O pacote inclui ainda substituição de componentes ligados ao Programa de Qualificação Ambiental de Componentes Elétricos e de Instrumentação. Esse programa acompanha a capacidade de equipamentos elétricos e de instrumentação de manter suas funções nas condições para as quais foram qualificados ao longo da vida operacional da planta.
Gerador, transformadores e bomba de refrigeração também passam por manutenção
Fora do núcleo do reator, a lista de serviços alcança equipamentos de grande porte. A Eletronuclear programou revisão do gerador elétrico principal, manutenção dos transformadores de 500 kV e 138 kV, inspeção e substituição dos selos de uma das bombas de refrigeração do reator e revisão de válvulas motorizadas e pneumáticas.
Essas atividades são executadas de forma encadeada, porque parte das equipes depende da conclusão de etapas anteriores para acessar equipamentos e liberar novos serviços. Por isso, a preparação começou meses antes do desligamento, com recebimento de materiais, ferramentas e estruturas temporárias.
Cerca de 1.700 trabalhadores temporários reforçam a operação durante os três meses
A mobilização prevista para a 1P30 inclui aproximadamente 1.700 trabalhadores temporários, além das equipes permanentes da Eletronuclear. Parte dos materiais destinados aos serviços específicos veio de fornecedores internacionais e precisou ser transportada até a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto antes do início da parada.
O volume de pessoal mostra a escala de uma parada nuclear desse tipo. Na intervenção anterior de Angra 1, encerrada em julho de 2025, a empresa informou a execução de cerca de 6.545 tarefas e a participação de 1.517 profissionais contratados, incluindo 259 estrangeiros.
Parada também avança o programa que autorizou Angra 1 a operar até 2044
Parte dos serviços integra o programa de extensão da vida útil de Angra 1, o Long Term Operation. A Comissão Nacional de Energia Nuclear autorizou em novembro de 2024 a operação da usina por mais 20 anos, levando a licença até dezembro de 2044, condicionada ao cumprimento das exigências regulatórias e de segurança.
A autorização veio acompanhada de melhorias em sistemas de controle, qualificação de equipamentos, proteção e resposta a emergências. Em agosto de 2026, o Tribunal de Contas da União informou que o programa de extensão tem custo estimado superior a R$ 3,5 bilhões e cronograma que se estende até 2028.
TCU apontou risco financeiro no programa, enquanto modernizações seguem durante as paradas
A auditoria do TCU examinou contratos do programa LTO e alertou que a insuficiência de recursos financeiros poderia comprometer o ritmo das obras. O órgão analisou cinco contratos que somavam R$ 438 milhões e relacionou a continuidade do programa à capacidade financeira da Eletronuclear para executar as melhorias previstas.
A parada atual ocorre dentro desse ciclo de modernização. A licença de longo prazo já foi concedida, mas a manutenção dessa autorização depende do atendimento contínuo das condicionantes e das inspeções exigidas pelo regulador nuclear.
Unidade de 640 MW fica fora do sistema durante uma parada acordada com o ONS
Angra 1 tem capacidade instalada de 640 MW. A Eletronuclear informou que a parada foi previamente acordada com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, procedimento usado para encaixar o desligamento programado no planejamento do Sistema Interligado Nacional.
A primeira usina nuclear brasileira entrou em operação comercial em 1985 e utiliza um reator de água pressurizada do tipo PWR. Antes da atual parada, a central vinha operando dentro do ciclo iniciado após o retorno da 29ª parada, concluída em julho de 2025.
O retorno depende da conclusão das inspeções, modificações e testes de segurança
O cronograma de 90 dias coloca a conclusão dos trabalhos aproximadamente três meses após o desligamento, mas o retorno só ocorre depois da finalização das atividades previstas e dos testes necessários para liberar os sistemas. Em paradas nucleares, reabastecimento, manutenção e inspeções precisam convergir antes da retomada gradual da geração.
Com 44 elementos combustíveis novos, 12 modificações de projeto e uma força temporária de cerca de 1.700 pessoas, a 1P30 reúne em uma mesma janela o reabastecimento rotineiro e parte das mudanças que sustentam a operação de Angra 1 até 2044. Você considera acertado ampliar a vida útil da primeira usina nuclear brasileira com sucessivas modernizações? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

