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ANPTrilhos aponta 174,2 quilômetros de metrôs, trens e VLTs em obras no Brasil no primeiro semestre de 2026, em 17 empreendimentos com 115 novas estações e paradas, e São Paulo concentra 80,7 km em sete empreendimentos, segundo o balanço do setor
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 26/09/2026 às 20:57
Atualizado em 26/09/2026 às 20:58
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O balanço semestral da ANPTrilhos reúne obras em sete estados e no Distrito Federal, com 94,8% da extensão prevista até 2029; o volume equivale a 13 anos e meio do ritmo médio de expansão da rede na última década
A ANPTrilhos contou 174,2 km de metrôs, trens e VLTs em obras no Brasil no fim de junho de 2026. São 17 empreendimentos, com 115 estações e paradas, e só São Paulo tem 80,7 km.
Os números estão no Balanço do Setor Metroferroviário do 1º semestre de 2026, publicado em setembro pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos. A lista mistura metrô, VLT, monotrilho e trem urbano.
Se o calendário da entidade for cumprido, 165,1 km, ou 94,8% do total, ficam prontos entre o segundo semestre de 2026 e o fim de 2029. É um ritmo quase quatro vezes maior que o da última década.
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Quanto são 174,2 km perto da rede que já existe
O Brasil fechou 2025 com 1.144,7 km de rede metroferroviária, registra o balanço. Os 174,2 km em obra equivalem a 15,2% dessa rede.
A comparação com o passado pesa mais. Entre 2015 e 2025, a rede cresceu 129 km, o “equivalente à média de 12,9 km por ano”. A carteira atual vale 13 anos e meio desse ritmo.
A tabela mostra 165,1 km a entregar em três anos e meio, até o fim de 2029. Dá cerca de 47 km por ano, 3,7 vezes a média de 12,9 km.
Em junho, a rede somava 52 linhas em 73 municípios de 12 unidades da Federação. No primeiro semestre, a entidade registrou 1,30 bilhão de passageiros, média de 8,86 milhões por dia útil, alta de 2,7% sobre o mesmo período de 2025.
O cronograma da ANPTrilhos tem dois picos
A distribuição por ano de entrega mostra onde o esforço se concentra. Para 2027 estão previstos 55,2 km. Para 2029, 56,6 km, o maior volume da série. Em 2028 entram outros 44,2 km.
O que falta de 2026 é pouco: 9,1 km, todos da primeira etapa da Linha 6-Laranja, em São Paulo. Nenhum quilômetro tem entrega marcada para 2030.
Depois do vazio de 2030, a lista volta a ter entrega em 2031, com 3,3 km, e em 2032, com 5,8 km.
Sete estados e o Distrito Federal dividem as 17 obras
As obras estão em São Paulo, Bahia, Ceará, Alagoas, Paraíba, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Somada a tabela oficial por região, o Nordeste fica com 76,3 km em sete empreendimentos.
O Sudeste soma 94,3 km em nove, e o Centro-Oeste, 3,6 km em um. O Nordeste tem 43,8% dos quilômetros em obra, quase o mesmo peso de São Paulo sozinho.
Em 30 de junho de 2026, a carteira registrada pela ANPTrilhos era esta, da obra mais longa para a mais curta:
São Paulo tem sete obras, e a maior delas é um trem
São Paulo lidera a extensão em execução, com 80,7 km e 38 estações e paradas, 46,3% do total nacional. São cinco frentes de metrô em três linhas, uma de monotrilho e uma de trem.
A maior obra do país não é de metrô. É o trem intermetropolitano entre Jundiaí e Campinas, com 44 km e cinco estações, que a tabela registra como trem urbano. Sozinho, ele responde por 25,3% dos quilômetros da lista e por 54,5% dos quilômetros paulistas.
O serviço será parador, com paradas intermediárias em Louveira, Vinhedo e Valinhos. A concessionária TIC Trens prevê viagem de cerca de 33 minutos e início da operação em 2029. Na conta simples, 44 km em 33 minutos dão média de 80 km/h, já com as paradas.
A TIC Trens informa que o trem faz parte do TIC Eixo Norte, pacote de R$ 14,2 bilhões com o expresso São Paulo-Campinas e a modernização da Linha 7-Rubi. O expresso, previsto para 2031, não aparece na tabela da ANPTrilhos.
Em agosto, a concessionária relatou frentes de trabalho no canteiro de obras, na terraplenagem, nas contenções e numa passagem inferior para veículos sob a via férrea.
Seis estações da Linha 6-Laranja abriram dois dias depois do corte
O balanço fotografa a carteira em 30 de junho. Em 2 de julho, São Paulo abriu o primeiro trecho da Linha 6-Laranja, com as estações João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes.
Por isso a tabela ainda mostra a etapa 1 com 9,1 km e oito estações. Uma nota do próprio documento registra que 5,2 km e seis estações foram entregues em julho. Da etapa 1, restam 3,9 km e duas estações.
A etapa 2, com 5,9 km e sete estações, está marcada para 2027. Completa, a linha vai ligar a Brasilândia, na zona norte, a São Joaquim, no centro. A ANPTrilhos informa uma previsão de cerca de 633 mil passageiros por dia.
A Água Branca passou a ser a estação mais profunda do metrô paulistano, com quase 50 metros, destaca a entidade. A linha é uma parceria público-privada, e a Concessionária Linha Universidade terá a operação por 19 anos, contados a partir da conclusão.
Tudo o que fica para 2029 em diante está em São Paulo
Somados os prazos, aparece um recorte: os 65,7 km com entrega marcada para 2029, 2031 e 2032 estão todos em São Paulo. Fora do estado, os 93,5 km restantes têm prazo até 2028.
Além do trem de Jundiaí a Campinas, entram nessa conta dois trechos da Linha 2-Verde. Vila Prudente-Penha tem 8,0 km e oito estações para 2029. Penha-Dutra, com 5,8 km e cinco estações, tem o prazo mais distante da lista, 2032.
A extensão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra, com 3,3 km e duas estações, está prevista para 2031. O monotrilho da Linha 15-Prata ganha 4,6 km e três estações entre Ipiranga e Jacu-Pêssego em 2029.
A Bahia é a segunda, com mais estações e paradas que São Paulo
A Bahia aparece em segundo lugar, com 35,9 km nos três lotes do VLT de Salvador e Região Metropolitana. São 42 estações e paradas, mais que as 38 de São Paulo, em menos da metade da extensão.
A diferença está no sistema. No VLT baiano há, em média, uma parada a cada 0,85 km. Nas obras paulistas, a média é de uma estação a cada 2,1 km, puxada pelo trem de Jundiaí a Campinas.
O lote 1, entre Ilha de São João, Calçada e Comércio, tem 16,2 km e 25 estações e paradas para 2027, registra a tabela. Os lotes 2, de Paripe a Águas Claras, e 3, de Águas Claras a Piatã, somam 19,7 km e 17 paradas para 2028.
O primeiro trecho, de 4,0 km entre a Estação Calçada e a Parada Lobato, entrou em operação assistida em 29 de junho. No começo de setembro, o VLT já tinha passado de 100 mil passageiros, com a linha estendida até a Parada Marisqueiras, cerca de 6 km.
A ANPTrilhos informou ainda que, desde 3 de setembro, os veículos circulam de segunda a sexta, das 6h30 às 16h. Nesta fase de implantação, a viagem é gratuita.
Arapiraca e Campina Grande levam o VLT ao interior do Nordeste
Duas obras nordestinas ficam fora das capitais, e as duas estão marcadas para 2027. O VLT de Arapiraca, em Alagoas, tem 13,0 km e oito estações e paradas. O de Campina Grande, na Paraíba, tem 15,0 km e dez.
Em Arapiraca, os testes começaram em 31 de agosto, sobre 8,3 km já remodelados da primeira etapa, que aproveita 9 km de ferrovia existente. Quem implanta é a Ferrovia Transnordestina Logística, com investimento estimado em R$ 200 milhões.
A FTL explicou que nos testes roda uma locomotiva elétrica, maior e mais pesada que o VLT definitivo, puxando um carro de passageiros. Os três veículos da operação estão em fabricação pela Marcopolo, com chegada prevista até abril de 2027.
A segunda etapa, de 4 km, ainda está em projeto executivo, com obras previstas para o início de 2027, o mesmo ano que o balanço marca para a entrega. Em Campina Grande, a prefeitura prevê a infraestrutura pronta no segundo semestre de 2027.
Fortaleza terá VLT até o Castelão e metrô até o Papicu
O Ceará tem duas obras, com 12,4 km e sete estações. O VLT Aeroporto-Castelão, de 5,1 km e duas estações, está previsto para 2027. A fase 1 da Linha Leste do metrô, entre o Centro e o Papicu, tem 7,3 km e cinco estações para 2028.
A cidade já estreou uma linha no semestre, detalha o balanço. A Linha 4-Laranja, ramal do VLT até o Aeroporto Internacional Pinto Martins, foi inaugurada em 6 de fevereiro e opera de forma assistida desde o dia 9.
O ramal tem 2,4 km e uma estação, a Aeroporto, e liga ao terminal aéreo a Linha Nordeste, entre Parangaba e Mucuripe. A viagem estimada é de 5 minutos, informa o documento.
A Linha 2 de Belo Horizonte vai usar 35 mil dormentes
Em Minas Gerais, a obra é a Linha 2 do metrô de Belo Horizonte, com 10,5 km e sete estações. O Metrô BH afirma que ela vai ampliar em 46% a rede da região metropolitana e ligar 90 bairros, com operação completa prevista para março de 2028.
Em setembro, começou uma nova etapa da Linha 2, com frentes nas futuras estações Nova Gameleira, Nova Cintra e Vista Alegre. A primeira etapa fez a via dupla entre as estações Nova Suíça e Amazonas. O balanço anota 1,5 km e duas estações entregues em julho.
A escala aparece nos materiais. São 21 km de trilhos, porque a linha tem duas vias, mais de 2.500 toneladas de aço e cerca de 35 mil dormentes. Só os dormentes somam quase 10 mil toneladas, peso “comparável ao de mil ônibus urbanos”, nas palavras do Metrô BH.
A Novo Eldorado, 20ª estação da Linha 1, aberta em fevereiro em Contagem, acrescentou 1,7 km, registra o balanço.
Rio e Brasília entram com uma obra cada, ambas para 2028
No Rio, a Linha 4 do metrô ganha 3,1 km e uma estação, a da Gávea. É a obra mais curta de toda a lista.
Em Brasília, o ramal Samambaia da Linha 1 do metrô soma 3,6 km e duas estações, a única obra do Centro-Oeste na carteira.
O semestre entregou 15,4 km e três linhas novas
Enquanto a carteira andava, o balanço registrou entregas de 15,4 km e 17 estações e paradas no primeiro semestre. A rede passou de 49 para 52 linhas.
A maior entrega foi a Linha 17-Ouro, do monotrilho de São Paulo, inaugurada em 31 de março. Na data de corte, já com a Estação Washington Luís aberta, a linha tinha oito estações e 6,3 km, ligando o Aeroporto de Congonhas à rede.
As outras foram o primeiro trecho do VLT de Salvador, com 4,0 km, o ramal do Aeroporto do VLT de Fortaleza, com 2,4 km, a Estação Novo Eldorado do metrô de BH, com 1,7 km, e a Estação Todos os Santos do VLT de Teresina, com 1,0 km.
O semestre sozinho superou a média anual da última década, de 12,9 km. No ritmo de 15,4 km a cada seis meses, porém, o país faria 30,8 km por ano, abaixo dos cerca de 47 km anuais que a carteira pede até 2029.
O VLT lidera a lista e tem mais da metade das estações
Por tipo de sistema, a tabela mostra o VLT com 69,0 km, 39,6% do total. Depois vêm o metrô, com 56,6 km, o trem urbano, com 44,0 km, e o monotrilho, com 4,6 km.
Nas estações, a vantagem cresce. Somada a tabela, o VLT tem 62 das 115 estações e paradas, ou 53,9%. O metrô tem 45, o trem urbano, 5, e o monotrilho, 3.
O VLT, veículo leve sobre trilhos, usa composições menores que as do metrô e pode circular na superfície, até em ruas e avenidas. Já o trem de Jundiaí a Campinas liga cidades vizinhas e para pouco.
Nas obras da lista, há uma parada de VLT a cada 1,1 km, uma estação de metrô a cada 1,3 km e uma de trem a cada 8,8 km.
Na rede em operação, o balanço contou 19 linhas de VLT entre as 52, ou 36,5%, mais que qualquer outro sistema. O metrô tem 16, o trem urbano, 15, e o monotrilho, 2.
Por que a carteira da ANPTrilhos cresceu 35,5 km desde abril
No balanço anual de 2025, divulgado em abril, a ANPTrilhos contava 138,7 km em obras e 123 estações e paradas, com entregas entre 2026 e 2028. De um balanço para o outro, a extensão subiu 35,5 km.
A explicação está numa nota da tabela: nesta edição, o enquadramento do trem Jundiaí-Campinas “foi revisto em conjunto com a concessionária”, e a obra passou a integrar a carteira de obras metroferroviárias.
A nota cita o Marco Legal do Transporte Público Coletivo, a Lei 15.432/2026. E explica que a lei considera urbano o serviço intermunicipal com operação típica de cidade, mas não fixa critérios para essa classificação. Sem esse trem, a carteira teria 130,2 km, 8,5 km a menos que no balanço de abril.
As estações e paradas foram na direção contrária e caíram de 123 para 115. O trem acrescenta cinco, e o trecho Penha-Dutra da Linha 2-Verde, que não estava no balanço anterior, outras cinco. As obras entregues no semestre saíram da conta. O calendário também esticou e agora vai até 2032.
O plano nacional prevê mais de 1,3 mil km sobre trilhos
A carteira em obra é uma parte pequena do que o planejamento federal estima. O balanço destaca o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, do BNDES com o Ministério das Cidades, que prevê expansão ou qualificação de mais de 1,3 mil km sobre trilhos.
São 450 km de metrô, 366 km de trem urbano e de 555 km a 933 km de VLT. A faixa do VLT existe porque 22 projetos, com 378 km, ainda podem virar BRT ou VLT. Os 174,2 km em obra equivalem a algo entre 10% e 13% desse total.
O estudo calcula de R$ 400 bilhões a R$ 437 bilhões em investimento de infraestrutura e frota, em valores nominais. A estimativa abrange todos os modos de média e alta capacidade, como o BRT, “e não exclusivamente os sistemas sobre trilhos”.
Em declaração publicada pelo Mobilidade Sampa, a diretora-presidente da ANPTrilhos, Ana Patrizia Lira, disse que o desafio é garantir que esse movimento tenha continuidade, “com novos projetos estruturados e condições de financiamento”.
Depois da Linha 6-Laranja, 2027 concentra os VLTs do Nordeste
Pela tabela, a próxima entrega é o restante da etapa 1 da Linha 6-Laranja: 3,9 km e duas estações, ainda em 2026.
Em 2027 vêm 55,2 km: o lote 1 do VLT de Salvador, os VLTs de Campina Grande e Arapiraca, o VLT Aeroporto-Castelão e a etapa 2 da Linha 6-Laranja. Desses 55,2 km, 49,3 km são de VLT no Nordeste.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

