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ANTT suspende testes de radares que calculam velocidade média entre dois pontos em rodovias de oito estados para ajustes, e nenhum motorista recebeu multa
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 22/09/2026 às 23:49
Atualizado em 22/09/2026 às 23:50
Transporte Rodoviário
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Sistema experimental acompanharia o tempo gasto pelos veículos entre diferentes pontos das rodovias, mas velocidade média registrada não poderia, sozinha, resultar em autuação ou penalidade.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspendeu temporariamente os testes de controle de velocidade média previstos em rodovias concedidas de oito estados brasileiros. A decisão interrompe uma experiência que pretendia avaliar um sistema diferente dos radares convencionais, capaz de calcular a velocidade desenvolvida pelo motorista durante determinado trecho, e não apenas no instante em que o veículo passa pelo equipamento.
A medida foi adotada para permitir análises técnicas e ajustes relacionados à sinalização, comunicação com os usuários e procedimentos operacionais. A ANTT também esclareceu um ponto importante sobre o projeto: nenhum motorista foi autuado, multado ou penalizado com base nos testes, já que os dados coletados tinham finalidade técnica, educativa e experimental.
Radares de velocidade média calculam quanto tempo o motorista leva para percorrer um trecho da rodovia
O funcionamento da tecnologia muda a lógica dos radares tradicionalmente encontrados nas estradas brasileiras. Enquanto um equipamento convencional mede a velocidade em determinado ponto, o radar de velocidade média utiliza dois ou mais locais para acompanhar o tempo gasto pelo veículo durante um percurso conhecido.
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O veículo é identificado em um ponto e novamente registrado adiante. Com a distância entre os equipamentos e o tempo necessário para completar o trajeto, torna-se possível calcular a velocidade média naquele trecho. Os locais escolhidos para o experimento também deveriam informar aos usuários que o sistema estava sendo testado.
Essa diferença permitiria observar o comportamento dos motoristas durante uma distância maior. Ainda assim, a velocidade média registrada não poderia, por si só, resultar em multa, autuação ou qualquer outra penalidade durante a fase experimental autorizada pela ANTT.
Testes estavam previstos em rodovias concedidas de oito estados brasileiros
No começo de setembro de 2026, a ANTT havia autorizado testes do sistema em Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O objetivo era avaliar a tecnologia para possível utilização em rodovias federais concedidas.
No Espírito Santo, estavam previstos trechos da BR-101, enquanto Goiás teria testes na BR-414 e Mato Grosso do Sul na BR-163. Minas Gerais concentraria experiências nas BR-050, BR-381, BR-040 e BR-116. No Paraná, apareciam PR-444, PR-862, BR-376, BR-163, BR-277 e PR-151.
O Rio de Janeiro teria trechos monitorados na BR-101, incluindo a Ponte Rio-Niterói, além da BR-116. No Rio Grande do Sul, a experiência estava prevista na BR-386, enquanto Santa Catarina teria pontos de avaliação na BR-101.
Projeto da ANTT tinha caráter experimental e não permitia multas pela velocidade média
Desde a autorização da iniciativa, a ANTT determinou que as informações obtidas durante os testes não poderiam ser utilizadas para aplicar penalidades aos motoristas exclusivamente pela velocidade média. A fiscalização teria função técnica e permitiria observar o comportamento dos usuários nos trechos monitorados.
O projeto-piloto foi apresentado pela agência como uma experiência educativa e experimental. Um dos períodos previstos para avaliação era de 180 dias e poderia ser prorrogado, enquanto os resultados ajudariam a analisar o funcionamento da tecnologia nas concessões rodoviárias.
A suspensão mudou temporariamente esse cronograma. Segundo a ANTT, os procedimentos passam agora por análises e revisões operacionais, além de ajustes na sinalização e na maneira como o projeto é comunicado aos usuários, antes de uma eventual retomada.
Experiência na BR-050 registrou queda de 22,5% nos flagrantes após ação educativa
O uso experimental de radares de velocidade média no Brasil começou antes dessa iniciativa. Na BR-050, em Uberaba, Minas Gerais, a EcoRodovias já testava a tecnologia em aproximadamente 11 quilômetros de uma região marcada por acidentes de trânsito.
Segundo a concessionária, o número de flagrantes de excesso de velocidade caiu 22,5% na comparação entre os 15 dias anteriores e os 15 dias posteriores a uma blitz educativa realizada com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Motoristas abordados recebiam informações sobre o funcionamento do projeto e orientações de segurança viária.
O gerente de operações da Eco050 e da Ecovias do Cerrado, Bruno Araújo Silva, explicou que os condutores eram levados até uma estrutura montada para receber informações sobre a experiência. Na BR-050, o sistema permaneceu direcionado às campanhas educativas de segurança viária.
São Paulo chegou a emitir 852 mil notificações educativas em seis meses de testes
São Paulo também experimentou a tecnologia antes da nova iniciativa da ANTT. Durante seis meses de testes, mais de 852 mil notificações foram emitidas, mas os avisos tinham caráter educativo e não resultavam em multas ou registro de infrações de trânsito.
Os equipamentos estavam instalados em quatro pontos da capital paulista: Avenida Jacu Pêssego, Avenida dos Bandeirantes, Marginal Tietê e Avenida 23 de Maio. A Jacu Pêssego, na Zona Leste, concentrou o maior número de notificações. A avenida possui cerca de 26 quilômetros, mas somente três quilômetros foram monitorados.
Essas experiências anteriores mostraram como a velocidade média poderia ser acompanhada durante um percurso, enquanto o novo projeto ampliaria a avaliação para rodovias concedidas de diferentes estados. Com a suspensão determinada pela ANTT, os novos testes permanecem interrompidos enquanto o sistema passa pelos ajustes previstos pela agência.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

