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Aos 10 anos, garoto canadense lê livro sobre a falta de água potável, decide caminhar 350 km em dois meses, encerra a campanha com 351 km percorridos e mais de US$ 4 mil arrecadados, e vê o poço financiado por ele ser batizado com seu nome em Uganda
Escrito por Carla Teles
Publicado em 12/09/2026 às 18:28
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A jornada de Finley Johnston, de Westport, no Canadá, começou depois que ele leu “A Long Walk to Water” e conheceu pessoalmente Ryan Hreljac, fundador da ONG que começou a arrecadar dinheiro para poços ainda na primeira série.
Aos 10 anos, o canadense Finley Johnston, de Westport, decidiu caminhar 350 km ao longo de dois meses para arrecadar dinheiro destinado à construção de um poço de água potável em um país em desenvolvimento, em parceria com a Ryan’s Well Foundation.
A meta era reunir US$ 3 mil, valor que ajudaria a cobrir parte dos cerca de US$ 12 mil necessários para escavar um poço. Na reta final da campanha, Finley já havia arrecadado mais de US$ 2 mil, faltando apenas o trecho final de 19 km para encerrar simbolicamente a caminhada.
Um livro que virou ação
Tudo começou com uma leitura. Finley Johnston teve contato com “A Long Walk to Water”, romance da autora Linda Sue Park inspirado em histórias reais sobre a dificuldade de acesso à água em regiões da África, onde crianças caminham horas todos os dias apenas para conseguir encher um balde. Para muitos leitores, um livro assim termina na última página. Para Finley, foi só o começo.
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“Depois que eu li, eu quis agir”, contou o garoto sobre o momento em que decidiu transformar a comoção da leitura em um projeto concreto. A partir daí, ele passou a caminhar vários quilômetros quase todos os dias, ao longo de dois meses seguidos, num esforço que exigiu disciplina pouco comum para uma criança de 10 anos, não como brincadeira ou tarefa escolar, mas como uma campanha de arrecadação com meta, prazo e propósito definidos.
O encontro com quem começou tudo ainda na 1ª série
A escolha da causa não foi aleatória. A ligação de Finley com a Ryan’s Well Foundation, organização canadense dedicada a levar água potável e saneamento básico a países em desenvolvimento, se fortaleceu depois que ele conheceu pessoalmente Ryan Hreljac, fundador da entidade.
O relato de Ryan sobre a própria origem da fundação parece ter causado forte impressão no garoto. “Ele me contou que, quando estava só na primeira série, começou a arrecadar dinheiro para construir um poço”, disse Finley. A história funcionou quase como um espelho: um menino que, ainda muito novo, decidiu que problemas do outro lado do mundo também podiam ser resolvidos por alguém pequeno o suficiente para ainda estar nos primeiros anos da escola. Se Ryan tinha começado quando ainda estava na 1ª série, Finley, já um pouco mais velho, sentiu que também podia fazer sua parte.
350 km e uma meta de US$ 3 mil
Foi dessa combinação, um livro que abriu os olhos e um exemplo real de alguém que agiu ainda criança, que nasceu o desafio que Finley estabeleceu para si mesmo: caminhar 350 km e arrecadar US$ 3 mil para contribuir com a construção de um poço.
O valor não foi escolhido ao acaso. Segundo o próprio Finley, um poço custa cerca de US$ 12.000 para ser escavado, o que significa que sua meta de arrecadação, sozinha, poderia cobrir um quarto de todo o custo de um projeto desses. “Até agora já arrecadei mais de US$ 2.000, e espero conseguir chegar aos US$ 3.000 em breve”, disse ele, demonstrando que a meta, embora ambiciosa para uma criança, estava dentro do alcance real da campanha.
Por que água limpa também é uma questão de educação
Ao explicar por que a causa importa tanto, Finley foi além do argumento óbvio de que água limpa salva vidas. Ele apontou uma consequência menos discutida da falta de acesso à água potável: o impacto direto na educação, especialmente das meninas.
“Meninas às vezes não conseguem ir à escola porque precisam caminhar o dia inteiro para buscar água para a família”, explicou o garoto. Em muitas comunidades de países em desenvolvimento, é justamente sobre meninas e mulheres que recai a responsabilidade diária de buscar água em fontes distantes de casa, uma tarefa que consome horas e, na prática, acaba substituindo o tempo que poderia ser dedicado à sala de aula. Construir um poço, nesse sentido, não resolve apenas um problema de saúde pública: também devolve tempo e oportunidade a quem, de outra forma, passaria a infância caminhando atrás de água em vez de aprendendo a ler e escrever.
A reta final da caminhada
Faltava pouco para Finley cruzar a própria linha de chegada. O plano era completar os últimos 19 km da caminhada num sábado, partindo de casa em direção a Westport a partir das 9h da manhã. O trajeto passaria pelas estradas Greenbay, McNeil, Lee e Westport, com chegada prevista para a 1 da tarde na Westport Brewing Company, ponto final simbólico de dois meses de esforço.
Para quem quisesse acompanhar ou apoiar a causa pessoalmente, Finley garantiu que seria fácil reconhecê-lo pelo caminho: estaria vestido inteiramente de azul, carregando uma bandeira com os dizeres “Walk for Water”.
Num detalhe que reflete bem o momento em que a caminhada aconteceu, em plena pandemia de Covid-19, em maio de 2020, o garoto também explicou como pretendia receber doações em dinheiro mantendo distanciamento seguro: “Vou levar um bastão comprido com uma rede na ponta, para que as pessoas possam doar a uma distância segura.”
Finley disse esperar que sua caminhada simbólica, somada às doações arrecadadas ao longo do caminho, significasse que outras crianças, em algum lugar do mundo, não precisariam mais passar horas do dia caminhando atrás de água só para sobreviver.
O desfecho: meta superada e um poço com o nome dele
A caminhada foi concluída exatamente como planejado, com um pequeno bônus. No sábado, 30 de maio de 2020, um dia depois de completar 11 anos, Finley caminhou o trecho final rumo a Westport, que acabou somando 20 km em vez dos 19 km inicialmente previstos. Na véspera, ele já comemorava nas redes: “Hoje bati 331 km, então quando eu chegar a Westport vou estar em exatamente 350 km!”
O resultado final superou a própria meta em todas as frentes. Segundo atualização publicada pela família em 10 de junho de 2020, Finley encerrou a campanha com 351 km caminhados e US$ 4.237,37 arrecadados, bem mais que o objetivo original de US$ 3 mil.
Uma atualização publicada posteriormente pela família, cuja página original atualmente se encontra indisponível, informou que as doações ajudaram a viabilizar o projeto “Finley’s Spring”, no subcondado de Mayanga, distrito de Mitooma, em Uganda, com atendimento a mais de 200 pessoas. Já o Shining World Compassion Award é confirmado pela organização responsável pela homenagem.
O que começou com a leitura de um livro sobre a falta de água do outro lado do mundo terminou, quase um ano depois, com água de verdade saindo de uma fonte que carrega o nome do garoto que decidiu, aos 10 anos, que também podia fazer sua parte.
E você? Já parou para pensar no que uma criança da sua família, da sua rua ou da escola dos seus filhos poderia fazer se decidisse abraçar uma causa assim? Já viu de perto algum caso parecido, de uma criança ou adolescente que transformou uma leitura, uma aula ou uma experiência pessoal em ação concreta para ajudar outras pessoas? Conte a história nos comentários, ela pode inspirar outros pais, professores e leitores a apoiar a próxima ideia boa que surgir por aí.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

