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Aos 10 anos, garoto começa a recolher latinhas para ajudar pessoas e o meio ambiente, chega aos 13 com 1,5 milhão de unidades recicladas, processa mais de 1 tonelada de alumínio por mês e arrecada cerca de R$ 130 mil, mas decide doar o dinheiro a bancos de alimentos e instituições beneficentes
Escrito por Ana Alice
Publicado em 15/09/2026 às 05:04
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Uma ideia iniciada aos 10 anos transformou latas descartadas em uma rede comunitária que já movimentou toneladas de alumínio, arrecadou milhares de libras e continua ajudando famílias e bancos de alimentos na Inglaterra.
Uma latinha vazia quase não pesa e, vendida sozinha como sucata, vale muito pouco. Mas Ryan Hulance resolveu descobrir o que aconteceria se juntasse milhares delas.
Aos 13 anos, o adolescente de Solihull, na Inglaterra, já havia chegado a cerca de 1,5 milhão de latas recicladas e aproximadamente £18 mil arrecadados, valor equivalente a algo próximo de R$ 130 mil nas conversões divulgadas por veículos brasileiros.
O detalhe que muda a história é o destino do dinheiro. Ryan não juntou as latas para comprar um videogame, guardar a quantia ou transformar a iniciativa em renda pessoal.
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Os recursos foram direcionados a bancos de alimentos, instituições sociais e ações destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade. Uma atualização publicada em setembro de 2026 pelo Economic Times confirma que o projeto continuava ativo e que o adolescente dedicava até 20 horas por semana à operação, conciliando tudo com a escola.
A escala também ajuda a entender como uma ideia infantil deixou de caber dentro de uma coleta improvisada. No início de 2026, a iniciativa já processava mais de uma tonelada de latas de alumínio por mês e buscava um espaço industrial maior para armazenar o material.
O objetivo era elevar esse volume para algo entre 3,5 e 5 toneladas mensais.
Uma ideia que começou quando Ryan tinha 10 anos
Tudo começou de maneira muito menor, em novembro de 2022, quando Ryan tinha 10 anos. Depois de ver os pais entregarem alimentos a uma família que enfrentava dificuldades financeiras, ele começou a procurar uma maneira de ajudar outras pessoas sem simplesmente pedir dinheiro a conhecidos.
A resposta apareceu no lixo. Ryan descobriu que centros de reciclagem pagavam por latas vazias de alumínio e percebeu que poderia pedir a moradores e estabelecimentos que separassem o material em vez de descartá-lo normalmente.
O valor da venda seria convertido em produtos para bancos de alimentos.
Na época, o próprio garoto explicou que queria unir duas preocupações que enxergava ao seu redor: desperdício e dificuldade para comprar comida.
A estratégia tinha uma vantagem simples. Quem contribuía não precisava necessariamente tirar dinheiro do bolso, bastava guardar as embalagens que normalmente seriam jogadas fora.
Os primeiros pedidos foram feitos a cafés, bares, empresas, vizinhos e outros estabelecimentos de Solihull. Vieram algumas centenas de latas por semana, quantidade que a família ainda conseguia administrar de maneira bastante artesanal.
Milhares de latas começaram a ocupar espaço
Com o aumento das doações, surgiu um problema inesperado: como diminuir o espaço ocupado por milhares de latas vazias?
Em uma das fases iniciais, os pais de Ryan chegaram a passar o carro sobre as embalagens para achatá-las antes de colocá-las em sacos, segundo relatos posteriores sobre o projeto.
A solução improvisada deixou de ser suficiente conforme a rede cresceu. Em março de 2026, Ryan já recebia aproximadamente 20 mil latas por semana de cerca de 200 fornecedores regulares.
A família passou então a utilizar equipamento industrial para comprimir o alumínio em grandes fardos, facilitando o armazenamento e o transporte.
Parte dessa transformação passou pelo Birmingham Airport. Em maio de 2025, o aeroporto anunciou uma contribuição de £5 mil para ajudar a iniciativa a adquirir uma prensa de latas.
Naquele momento, Ryan e a família já haviam processado mais de 1 milhão de unidades, segundo o próprio aeroporto.
Projeto ganhou estrutura formal no Reino Unido
A operação também ganhou uma estrutura formal. A We Can Community CIC foi incorporada em 3 de novembro de 2023 e permanece registrada como uma Community Interest Company, modelo britânico criado para empresas que desenvolvem atividades em benefício da comunidade.
O registro oficial do governo britânico classifica entre as atividades da organização a coleta de resíduos não perigosos.
Isso significa que o projeto deixou de depender apenas de um garoto batendo à porta de comerciantes e passou a funcionar dentro de uma estrutura empresarial voltada a objetivos comunitários.
1,5 milhão de latas e cerca de £18 mil arrecadados
O crescimento aparece também nos números mais recentes. Reportagens publicadas em 2026 situaram o total acumulado em aproximadamente 1,5 milhão de latas, com cerca de £18 mil gerados para bancos de alimentos e outras causas sociais.
No Brasil, esse montante foi convertido por veículos nacionais para valores próximos de R$ 127 mil a R$ 130 mil.
Uma estimativa publicada pela Itatiaia apontou que as 1,5 milhão de unidades representam aproximadamente 34 toneladas de alumínio.
O dado ajuda a colocar em perspectiva o tamanho alcançado pela coleta, que começou com poucas centenas de latas e passou a movimentar dezenas de milhares delas semanalmente.
Dinheiro obtido não fica com Ryan
O dinheiro obtido com a venda do metal não é tratado como remuneração pessoal de Ryan. A lógica da We Can é transformar o valor do alumínio em apoio para quem precisa, principalmente por meio de alimentos e produtos destinados a organizações locais.
Já em 2023, o Solihull Observer registrava que o garoto utilizava os recursos para comprar produtos para bancos de alimentos.
Com o crescimento da iniciativa, o alcance foi ampliado para outras ações comunitárias e instituições da região.
A quantidade de parceiros também continuou aumentando. Em junho de 2026, por exemplo, o Lucton House Care Home anunciou que havia se tornado um novo ponto de coleta da We Can Community CIC.
O local passou a receber latas para ajudar a financiar bancos de alimentos, famílias e projetos comunitários em Birmingham e Solihull.
Assista o vídeo
Mais de uma tonelada de alumínio por mês
O crescimento trouxe, porém, um problema bastante físico. Toneladas de latas precisam ficar em algum lugar antes de seguir para reciclagem.
Em janeiro de 2026, o Solihull Observer informou que parte do material ainda era mantida em um endereço residencial. Com mais de uma tonelada chegando mensalmente, a organização começou a procurar um galpão seco e seguro que pudesse receber a operação sem limitar a expansão.
Ryan estabeleceu como meta atingir regularmente entre 3,5 e 5 toneladas de alumínio por mês.
Segundo a organização, essa seria uma escala capaz de sustentar de maneira mais ampla o objetivo que motivou o projeto desde o começo: arrecadar dinheiro suficiente para comprar grandes volumes de alimentos para pessoas em necessidade.
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Ana Alice
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Escola, amigos e até 20 horas semanais de reciclagem
O adolescente também continua dividindo essa rotina com atividades comuns de alguém de sua idade. Reportagens de 2026 apontam que ele dedica até 20 horas semanais à coleta, separação e preparação das latas, principalmente depois das aulas e nos fins de semana.
Em uma das entrevistas reproduzidas pela imprensa, Ryan reconheceu que às vezes pensa que poderia estar jogando videogame com os amigos.
Ainda assim, disse gostar do projeto porque consegue ajudar famílias que precisam de apoio.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

