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Aos 100 anos, jardineiro e sanfoneiro que nasceu na roça entra em um avião pela primeira vez na vida, chora na janela e já marcou o próximo sonho: conhecer o mar

Aos 100 anos, jardineiro e sanfoneiro que nasceu na roça entra em um avião pela primeira vez na vida, chora na janela e já marcou o próximo sonho: conhecer o mar

SP

3 min de leitura

Aos 100 anos, jardineiro e sanfoneiro que nasceu na roça entra em um avião pela primeira vez na vida, chora na janela e já marcou o próximo sonho: conhecer o mar

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 01/09/2026 às 11:18

Atualizado em 01/09/2026 às 11:20

Curiosidades

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Emílio Gimenes Urquiza nasceu na roça em 1926, passou a vida cuidando de jardim e tocando sanfona, e poucos dias antes de completar cem anos entrou pela primeira vez num avião, ao lado da neta, com o mar ainda pendente na lista de coisas que quer conhecer.

A história foi publicada pelo portal Só Notícia Boa em 28 de agosto, a partir do registro feito pela própria família. Emílio é morador de Franca, no interior de São Paulo, e completou cem anos pouco depois do voo. O vídeo original, gravado pela neta, passou de 3,7 milhões de visualizações.

Quem o acompanhou foi Maria Fernanda Gimenes, que se mudou para São Paulo em 2019 e registrou a reação do avô durante a viagem. Segundo o relato dela, publicado junto com as imagens, poder viver aquilo ao lado do avô foi um dos maiores privilégios da vida dela.

Cem anos de chão antes do primeiro voo

O que dá peso à cena não é o avião, é a distância percorrida até ele. Emílio nasceu em 1926, numa área rural, numa época em que a aviação comercial brasileira mal existia e voar era coisa de pouquíssima gente. Trabalhou como jardineiro, ofício de mão na terra, e tocou sanfona, instrumento que atravessa a cultura do interior paulista.

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Durante quase um século, portanto, a vida dele se organizou inteira no nível do solo. Não por decisão, e sim porque voar nunca esteve entre as coisas que o cotidiano oferecia. Conforme o relato da família, a primeira vez aconteceu apenas agora, às vésperas do centenário.

Há uma geração inteira nessa situação no Brasil. Gente que viu o país mudar de economia agrária para urbana, que acompanhou a chegada da eletricidade, do telefone e da internet nas próprias casas, e que nunca subiu num avião porque passagem aérea seguiu sendo, por décadas, item caro e distante da rotina de quem trabalha com as mãos.

O detalhe que a família guardou

O gesto que dá a medida da história é o que veio depois. Emílio não tratou o voo como encerramento de uma lista, e sim como abertura. Segundo o que a família contou, ele já marcou o próximo desejo: conhecer o mar.

Franca fica a mais de trezentos quilômetros do litoral paulista, num trecho do interior onde muita gente cresce sem nunca ver praia. Para alguém nascido na zona rural em 1926, o oceano é o mesmo tipo de coisa que o avião era até semana passada: algo que existe, que todo mundo descreve, e que nunca coube no orçamento nem na agenda.

Vale registrar o que a reportagem não informa. Não há a data exata do voo, apenas a indicação de que aconteceu dias antes do centenário, nem o destino da viagem. Também não se sabe se a família já tem plano concreto para a ida ao litoral. O que existe é o registro do que aconteceu e a fala da neta.

Por que um vídeo desses alcança milhões

O vídeo passou de 3,7 milhões de visualizações, e não é difícil entender o motivo. Ele condensa, em poucos segundos, uma coisa que quase toda família brasileira reconhece: o avô ou a avó que trabalhou a vida inteira, criou filhos, sustentou casa, e adiou indefinidamente as próprias vontades porque não havia margem.

Além disso, há a inversão de papéis. Quem levou Emílio ao avião foi a neta, que saiu do interior para a capital e voltou capaz de oferecer ao avô uma experiência que ele nunca teve. Esse arco, do neto que retribui, é uma das estruturas mais antigas da narrativa familiar, e ele aparece ali sem nenhuma encenação.

Fico imaginando quantos Emílios existem agora mesmo em cidades do interior, com cem anos ou perto disso, para quem uma passagem aérea ainda é assunto de outra pessoa.

Qual experiência simples você levaria seu avô ou sua avó para viver antes que fosse tarde?

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Fonte

Só Notícia Boa — Avô de 100 anos anda de avião pela primeira vez


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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