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Aos 100 anos, Miriam Todd trabalha seis dias por semana e mais de 50 horas na loja de móveis que os pais dela abriram em 1929 em Stratford, onde ela entrou em 1942 para cuidar dos livros, saiu para criar os filhos e voltou em tempo integral em 1975

Aos 100 anos, Miriam Todd trabalha seis dias por semana e mais de 50 horas na loja de móveis que os pais dela abriram em 1929 em Stratford, onde ela entrou em 1942 para cuidar dos livros, saiu para criar os filhos e voltou em tempo integral em 1975

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Aos 100 anos, Miriam Todd trabalha seis dias por semana e mais de 50 horas na loja de móveis que os pais dela abriram em 1929 em Stratford, onde ela entrou em 1942 para cuidar dos livros, saiu para criar os filhos e voltou em tempo integral em 1975

Escrito por Jefferson Augusto

Publicado em 08/09/2026 às 13:33

Atualizado em 08/09/2026 às 13:34

Curiosidades

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Rotina de escrituração no balcão de uma loja de móveis de bairro. Imagem ilustrativa gerada por IA.

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Oitenta e quatro anos depois do primeiro dia, ela ainda fecha as contas.

Existe uma loja de móveis em Stratford, no estado americano de Nova Jersey, que abriu as portas em 1929, segundo a reportagem que contou a história. Quem cuida das contas dela hoje é a mesma pessoa que começou a fazer isso em 1942.

Miriam Todd tem 100 anos e trabalha mais de 50 horas por semana, em seis dias, segundo as reportagens que a entrevistaram. Ninguém pediu para ela ficar.

Também não é caso de empresa grande homenageando funcionária antiga. É um comércio de rua, de porte pequeno, com a família inteira dentro.

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Paulo Nogueira

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A loja que os pais dela abriram

O negócio se chama Nehlig’s Furniture e foi aberto pelos pais de Miriam em 1929, na mesma cidade onde ela mora até hoje, conforme a reportagem que reconstituiu a história.

A conta é essa: Miriam nasceu poucos anos antes de a loja existir e conviveu com o negócio a vida inteira. Cresceu ouvindo falar de entrega de sofá em casa.

O primeiro dia dela foi em 1942

Ela entrou para trabalhar na escrituração em 1942, segundo o mesmo material. Tinha pouco mais de quinze anos quando começou a lançar os números.

Escriturário era função de responsabilidade nas lojas daquele tempo. Quem lançava as contas sabia quanto entrava, quanto saía e quem estava devendo.

Era outro tipo de contabilidade. Livro de papel, coluna à mão, tinta e régua, num tempo em que fechar o mês era literalmente somar linha por linha. Não é rotina de quem aparece para posar de mascote, como no caso já noticiado da americana que se aposentou três vezes e voltou aos 101 anos para o turno das 6h no caixa.

A guerra no meio do caminho

O marido dela serviu no exterior durante a Segunda Guerra Mundial e voltou em 1946, conforme a reportagem. Foi nesse período que a vida dela mudou de rota.

Ela se afastou do trabalho para criar os filhos, como era o padrão da época. Não foi uma pausa curta.

Foram quase três décadas fora do expediente formal. Um intervalo maior do que a carreira inteira de muita gente.

O retorno, em tempo integral

Miriam voltou à loja em tempo integral em 1975, de acordo com a mesma apuração. É quando a maioria das pessoas começa a pensar em sair, não em voltar.

De lá para cá não parou mais. Já são mais de cinco décadas seguidas na segunda passagem, somadas aos anos da primeira.

Somando as duas passagens, são mais de oitenta anos de vínculo com o mesmo endereço comercial. Poucas empresas duram tanto, quanto mais uma pessoa dentro delas.

Não é a única a fazer isso

O caso dela conversa direto com o dessa outra americana, e a diferença está no motivo.

Aquela voltou porque se cansou de ficar em casa. Miriam nunca chegou a sair de fato: o negócio é da família, e sair significaria abandonar o que os pais construíram.

O que ela faz de verdade lá dentro

Não é presença simbólica. Ela cuida da escrituração, da contabilidade e do atendimento ao cliente, conforme descrito na reportagem.

É o coração administrativo do negócio. Quem faz isso numa loja pequena sabe onde está cada nota, cada pedido e cada pendência.

Numa loja de móveis, isso significa acompanhar pedido de fábrica, prazo de entrega, montagem e devolução. Nada disso se resolve sozinho, e é um tipo de competência que não expira com a idade, como mostra o caso já noticiado do ex-servidor que passou em Direito aos 62 anos pelas vagas destinadas a maiores de 60.

Cinquenta horas em seis dias

A jornada declarada é de mais de 50 horas semanais, distribuídas em seis dias, segundo a emissora local que a entrevistou. É mais do que a jornada padrão de um trabalhador americano em idade ativa.

Dividido por seis, dá mais de oito horas por dia. Não é meio expediente nem visita de cortesia à loja.

Para efeito de comparação, é mais tempo por semana do que a jornada padrão brasileira prevista em lei. E ela cumpre isso na idade em que a maioria dos contemporâneos já não está viva.

Três gerações no mesmo salão

O filho dela, Bob Todd, trabalha no negócio. Dois netos, um neto e uma neta, aparecem na loja todos os dias, conforme a reportagem.

É o desenho clássico da empresa familiar que sobreviveu: a matriarca nos livros, o filho na operação e os netos na linha de frente.

O que costuma matar negócio de família não é concorrência, é sucessão. Aqui as três gerações estão no mesmo salão ao mesmo tempo, o que é raro.

O que ela diz que a sustenta

Perguntada sobre o combustível, ela responde pela fé. Disse que a fé é tudo e que Deus tem um plano e um propósito, e completou que se sente abençoada com muita energia para levantar em casa e ir trabalhar.

Não é a resposta que um estudo de longevidade daria. Mas é a resposta dela, e ela é quem está lá.

A literatura sobre envelhecimento costuma apontar outra coisa: ter propósito, rotina e convívio social diário. Curiosamente, o trabalho dela entrega os três de uma vez.

A regra que ela repete sobre o cliente

Sobre o trabalho, a frase dela é direta: o cliente é o número um, e a loja está ali para ajudá-lo a comprar o que ele quer comprar.

É uma definição de varejo mais precisa do que muito manual de treinamento. A loja não existe para empurrar o que quer vender.

Vindo de quem atravessou a Grande Depressão, a Segunda Guerra, a chegada dos shoppings e a do comércio pela internet, a frase pesa mais. Ela viu quatro modelos de varejo nascerem e morrerem no mesmo endereço.

Por que casos assim aparecem cada vez mais

A população está envelhecendo e a fronteira entre vida ativa e aposentadoria ficou borrada. Muita gente sai do emprego formal e começa outra coisa depois.

Aposentar deixou de ser ponto final e virou intervalo. Muita gente troca de ofício depois dos sessenta, e outra tanta simplesmente não pode parar.

O outro lado dessa história

Vale uma ressalva honesta. Trabalhar aos cem anos por escolha, num negócio próprio, é muito diferente de trabalhar aos setenta por necessidade, sem plano de saúde e sem rede.

A primeira situação é uma celebração. A segunda é o retrato de uma aposentadoria que não deu conta.

Misturar as duas na mesma manchete é o erro mais comum quando esse tipo de história circula. São fenômenos opostos com a mesma aparência.

A pergunta que separa uma da outra é simples: a pessoa pode parar se quiser? No caso de Miriam, ela pode, e escolhe não parar.

O paralelo brasileiro

No Brasil, recomeçar depois dos sessenta virou rotina e nem sempre por gosto. Aparece nas histórias de quem trocou de ofício tarde e nas de quem nunca teve como parar.

É o caso já noticiado de Miliana, que aos 66 anos já tinha vivido nas ruas, trabalhado como faxineira, feirante e cozinheira, e virou corretora de imóveis. O ponto de partida muda tudo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

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