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Aos 102 anos, Hilda mora sozinha a poucos quarteirões da Times Square, carrega as próprias compras, pega ônibus para ir ao médico e à ópera, limpa a casa, lava roupa e cuida das finanças sem bengala ou andador, após decidir recomeçar sozinha em Nova York aos 88

Aos 102 anos, Hilda mora sozinha a poucos quarteirões da Times Square, carrega as próprias compras, pega ônibus para ir ao médico e à ópera, limpa a casa, lava roupa e cuida das finanças sem bengala ou andador, após decidir recomeçar sozinha em Nova York aos 88

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Aos 102 anos, Hilda mora sozinha a poucos quarteirões da Times Square, carrega as próprias compras, pega ônibus para ir ao médico e à ópera, limpa a casa, lava roupa e cuida das finanças sem bengala ou andador, após decidir recomeçar sozinha em Nova York aos 88

Escrito por Ana Alice

Publicado em 14/09/2026 às 23:57

Atualizado em 14/09/2026 às 23:58

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Aos 102 anos, Hilda Jaffe mora sozinha em Manhattan, carrega compras, pega ônibus, vai à ópera e mantém uma rotina independente em Nova York. – Crédito: Jackie Molloy / KFF Health News

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Quando Hilda Jaffe decidiu vender a casa onde havia construído boa parte da vida em família, ela já tinha 88 anos.

Em vez de procurar uma rotina mais protegida ou permanecer no subúrbio de Nova Jersey, escolheu um apartamento de um quarto no meio de Manhattan e avisou aos filhos por e-mail com uma frase curta: “O futuro está aqui”.

Quatorze anos depois, quando sua rotina foi retratada pela KFF Health News, em dezembro de 2024, Hilda tinha 102 anos e continuava vivendo sozinha em Hell’s Kitchen, a poucos quarteirões da Times Square.

O detalhe que transformou sua história em um caso de interesse sobre longevidade não era apenas a idade, mas tudo aquilo que ela ainda fazia sem assistência no cotidiano.

Ela caminhava até o mercado e voltava carregando sacolas nas duas mãos. Limpava o próprio apartamento, lavava as roupas, cuidava das finanças e usava e-mail, WhatsApp e Zoom para conversar com parentes e amigos espalhados por diferentes países.

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Para se deslocar por Nova York, também não dependia de um carro ou de alguém da família.

Hilda pegava ônibus para consultas médicas e para assistir a apresentações no Metropolitan Opera, além de circular pelas ruas sem bengala ou andador.

Seu filho vivia na Califórnia, enquanto a filha morava em Tel Aviv, em Israel.

Aos 88 anos, Hilda decidiu recomeçar em Manhattan

A decisão de morar em Manhattan havia surgido depois de uma mudança profunda em sua vida. Hilda foi casada com Gerald Jaffe por 63 anos, até a morte dele, em 2005.

Ela permaneceu por mais alguns anos na residência da família em Verona, Nova Jersey, mas percebeu que aquele lugar já não oferecia a mesma vida que tivera no passado.

Aos 88 anos, resolveu partir. O apartamento escolhido ficava em um edifício alto de Hell’s Kitchen, região movimentada no lado oeste de Manhattan.

Para Hilda, a localização oferecia algo importante: mercado, farmácia, restaurantes, transporte público e atividades culturais estavam próximos.

Ela explicou à jornalista Judith Graham que, se permanecesse sozinha em uma casa de Nova Jersey, poderia acabar mais isolada. Em Manhattan, bastava olhar pela janela para ver pessoas circulando pelas ruas.

A mudança, portanto, não significou apenas diminuir o tamanho da residência, mas reorganizar a rotina para manter a independência.

Hilda Jaffe, então com 102 anos, caminha pelas ruas de Nova York sem bengala ou andador. – Crédito: Jackie Molloy / KFF Health News

Uma rotina independente aos 102 anos

Essa independência aparece até nas tarefas mais comuns. Em uma das imagens produzidas para a reportagem da KFF Health News, Hilda aparece fazendo compras em um mercado próximo.

Em outra, caminha pelas ruas de Nova York sem equipamento de apoio.

Sua rotina também incluía uma meta diária de cerca de 3 mil passos. Quando o tempo permitia, ela caminhava pelas ruas; nos dias ruins, fazia voltas pelos corredores do próprio prédio.

Não havia um treinamento elaborado por trás disso, mas o compromisso de continuar se movimentando.

A alimentação descrita por ela era igualmente simples. No café da manhã, costumava consumir pão, queijo e café descafeinado.

No almoço, optava por sanduíches ou ovos, enquanto o jantar podia incluir frango, vegetais ou sobras de alguma refeição feita em restaurante.

Hilda disse ainda que nunca fumou, não bebia álcool e dormia, em média, oito horas por noite. Ainda assim, ela não apresentava esses hábitos como uma receita capaz de garantir longevidade.

Quando perguntada sobre ter chegado aos 102 anos, atribuía sua idade primeiro à genética, depois à sorte e, em seguida, à decisão de continuar em movimento. “Eu nunca esperei chegar aos 102”, afirmou na entrevista.

Longevidade de Hilda chamou atenção de pesquisadores

A genética também despertou interesse científico. Hilda passou a integrar o New England Centenarian Study, projeto da Universidade de Boston dedicado ao estudo de pessoas que alcançam idades excepcionalmente avançadas.

O grupo pesquisa fatores associados à longevidade e à capacidade de algumas pessoas retardarem doenças e limitações normalmente relacionadas ao envelhecimento.

No caso dela, a autonomia chamava atenção até dos médicos. Hilda relatou que seu clínico dizia não ter outro paciente centenário que chegasse sozinho ao consultório, caminhando sem acompanhante ou bengala.

Isso não significa que ela não tivesse questões de saúde. A reportagem registrou refluxo, episódios ocasionais de batimento cardíaco irregular, osteoporose e um quadro leve de ciática, entre outras condições acompanhadas pelos médicos.

A diferença estava na maneira como esses problemas conviviam com uma rotina ainda bastante independente.

Para Sofiya Milman, diretora de estudos de longevidade humana do Institute for Aging Research, do Albert Einstein College of Medicine, pessoas que chegam a idades muito avançadas mantendo boa capacidade funcional costumam despertar interesse justamente por características que vão além do estado físico.

Milman destacou à KFF que, como grupo, idosos estudados nessa faixa etária apresentam frequentemente uma perspectiva positiva e capacidade de adaptação.

Pesquisas sobre envelhecimento também relacionam resiliência a fatores como vínculos significativos, participação social, esperança e atividade física, embora isso não signifique que exista uma fórmula individual capaz de garantir vida longa.

Aos 102 anos, Hilda Jaffe mantinha o hábito de caminhar por Nova York e buscava atingir cerca de 3 mil passos por dia. – Crédito: Jackie Molloy / KFF Health News

Hilda mantinha praticamente todas essas conexões de alguma forma. Tinha assinaturas para apresentações do Metropolitan Opera, da New York Philharmonic e de uma série de música de câmara.

Também frequentava exposições em museus e participava de um clube do livro ligado à sua sinagoga no Upper West Side.

Outra parte importante de sua semana acontecia dentro de um dos edifícios mais conhecidos de Nova York. Por mais de uma década, ela trabalhou como voluntária e guia na sede principal da New York Public Library, na Quinta Avenida.

Ali, Hilda conduzia visitantes por exposições e explicava a história de objetos como uma Bíblia de Gutenberg, a escrivaninha de Charles Dickens e uma edição de grandes dimensões de “The Birds of America”, de John James Audubon.

Em dezembro de 2024, durante um evento da KFF sobre pessoas mais velhas que vivem sozinhas, ela própria contou que fazia palavras cruzadas do New York Times diariamente, preenchendo as respostas com caneta.

Hilda Jaffe durante uma refeição em Nova York; mesmo aos 102 anos, ela mantinha uma rotina de atividades dentro e fora de casa. – Crédito: Jackie Molloy / KFF Health News

A centenária que continuou guiando visitantes em Nova York

A ligação com a biblioteca já vinha de muitos anos. Em 2017, aos 95, Hilda chamou atenção em uma reportagem da BBC justamente porque caminhava com tanta rapidez durante uma visita à instituição que o jornalista responsável pelo relato afirmou ter precisado pedir que ela diminuísse o ritmo.

Mais tarde, sua atividade como guia também seria apresentada em uma reportagem em vídeo da Fortune. A página foi atualizada em abril de 2026 e continua destacando Hilda como uma das pessoas conhecidas como “superagers”, além de registrar seu trabalho voluntário conduzindo visitas na New York Public Library.

Apesar de toda a atenção despertada por sua idade, Hilda evitava transformar a própria rotina em uma fórmula milagrosa. Ao falar sobre viver sozinha, descrevia a si mesma como pragmática e dizia procurar reconhecer aquilo que ainda conseguia fazer, adaptando o restante conforme fosse necessário.

Essa postura também aparecia quando o assunto era solidão. Com familiares, amigos, atividades culturais, trabalho voluntário e compromissos comunitários, ela dizia não considerar a solidão um problema em sua vida.

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Ana Alice

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Uma mudança que preservou a independência

A escolha feita aos 88 anos ajuda a entender parte dessa rotina. Hilda trocou uma casa associada a décadas de vida familiar por um apartamento menor em uma das regiões mais movimentadas de Nova York.

Em vez de enxergar a mudança apenas como abandono do passado, tratou aquele momento como o começo de uma etapa diferente.

Aos 102, continuava saindo para comprar comida, entrando em ônibus, resolvendo contas, visitando museus e guiando desconhecidos pelos corredores de uma biblioteca centenária.

Quando perguntada sobre o que viria depois, sua resposta seguia a mesma lógica prática que marcou sua decisão de se mudar para Manhattan: ela preferia lidar com um dia de cada vez.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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