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Aos 13 anos, Sophia Dias Fernandes estuda numa escola estadual de Americana, entrou numa olimpíada de matemática que teve 18,6 milhões de inscritos, terminou entre os medalhistas de ouro do país, andou de avião pela primeira vez por causa da medalha e agora encara a prova de outubro num nível acima
Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 01/09/2026 às 09:39
Atualizado em 01/09/2026 às 09:40
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A medalha rendeu apostila, professor acompanhando e duas viagens, e a primeira delas foi também a primeira vez que ela entrou num avião.
A prova que mudou a rotina de Sophia Dias Fernandes foi feita sentada numa carteira comum, na escola em que ela estuda todo dia. Sophia tem 13 anos, mora em Americana, no interior de São Paulo, e é aluna da rede estadual, na Escola Estadual Professora Idalina Grandin Mirandola, no bairro Vila Bertini, conforme reportagem do jornal Todo Dia.
Daquela carteira saiu uma medalha de ouro nacional na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, a OBMEP, e da medalha saiu tudo o que veio depois: um curso de aprofundamento, duas viagens e o primeiro voo da vida dela. A premiação nacional aconteceu em junho deste ano, segundo o mesmo veículo.
O tamanho da olimpíada em que ela entrou
A edição de 2025 da OBMEP, que é a medalha que Sophia carrega, foi a maior já registrada. Segundo o IMPA, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada, que promove a competição, a prova teve 18.617.336 estudantes inscritos na primeira fase.
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Esses inscritos vieram de 57.222 escolas espalhadas por 5.566 cidades, o equivalente a 99,93% dos municípios brasileiros, conforme o balanço divulgado pelo próprio IMPA. É praticamente o país inteiro fazendo a mesma prova.
Quantos chegam de fato ao ouro
O número de inscritos não é o número de concorrentes na disputa pela medalha, porque a olimpíada tem fases e só uma parte dos alunos avança. O funil aperta no fim: segundo o Ministério da Educação, 682 estudantes de todas as regiões do país foram premiados com medalha de ouro naquela edição.
O jornal Todo Dia informou que a cerimônia nacional, realizada no Rio de Janeiro, reuniu 684 medalhistas de ouro, dois a mais do que o número do MEC. A lista oficial de premiados publicada pela OBMEP é o documento que fecha essa conta nome por nome.
A medalha que abre uma porta na cidade inteira
Uma medalha nacional numa escola pública raramente para na aluna. Ela vira assunto de sala, de mural e de família, como no caso da aluna de 13 anos da rede municipal de Santa Catarina que transformou a entrega do bronze numa celebração da escola toda, noticiado no fim de agosto.
Em Americana, a edição rendeu duas medalhas de ouro, três de prata e cinco de bronze, segundo o levantamento regional publicado pelo Todo Dia. Sophia é uma das duas alunas de ouro da cidade.
A viagem que veio junto com a medalha
O prêmio não foi só o metal pendurado no pescoço. Pela conquista, Sophia ganhou uma viagem a Florianópolis em maio, para participar do Encontro do Hotel de Hilbert, evento promovido pelo IMPA que reuniu 155 estudantes selecionados pelo Programa de Iniciação Científica Jr., o PIC, conforme a reportagem do Todo Dia.
Depois disso veio a cerimônia nacional da OBMEP, no Rio de Janeiro, em junho. Duas viagens em dois meses, para uma menina que até então nunca havia entrado num avião.
O primeiro voo
É esse o detalhe que ela mesma escolheu contar quando falou da conquista. “Quando descobri que tinha conquistado a medalha de ouro, fiquei muito ansiosa pela cerimônia nacional. Foi incrível viajar pela primeira vez de avião e conhecer estudantes de todo o Brasil. Fiz muitos amigos e vivi uma experiência única”, disse Sophia ao jornal Todo Dia.
A frase resume o que uma olimpíada escolar faz além da prova. O avião não estava no edital, mas apareceu como consequência direta de um resultado obtido dentro da própria escola.
Viajar sozinha desde os 11 anos
Sophia começou a viajar sozinha aos 11 anos, quando foi premiada pela primeira vez, e desde então participou de outras cerimônias e encontros promovidos pela OBMEP, segundo o Todo Dia. Ou seja, o ouro de 2025 não foi o primeiro resultado dela, foi o maior até agora.
Dos 11 aos 13 anos, portanto, a competição virou calendário, com datas fixas, deslocamento e convivência com estudantes de outros estados, conforme o relato publicado pelo Todo Dia. É a mesma trilha percorrida pela estudante de 12 anos que chegou a Nova York para enfrentar jovens de 54 países numa olimpíada internacional de matemática.
O medo da mãe e a decisão de deixar ir
Do lado de casa, a conta é outra. “Apesar do medo, eu deixo ela ir porque não posso impedir uma conquista que veio com tanto esforço. As organizações são muito cuidadosas e tudo é muito bem preparado”, afirmou Elizene Dias Fernandes, mãe da estudante, ao Todo Dia.
Elizene acrescentou que a filha gosta das viagens porque encontra outros estudantes que gostam de estudar e conhece pessoas de todo o país, conforme o mesmo relato. É o argumento que faz o medo caber.
O que o PIC entrega a quem ganha medalha
O programa que veio junto com a medalha tem regra simples de entrada. “Qualquer medalha da OBMEP, seja ouro, prata ou bronze, dá acesso ao PIC. É um curso que ajuda muito na preparação. A gente recebe apostilas e tem contato com conteúdos como geometria, probabilidade e combinatória”, explicou Sophia ao Todo Dia.
Esse é o mecanismo que transforma uma prova de escola numa trilha mais longa. Medalha em olimpíada científica pode abrir programas de iniciação científica, bolsa mensal e até intercâmbio na China, dependendo do resultado e do edital.
O que muda do nível 1 para o nível 2
Em 2025, Sophia competiu no nível 1, destinado a alunos do 6º e do 7º ano do ensino fundamental. Neste ano ela passou para o nível 2, voltado aos estudantes do 8º e do 9º ano, o que eleva a dificuldade da prova, conforme explicou o Todo Dia.
“Estou estudando e me esforçando ao máximo para conseguir a medalha de ouro de novo. A mudança de nível aumenta a dificuldade, então estou estudando ainda mais e quero conquistar o ouro novamente”, disse a estudante ao mesmo jornal.
A data que ela já tem marcada
Sophia voltou a participar da OBMEP em 2026 e avançou de novo para a segunda fase, marcada para 17 de outubro, segundo o Todo Dia. O resultado está previsto para dezembro.
São dois meses de estudo entre a classificação e a prova, e mais dois entre a prova e a resposta. O calendário da olimpíada é longo justamente porque a correção da segunda fase é feita à mão, questão por questão.
A região que mais somou medalhas
Americana não foi a cidade de maior desempenho na área de cobertura do jornal. Campinas teve o maior número de premiações, com quatro ouros, 17 pratas e 32 bronzes, conforme o levantamento do Todo Dia.
Ainda segundo o mesmo levantamento, Paulínia ficou com um ouro, sete pratas e cinco bronzes, Sumaré com dois ouros, duas pratas e sete bronzes, e Santa Bárbara d’Oeste com um ouro e oito bronzes. Limeira somou três pratas e sete bronzes, Hortolândia duas pratas e quatro bronzes, Nova Odessa uma prata e Cosmópolis um bronze.
O caminho que costuma vir depois
O trajeto que começa na OBMEP costuma continuar fora do país quando a aluna insiste, porque a medalha nacional é o que credencia o estudante às seletivas das competições internacionais. O passaporte, nesse circuito, vem depois da apostila.
É o que aconteceu com o brasileiro de 13 anos que ganhou ouro pelo segundo ano seguido numa olimpíada de matemática em Singapura, na mesma faixa etária em que Sophia está agora.
O que ela quer fazer com isso
Com as experiências acumuladas desde os 11 anos, a estudante já pensa em seguir carreira na área de matemática, conforme registrou o Todo Dia. É a consequência menos visível de uma olimpíada escolar e talvez a mais importante.
Por ora, a agenda tem uma data e um número, segundo o calendário divulgado pela organização da olimpíada. Prova de segunda fase em 17 de outubro, resultado em dezembro, e o objetivo declarado por ela de repetir o ouro num nível acima.
Fontes
Todo Dia
IMPA
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

