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Aos 19 anos, estudante da EJA no interior da Bahia que aprendeu mecânica praticamente sozinho junta sucata, motor de motocicleta, diferencial de Chevette e até tanque de casa de farinha e, após ouvir de algumas pessoas que não conseguiria, constrói com as próprias mãos um trator artesanal capaz de trabalhar no campo

Aos 19 anos, estudante da EJA no interior da Bahia que aprendeu mecânica praticamente sozinho junta sucata, motor de motocicleta, diferencial de Chevette e até tanque de casa de farinha e, após ouvir de algumas pessoas que não conseguiria, constrói com as próprias mãos um trator artesanal capaz de trabalhar no campo

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Aos 19 anos, estudante da EJA no interior da Bahia que aprendeu mecânica praticamente sozinho junta sucata, motor de motocicleta, diferencial de Chevette e até tanque de casa de farinha e, após ouvir de algumas pessoas que não conseguiria, constrói com as próprias mãos um trator artesanal capaz de trabalhar no campo

Escrito por Ana Alice

Publicado em 05/09/2026 às 04:09

Atualizado em 05/09/2026 às 04:10

Curiosidades

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Estudante da EJA na Bahia cria trator artesanal com motor de moto e peças reaproveitadas para trabalhos agrícolas e cargas leves no campo. – Crédito: Montagem/Ascom/SEC, Governo da Bahia

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Jovem de Ribeira do Pombal reuniu motor de motocicleta, diferencial de Chevette, pneus e outras peças reaproveitadas para montar um trator artesanal enquanto estudava na Educação de Jovens e Adultos.

Um motor de motocicleta, o diferencial de um antigo Chevette, pneus reaproveitados, ferro e componentes que antes pertenciam a outras máquinas acabaram reunidos em um único projeto pelas mãos de Henrique Ferreira dos Santos.

Em 2025, aos 19 anos, o estudante da Educação de Jovens e Adultos (EJA) construiu um protótipo artesanal de trator em Ribeira do Pombal, no interior da Bahia, usando principalmente materiais que já tinham tido outra função.

Henrique estudava no Colégio Estadual de Tempo Integral Professora Sílvia Ferreira Brito quando o projeto ganhou divulgação da Secretaria da Educação e da Secretaria de Comunicação do Estado da Bahia.

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Segundo o governo estadual, o veículo foi pensado para pequenos trabalhos agrícolas e transporte de cargas leves.

A invenção estava programada para ser apresentada em 14 de agosto de 2025, durante a 13ª Feira de Ciências da escola, cujo tema era “Futuro sustentável: a Ciência como ferramenta de transformação”.

A divulgação oficial ocorreu poucos dias antes do evento.

Motor de moto foi apenas uma das peças reaproveitadas

O aspecto mais curioso do trator está na origem de seus componentes.

Henrique não partiu de um conjunto novo de peças comprado especificamente para fabricar uma máquina agrícola.

Ele reuniu componentes usados de veículos e equipamentos diferentes e tentou fazê-los trabalhar dentro de uma única estrutura.

Entre os materiais descritos nas reportagens estão um motor de motocicleta, diferencial de um Chevette usado, fibra de vidro, tanque de motor de uma máquina de casa de farinha, fios elétricos, pneus de máquina agrícola e pneus de automóvel.

A própria estrutura foi montada em ferro.

Até o banco seguiu a mesma lógica de reaproveitamento: o assento veio de um trator antigo.

O diferencial do Chevette tem uma função particularmente importante no conjunto mecânico.

Em um veículo, esse sistema permite transmitir movimento para as rodas e, ao mesmo tempo, possibilita que elas girem a velocidades diferentes em determinadas situações, como durante uma curva.

No projeto de Henrique, portanto, não se tratava simplesmente de instalar um motor sobre quatro rodas.

Era necessário encontrar formas de combinar componentes originalmente projetados para máquinas completamente diferentes.

Henrique Ferreira dos Santos, estudante da EJA de Ribeira do Pombal, conduz o trator artesanal que construiu utilizando motor de motocicleta e peças reaproveitadas. Crédito: Divulgação / reprodução Alô Alô Bahia

Curiosidade pela mecânica começou desmontando brinquedos

A construção não surgiu como um primeiro contato de Henrique com ferramentas.

Segundo o relato divulgado pelo Governo da Bahia, ele contou que, ainda criança, costumava desmontar e montar novamente os próprios carrinhos de brinquedo para descobrir como funcionavam.

Mais tarde, fez um curso básico de mecânica automotiva, mas afirmou que grande parte do conhecimento foi sendo acumulada por conta própria, observando, pesquisando, testando e consertando equipamentos.

O repertório descrito pelo estudante vai além de automóveis.

Henrique afirmou saber trabalhar com celulares, máquinas de lavar, aparelhos de som, computadores, televisores, motocicletas e carros.

Em sua avaliação, boa parte desse aprendizado veio de experiências práticas desenvolvidas ao longo dos anos.

Foi dessa combinação de curiosidade e tentativa que nasceu o protótipo apresentado publicamente em 2025.

Henrique descreveu o trator como a realização de um sonho de infância.

Projeto foi desenvolvido por observação e pesquisas

A construção também teve um componente de estudo.

De acordo com a Secretaria de Comunicação da Bahia, Henrique afirmou que desenvolveu o trator com base em observação e pesquisas, em vez de seguir simplesmente um projeto industrial pronto.

Isso ajuda a explicar por que materiais tão diferentes acabaram reunidos.

Quando determinada peça necessária não estava disponível como componente novo específico para o projeto, o estudante recorria ao que podia ser reutilizado e adaptado.

O resultado foi um veículo artesanal que, segundo a divulgação estadual, poderia auxiliar em pequenas atividades no campo e no deslocamento de cargas leves.

Não há, nas fontes oficiais consultadas, especificações técnicas detalhadas sobre potência, velocidade máxima, capacidade de carga, consumo de combustível ou sistemas de segurança do protótipo.

Por isso, o projeto deve ser descrito como um trator artesanal ou protótipo construído pelo estudante, e não como equivalente técnico ou comercial a um trator agrícola homologado.

Henrique observa o trator construído com peças de diferentes veículos e máquinas, incluindo componentes de motocicleta, Chevette e equipamentos agrícolas. Crédito: Ascom/SEC, Governo da Bahia

Feira de Ciências virou oportunidade para mostrar o projeto

Henrique também associou a apresentação do veículo a uma oportunidade de mostrar o próprio trabalho.

Antes da feira, afirmou que algumas pessoas haviam duvidado de sua capacidade, enquanto os professores continuaram incentivando suas experiências.

“Quero mostrar este meu potencial, pois algumas pessoas duvidaram da minha capacidade”, declarou o estudante na reportagem oficial.

Ele acrescentou que o apoio dos professores havia feito diferença durante o processo.

A 13ª Feira de Ciências estava marcada para começar às 8h de 14 de agosto de 2025, dentro do próprio Colégio Estadual de Tempo Integral Professora Sílvia Ferreira Brito, em Ribeira do Pombal.

A relação entre o tema da feira e o trator era direta.

Parte considerável da máquina havia sido construída justamente com componentes que poderiam permanecer sem uso ou seguir para descarte.

Trator não foi a primeira invenção de Henrique

O histórico divulgado pela Secretaria da Educação mostra que a experiência de 2025 não começou do zero.

No ano anterior, quando ainda estudava em outra unidade estadual, Henrique havia construído carrinhos de controle remoto utilizando materiais recicláveis.

Também em 2024, ficou em segundo lugar na mostra escolar do projeto Artes Visuais Estudantis, o AVE.

Nesse caso, sua criação não foi um veículo.

Henrique produziu um quadro utilizando componentes eletrônicos, novamente aproximando materiais descartados de um novo uso.

Esses projetos ajudam a mostrar uma característica recorrente no trabalho do estudante: observar objetos e componentes pelo que ainda poderiam se tornar, e não apenas pela função para a qual foram fabricados originalmente.

Mecânica mudou até a forma como ele estudava Matemática e Física

O interesse pelas máquinas também começou a afetar sua relação com as disciplinas da escola.

Henrique relatou que passou a procurar mais conhecimentos em Matemática, Física e Química, justamente porque percebeu que os conteúdos dessas áreas poderiam ser aplicados em novas invenções.

Em vez de tratar as matérias apenas como requisitos escolares, começou a enxergá-las como ferramentas para resolver dificuldades concretas dos projetos que pretendia desenvolver.

Essa aproximação entre aprendizado prático e conteúdo escolar ocorreu enquanto ele frequentava a Educação de Jovens e Adultos.

A EJA atende pessoas que não concluíram etapas da educação básica na idade regular e permite a retomada da escolarização em uma organização adequada a esse público.

No caso de Henrique, a escola também se tornou o espaço em que uma experiência mecânica feita com peças usadas poderia ganhar visibilidade pública.

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Próxima ideia já era construir um minicaminhão

Quando falou sobre seus planos em agosto de 2025, Henrique não considerava o trator um ponto final.

O estudante disse que já pensava em construir um minicaminhão.

Também afirmou que pretendia concluir os estudos, aprofundar o conhecimento técnico e seguir para o ensino superior, com interesse nas áreas de Engenharia Mecânica e Automotiva.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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