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Aos 2 anos, ele fumava 40 cigarros por dia e virou símbolo mundial do vício infantil; 16 anos depois, Ardi Rizal reaparece na Indonésia longe do tabaco e com a vida completamente transformada
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 10/09/2026 às 12:59
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O menino indonésio ficou conhecido mundialmente em 2010, após aparecer de fraldas e com um cigarro nas mãos; submetido a tratamento, ele abandonou a nicotina, enfrentou compulsão alimentar e mudou completamente de rotina
A imagem parecia inacreditável: um menino de aproximadamente 2 anos caminhava de fraldas, segurava um cigarro e tragava com uma desenvoltura normalmente associada a fumantes adultos. Era Ardi Rizal, criança indonésia que, em 2010, passou a ser reconhecida em diferentes países como o “bebê fumante”.
O caso era ainda mais grave do que o vídeo mostrava. Ardi chegava a consumir 40 cigarros por dia — o equivalente a dois maços — e apresentava sinais claros de dependência de nicotina antes mesmo de ter idade para compreender o que estava fazendo.
Dezesseis anos depois da repercussão mundial, sua história voltou a circular acompanhada de uma transformação expressiva. Ardi abandonou o cigarro, enfrentou uma nova compulsão relacionada à comida e passou a levar uma vida distante daquela rotina que chocou o mundo.
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Ardi começou a fumar antes de completar 2 anos
Ardi Rizal vivia com a família em uma pequena comunidade de pescadores na ilha de Sumatra, na Indonésia. De acordo com os relatos divulgados na época, ele teve contato com o primeiro cigarro por volta de um ano e meio de idade.
O que poderia ter sido tratado como uma experiência isolada rapidamente se transformou em dependência. A criança passou a exigir cigarros diariamente e reagia de maneira agressiva quando os adultos tentavam negar o produto.
Assista o vídeo
Em 2010, um vídeo publicado no YouTube mostrou Ardi fumando enquanto ainda usava fraldas. As imagens percorreram o mundo e expuseram não somente a situação daquela família, mas também um problema muito maior relacionado à facilidade de acesso ao tabaco na Indonésia.
Reportagens daquele período registraram que o consumo havia alcançado aproximadamente 40 cigarros por dia. A quantidade seria elevada até para um fumante adulto — em uma criança de 2 anos, revelava uma situação extrema de dependência e exposição familiar.
Repercussão obrigou autoridades a intervir
A dimensão internacional do caso colocou as autoridades indonésias sob pressão. Ardi foi retirado temporariamente do ambiente em que estava acostumado a fumar e encaminhado para um programa de reabilitação acompanhado por profissionais.
O tratamento não se limitou a simplesmente retirar os cigarros. Era necessário modificar a rotina da criança, oferecer outras atividades e ajudá-la a enfrentar a irritação e a ansiedade provocadas pela ausência de nicotina.
O menino recebeu acompanhamento psicológico e passou por sessões nas quais brincadeiras e estímulos apropriados para sua idade eram utilizados para desviar sua atenção do cigarro. A estratégia funcionou, e Ardi conseguiu abandonar o tabaco.
Esse ponto é central na história: a repercussão não terminou apenas com a retirada do cigarro de suas mãos. O caso mostrou que uma criança exposta tão cedo à nicotina precisava de tratamento estruturado, mudança de ambiente e participação direta dos responsáveis.
Cigarro saiu de cena, mas surgiu a compulsão por comida
A recuperação apresentou uma nova dificuldade. Depois de parar de fumar, Ardi começou a substituir o cigarro por alimentos, especialmente produtos calóricos e ultraprocessados.
A mudança contribuiu para um rápido ganho de peso. Por volta dos 5 anos, reportagens internacionais apontavam que ele já enfrentava obesidade e consumia grandes quantidades de comida ao longo do dia.
A família precisou buscar novamente auxílio profissional. Com acompanhamento nutricional, sua alimentação passou a incluir porções mais controladas, frutas, verduras e outros alimentos adequados para uma criança em desenvolvimento.
A trajetória mostra como a retirada da nicotina, embora indispensável, não encerrou imediatamente os efeitos comportamentais do vício. A compulsão apenas encontrou outro caminho e exigiu uma segunda etapa de cuidados.
Como ficou o menino que fumava 40 cigarros por dia
A história revisitada pelo jornal O Globo mostra Ardi muito diferente da criança que apareceu fumando em 2010.
Longe do tabaco e depois de enfrentar os problemas alimentares, ele passou a ser retratado levando uma rotina mais saudável. Registros divulgados ao longo de sua recuperação mostraram um garoto frequentando a escola, brincando com outras crianças e conseguindo controlar melhor a alimentação.
A transformação física chama atenção, mas o aspecto mais importante está na interrupção precoce de uma dependência que poderia acompanhá-lo por toda a vida. Ardi deixou de ser apenas o protagonista de um vídeo chocante e passou a representar a possibilidade de recuperação quando tratamento, acompanhamento profissional e mudança familiar ocorrem juntos.
Caso revelou dimensão do tabagismo infantil na Indonésia
Embora tenha se tornado o rosto mais conhecido desse problema, Ardi não era um caso completamente isolado. A Indonésia possui uma relação histórica e econômica intensa com o tabaco, especialmente com os cigarros de cravo conhecidos como kretek.
Quando o vídeo viralizou, a facilidade com que crianças podiam encontrar cigarros e a forte presença da publicidade de tabaco no país passaram a receber críticas internacionais. O episódio ajudou a transformar uma situação doméstica em símbolo de uma crise de saúde pública.
A legislação indonésia avançou nos anos seguintes. A regulamentação sanitária adotada em 2024 passou a proibir a venda de produtos de tabaco e cigarros eletrônicos para menores de 21 anos, além de estabelecer novas restrições à publicidade e à comercialização de unidades avulsas.
O caso de Ardi, porém, permanece como um lembrete incômodo: uma criança não desenvolve sozinha o hábito de fumar dois maços por dia. O acesso ao cigarro, a repetição do comportamento dos adultos e a demora em reconhecer a gravidade do problema formaram o ambiente que permitiu que o vício começasse antes dos 2 anos.
Como um menino de apenas 2 anos conseguiu ter acesso a cerca de 40 cigarros por dia sem que os adultos ao seu redor impedissem a situação e o que a transformação de Ardi Rizal revela sobre a responsabilidade da família, do Estado e da indústria do tabaco na proteção das crianças contra a dependência de nicotina?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

