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Aos 5 anos, menino que teve as duas pernas amputadas recebe suas primeiras próteses, decide caminhar 10 quilômetros para agradecer ao hospital que salvou sua vida, começa querendo arrecadar uma pequena quantia e termina a jornada com mais de R$ 6,9 milhões em doações

Aos 5 anos, menino que teve as duas pernas amputadas recebe suas primeiras próteses, decide caminhar 10 quilômetros para agradecer ao hospital que salvou sua vida, começa querendo arrecadar uma pequena quantia e termina a jornada com mais de R$ 6,9 milhões em doações

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Aos 5 anos, menino que teve as duas pernas amputadas recebe suas primeiras próteses, decide caminhar 10 quilômetros para agradecer ao hospital que salvou sua vida, começa querendo arrecadar uma pequena quantia e termina a jornada com mais de R$ 6,9 milhões em doações

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 04/09/2026 às 14:01

Atualizado em 04/09/2026 às 14:02

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Aos 5 anos, menino que teve as duas pernas amputadas recebe suas primeiras próteses, decide caminhar 10 quilômetros para agradecer ao hospital

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Aos 5 anos, Tony Hudgell caminhou 10 km com próteses para agradecer ao hospital que salvou sua vida e arrecadou mais de R$ 7 milhões.

Tony Hudgell tinha apenas 5 anos e ainda estava aprendendo a caminhar com próteses quando decidiu transformar um dos maiores desafios de sua própria vida em ajuda para outras crianças. Em junho de 2020, apoiado em muletas, ele estabeleceu uma meta de percorrer 10 quilômetros durante o mês para agradecer ao Evelina London Children’s Hospital, instituição que havia cuidado dele desde bebê e ajudado a salvar sua vida. A família imaginava arrecadar o equivalente hoje a cerca de R$ 3,5 mil. Quando Tony completou o desafio, em 30 de junho, as doações já haviam ultrapassado o equivalente a R$ 7,4 milhões pela cotação atual.

Segundo o Guy’s and St Thomas’ NHS Foundation Trust, Tony havia recebido suas primeiras próteses pouco antes da campanha e passou o período de isolamento da pandemia treinando para andar com elas. A caminhada que começou como um exercício diário inspirado pelo veterano britânico Captain Tom Moore rapidamente saiu do círculo de amigos e familiares, mobilizou doadores em diferentes países e transformou um menino de 5 anos no maior arrecadador individual da história da instituição infantil.

Tony chegou ao hospital com apenas algumas semanas de vida

A ligação entre Tony e o Evelina London Children’s Hospital começou muito antes de ele aprender a falar, andar ou compreender o significado de uma arrecadação beneficente.

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De acordo com a Evelina London Children’s Charity, Tony chegou ao pronto atendimento da instituição quando tinha apenas algumas semanas de vida, em estado grave e necessitando de cuidados que seriam decisivos para sua sobrevivência. Ele havia sofrido lesões severas ainda bebê e continuaria necessitando de acompanhamento especializado durante a infância.

Paula e Mark Hudgell posteriormente o adotaram. O hospital passou a ocupar lugar permanente na vida da família, com consultas, tratamentos, cirurgias e acompanhamento médico ao longo dos anos. Paula chegaria a descrever a instituição como uma segunda casa e os profissionais como parte da própria família.

O menino que anos depois decidiria arrecadar dinheiro para aquele hospital conhecia seus corredores desde antes de guardar qualquer lembrança deles.

As lesões levaram à amputação das duas pernas

As consequências das lesões sofridas no início da vida continuaram acompanhando Tony. Em 2017, quando ele ainda era criança pequena, médicos precisaram amputar suas duas pernas.

A Evelina London registra que as primeiras próteses foram colocadas posteriormente, iniciando um processo de adaptação que exigiria equilíbrio, força, fisioterapia e treinamento constante.

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Aprender a andar com próteses não significava simplesmente colocá-las e começar a caminhar. Tony precisava adquirir uma nova mecânica de movimento e ainda utilizava muletas para ajudá-lo a se deslocar.

Em 2020, durante o período de restrições provocado pela pandemia de Covid-19, ele estava justamente nessa fase. Caminhar alguns metros já fazia parte de seu processo de reabilitação.

Foi diante da televisão que surgiu a ideia que transformaria aqueles passos em algo muito maior.

Um homem de quase 100 anos inspirou o desafio de uma criança de 5

Na primavera britânica de 2020, Captain Tom Moore tornou-se conhecido no Reino Unido ao caminhar voltas no próprio jardim pouco antes de completar 100 anos para arrecadar recursos destinados ao NHS, o sistema público de saúde britânico.

Tony assistiu à história pela televisão.

Paula contou ao hospital que o filho observou o veterano caminhando com auxílio e percebeu uma semelhança com sua própria situação. A família então transformou o esforço que Tony já fazia para aprender a andar em uma pequena campanha beneficente.

A proposta era simples: caminhar 10 quilômetros ao longo dos 30 dias de junho de 2020.

Não seriam 10 quilômetros de uma vez. Tony avançaria diariamente, somando as distâncias enquanto aperfeiçoava o uso das próteses e das muletas.

O dinheiro iria para o Evelina London, hospital ao qual a família atribuía papel essencial em sua sobrevivência.

A meta financeira inicial equivalia a cerca de R$ 3,5 mil

Não havia qualquer expectativa de uma arrecadação milionária.

A família estabeleceu uma meta de 500 libras, aproximadamente R$ 3,5 mil pela cotação atual. A ideia era conseguir patrocínios de amigos, parentes e pessoas próximas que quisessem apoiar os 10 quilômetros de Tony.

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A dimensão daquela ambição financeira torna o que aconteceu nas semanas seguintes ainda mais extraordinário.

Tony começou a caminhada em 1º de junho de 2020.

Todos os dias, colocava as próteses, segurava as muletas e percorria mais um trecho. O esforço físico era significativo para uma criança que ainda estava aprendendo a dominar aqueles equipamentos.

Paula descreveu o treinamento como extenuante, mas destacou a determinação do filho. O objetivo concreto de ajudar outras crianças transformava cada pequena distância em parte de uma missão maior.

Os primeiros passos começaram a chamar atenção de todo o Reino Unido

Conforme imagens e notícias sobre Tony circularam, pessoas que não tinham qualquer relação com a família começaram a doar.

A história reunia dois elementos que o Reino Unido acompanhava intensamente naquele período: o esforço de crianças e famílias durante a pandemia e a grande mobilização pública para apoiar instituições de saúde.

As doações começaram a subir muito além das 500 libras previstas.

O menino também recebeu apoio de nomes conhecidos. O hospital registrou mensagens do então duque e da duquesa de Cambridge, além de personalidades da televisão, do esporte e da política britânica. O próprio Captain Tom Moore enviou uma mensagem parabenizando Tony pela iniciativa que havia inspirado.

A pequena campanha familiar havia virado um acontecimento nacional.

Tony chegou aos 10 quilômetros antes mesmo do fim do mês

O objetivo físico também avançava mais rápido que o planejado. Em 29 de junho, o Guy’s and St Thomas’ NHS Foundation Trust anunciou que Tony já havia atingido os 10 quilômetros, cinco dias antes do cronograma originalmente esperado para aquela marca, e pretendia continuar andando até o encerramento oficial da campanha.

Aos 5 anos, menino que teve as duas pernas amputadas recebe suas primeiras próteses, decide caminhar 10 quilômetros para agradecer ao hospital

Isso significava que uma criança que poucos meses antes ainda estava dando os primeiros passos com próteses havia acumulado uma distância equivalente a milhares de movimentos repetidos sobre pernas artificiais.

Tony não parou quando alcançou os 10 quilômetros.

A Evelina London Children’s Charity registra posteriormente que ele terminou percorrendo 12 quilômetros, superando também a própria meta física.

Enquanto a distância crescia, o número de doações já havia tomado uma proporção que a família não conseguia prever.

Em 26 de junho, a arrecadação ultrapassou a marca de 1 milhão de libras

O momento financeiro decisivo ocorreu antes mesmo do fim da caminhada.

Em 26 de junho de 2020, as contribuições ultrapassaram 1 milhão de libras. Pela cotação atual, somente essa marca corresponde a cerca de R$ 6,9 milhões. A mãe disse estar sem palavras diante da quantidade de pessoas que havia aderido à campanha.

No encerramento da caminhada, em 30 de junho, a ITV registrou 1.073.121 libras arrecadadas, valor que corresponde atualmente a aproximadamente R$ 7,4 milhões.

Tony tinha começado tentando levantar o equivalente a cerca de R$ 3,5 mil.

Em apenas um mês, a campanha havia superado esse objetivo inicial em mais de duas mil vezes.

O garoto de 5 anos concluiu os últimos passos cercado pela família e por apoiadores, transformando uma meta de reabilitação em uma das campanhas infantis mais bem-sucedidas daquele período no Reino Unido.

O dinheiro continuou chegando mesmo depois que Tony parou de caminhar

A data de 30 de junho encerrou o desafio, mas não encerrou as doações.

Nos meses seguintes, o total continuou crescendo. Em novembro de 2020, o Evelina London já contabilizava 1,5 milhão de libras, aproximadamente R$ 10,4 milhões em valores convertidos pela cotação atual.

Anos depois, a dimensão aumentou ainda mais.

Em 2024, o próprio hospital registrou que Tony havia arrecadado 1,8 milhão de libras, aproximadamente R$ 12,5 milhões pela cotação atual, tornando-se o maior arrecadador da história da Evelina London Children’s Charity.

A Tony Hudgell Foundation mantém atualmente um contador superior a 1,83 milhão de libras ligado às iniciativas desenvolvidas ao longo de sua trajetória.

O que começara como 10 quilômetros havia adquirido uma escala permanente.

Parte da arrecadação voltou para o hospital em forma de novos espaços para crianças

Tony não arrecadou milhões apenas para produzir um número simbólico. O Evelina London informou que os recursos foram direcionados para projetos destinados a melhorar atendimento, infraestrutura e experiência de crianças e famílias que dependem do hospital.

Um dos resultados mais visíveis foi a participação financeira na criação de uma nova unidade de cirurgia pediátrica de curta permanência. Segundo o hospital, 500 mil libras provenientes da arrecadação de Tony ajudaram a financiar o projeto.

A unidade foi planejada para reunir preparação, procedimento, recuperação e alta em um mesmo ambiente adaptado às necessidades infantis, permitindo também ampliar a capacidade do hospital para pacientes mais complexos.

Em 2024, Tony voltou ao local.

Dessa vez, não apenas como paciente.

O hospital colocou Tony no teto vestido de astronauta

Durante uma visita à nova unidade, Tony recebeu uma homenagem preparada pelos profissionais. Uma das placas decorativas instaladas no teto do espaço mostra o menino como astronauta, usando suas próteses e muletas. O hospital também lhe entregou uma versão da peça e um tijolo gravado como lembrança.

A escolha tinha significado direto.

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O menino que chegara à instituição com poucas semanas de vida, retornara para tratamentos durante anos, perdera as duas pernas e precisara reaprender a caminhar agora aparecia incorporado à estrutura construída parcialmente com o dinheiro que ele próprio havia arrecadado.

Quando Tony iniciou a campanha aos 5 anos, provavelmente não tinha dimensão financeira do que significava 1 milhão de libras.

Ele entendia algo mais simples: queria ajudar o hospital que o havia ajudado.

Aos 5 anos, Tony transformou aprender a andar em uma forma de agradecer

A trajetória torna-se particularmente incomum quando colocada em ordem.

Tony sofreu lesões graves com apenas algumas semanas de vida. Foi atendido pelo Evelina London Children’s Hospital. Teve as duas pernas amputadas em 2017. Recebeu próteses e precisou aprender novamente uma habilidade básica que a maioria das crianças adquire naturalmente nos primeiros anos.

Então, aos 5 anos, decidiu que aquele próprio processo de aprendizagem poderia beneficiar outras pessoas.

A meta era 10 quilômetros. A meta financeira correspondia hoje a cerca de R$ 3,5 mil.

Ele terminou percorrendo 12 quilômetros. No último dia do desafio, as doações já equivaliam hoje a mais de R$ 7 milhões, e a mobilização continuaria crescendo até superar o equivalente atual a R$ 12 milhões.

O detalhe mais marcante talvez esteja justamente no começo da história: Tony não precisou completar uma maratona, subir uma montanha ou realizar algo concebido inicialmente como extraordinário.

Para ele, caminhar já era extraordinário.

E foram esses primeiros quilômetros sobre duas novas próteses que acabaram ajudando a financiar o mesmo hospital no qual sua própria vida havia começado a ser reconstruída.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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