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Aos 6 anos, menino vê famílias passando fome na pandemia, decide abrir mão do Fusca de colecionador que considerava seu, convence os pais a rifar o carro, vende 4.500 números e transformou a iniciativa em 450 cestas básicas para famílias de MG

Aos 6 anos, menino vê famílias passando fome na pandemia, decide abrir mão do Fusca de colecionador que considerava seu, convence os pais a rifar o carro, vende 4.500 números e transformou a iniciativa em 450 cestas básicas para famílias de MG

MG

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Aos 6 anos, menino vê famílias passando fome na pandemia, decide abrir mão do Fusca de colecionador que considerava seu, convence os pais a rifar o carro, vende 4.500 números e transformou a iniciativa em 450 cestas básicas para famílias de MG

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 07/09/2026 às 23:44

Atualizado em 07/09/2026 às 23:51

Curiosidades

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Garoto de 6 anos rifa carro de colecionador para doar cestas básicas em MG – Reprodução/R7 – Via Youtube

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Aos 6 anos, Arthur abriu mão de um Fusca de colecionador, mobilizou 4.500 rifas e ajudou a entregar 450 cestas básicas em Contagem.

Em 2021, aos 6 anos, Arthur Moreira assistia com a família a uma reportagem sobre brasileiros enfrentando dificuldades para colocar comida dentro de casa durante a pandemia quando decidiu que queria fazer alguma coisa. O menino olhou para um Fusca 1980 de placa preta, automóvel de colecionador que desde pequeno considerava seu, e propôs usar justamente aquele bem para ajudar quem estava passando fome. A mobilização terminou com 4.500 rifas vendidas e 450 cestas básicas distribuídas a pessoas de Contagem, em Minas Gerais.

Segundo o UOL Ecoa, publicado em 26 de setembro de 2021, a ideia original de Arthur era vender o Fusca. O pai, o engenheiro mecânico Eduardo Moreira, sugeriu transformar o carro em prêmio de uma rifa para envolver um número maior de pessoas. O plano funcionou tão bem que a história não terminou nas 450 cestas: depois de a rifa ficar sem ganhador, o automóvel acabou vendido em uma negociação que garantiu 57 latas mensais de leite especial durante sete meses para uma organização que atendia crianças, operação estimada em cerca de R$ 20 mil.

Fusca 1980 já era tratado pela família como o carro de Arthur

O automóvel não havia sido comprado para uma campanha social. Eduardo Moreira contou ao UOL Ecoa que havia adquirido o Fusca 1980 cerca de cinco anos antes, quando Arthur ainda tinha pouco mais de 1 ano. Era um veículo de placa preta, classificação associada a automóveis antigos preservados dentro de determinados critérios históricos.

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Garoto de 6 anos rifa carro de colecionador para doar cestas básicas em MG – Reprodução/R7 – Via Youtube

A relação afetiva surgiu praticamente no momento da compra. Segundo o pai, a loja onde encontrou o Fusca tinha o nome Arthur, e havia também uma referência ao nome do filho no próprio carro.

Sempre que alguém perguntava se venderia o veículo, Eduardo respondia que o Fusca pertencia ao menino.

Arthur levou a ideia a sério. Quando começou a ler e reconheceu o próprio nome relacionado ao automóvel, passou a enxergá-lo efetivamente como seu.

Essa ligação torna a decisão tomada aos 6 anos mais significativa: para ele, não se tratava simplesmente de oferecer um objeto dos pais. Era abrir mão de algo que durante praticamente toda a infância havia sido apresentado como “seu carro”.

Uma reportagem sobre fome mudou o destino do carro

O gatilho surgiu dentro de casa. Em determinado momento de 2021, a família assistia à televisão quando uma reportagem mostrou as dificuldades enfrentadas por pessoas em situação de vulnerabilidade durante a pandemia.

Arthur ficou incomodado.

Assista o vídeo

O menino procurou o pai e argumentou que, se o Fusca realmente era seu, gostaria de fazer alguma coisa com o veículo para ajudar aquelas pessoas.

A reação de Eduardo foi tentar preservar tanto a intenção do filho quanto o carro. Em vez de simplesmente vender o Fusca imediatamente, propôs que a família realizasse uma rifa.

Assim, uma única propriedade poderia mobilizar centenas ou milhares de pessoas e multiplicar a arrecadação.

Era uma maneira de transformar o gesto individual de uma criança em uma campanha coletiva.

Vídeo de menino de 6 anos colocou a campanha nas redes sociais

A família gravou Arthur explicando pessoalmente a ideia. No vídeo, o menino se apresentava, mostrava o Fusca e dizia que pretendia utilizar o dinheiro arrecadado para comprar cestas básicas destinadas a pessoas que não tinham o que comer.

A publicação começou a circular entre amigos e depois ganhou alcance maior nas redes sociais.

O objetivo inicial deixava de depender apenas do patrimônio da família. Cada pessoa que comprasse um número passaria a participar da ação.

A estratégia chegou a 4.500 rifas vendidas. O resultado social, entretanto, foi documentado: o dinheiro obtido permitiu montar 450 cestas básicas.

4.500 rifas se transformaram em 450 cestas básicas

A proporção final é uma das partes mais marcantes da história. Para cada dez números vendidos, em média, a campanha terminou com uma cesta básica entregue, embora isso não signifique que cada dez bilhetes correspondessem financeiramente ao custo exato de uma cesta.

No total foram 450 unidades destinadas a pessoas em situação de necessidade em Contagem.

Eduardo relatou que a procura revelou dificuldades que muitas vezes estavam escondidas mesmo entre conhecidos.

Garoto de 6 anos rifa carro de colecionador para doar cestas básicas em MG – Reprodução/R7 – Via Youtube

Segundo ele, houve pessoas que a família sequer sabia que estavam atravessando problemas financeiros e que apareceram procurando ajuda. O carro que durante anos havia sido objeto de coleção passou, assim, a ter outra função.

Em vez de permanecer guardado como patrimônio familiar, tornou-se o centro de uma mobilização que colocou alimentos dentro de centenas de casas.

História aconteceu quando 19 milhões de brasileiros enfrentavam fome

Dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, realizado pela Rede PENSSAN e divulgados em 2021, indicavam que 116,8 milhões de brasileiros conviviam com algum grau de insegurança alimentar no fim de 2020.

Desses, aproximadamente 43,4 milhões não tinham alimentos em quantidade suficiente, enquanto cerca de 19 milhões estavam em situação de insegurança alimentar grave, caracterizada pela fome. A FAO publicou os resultados do levantamento, que apontava segurança alimentar em apenas 44,8% dos domicílios pesquisados.

Arthur obviamente não precisava conhecer toda essa dimensão estatística. Bastou ver pessoas sem comida para perguntar o que possuía e poderia transformar em ajuda. A resposta foi um Fusca.

Depois de 450 cestas, aconteceu algo inesperado com a rifa

A campanha poderia ter terminado depois da distribuição dos alimentos.

Mas surgiu uma situação incomum. De acordo com o relato de Eduardo ao UOL Ecoa, a rifa não teve ganhador.

O fato é que o Fusca continuava com a família mesmo depois de ter mobilizado as 4.500 participações e financiado as cestas.

Eduardo perguntou ao filho o que fariam agora. Arthur ainda tinha outra coisa própria: uma bicicleta antiga.

A resposta do menino foi novamente direcionar os bens para uma nova ação solidária.

A família decidiu colocar o Fusca à venda e utilizar a negociação para ajudar uma organização voltada a crianças que precisava de leite especial.

Empresário que havia comprado rifas decide comprar o Fusca

O comprador apareceu entre as pessoas que já conheciam a história. O empresário Willian de Oliveira havia acompanhado a campanha pelas redes sociais e comprado aproximadamente 30 números da rifa.

Ele não foi contemplado.

Quando percebeu que Arthur e a família continuavam dispostos a abrir mão do carro para completar outra ação beneficente, decidiu participar novamente. Willian adquiriu o Fusca.

Só que o pagamento foi estruturado de uma forma diferente.

Em vez de simplesmente entregar dinheiro aos Moreira, comprometeu-se a fornecer diretamente 57 latas de leite especial por mês durante sete meses para uma ONG que atendia crianças.

Venda garantiu 399 latas de leite especial durante sete meses

A conta mostra a escala da segunda etapa. Foram 57 latas mensais durante sete meses, totalizando 399 latas de leite especial.

Cada unidade custava, segundo o comprador, aproximadamente R$ 50 naquele momento.

Multiplicado pelas 399 latas, o fornecimento representava aproximadamente R$ 19.950, arredondados para R$ 20 mil, justamente o valor estimado do Fusca naquela negociação.

Assim, o mesmo automóvel produziu dois impactos diferentes. Primeiro funcionou como chamariz de uma rifa que resultou em 450 cestas básicas.

Depois foi efetivamente transferido para outro proprietário em troca de um compromisso equivalente a quase R$ 20 mil em alimentação especial destinada a crianças.

A decisão de uma criança de 6 anos havia, na prática, prolongado a utilização social do carro durante meses.

Comprador disse ter retomado ações solidárias depois de conhecer Arthur

Willian também contou ao UOL Ecoa que já apoiava trabalhos solidários antes da pandemia, mas havia interrompido esse tipo de participação durante aquele período.

A campanha de Arthur mudou sua disposição.

Depois de comprar alguns números e acompanhar o desdobramento da história, decidiu adquirir o veículo quando soube da nova finalidade proposta pela família.

O Fusca tornou-se seu primeiro automóvel com placa preta. Mas a compra não foi construída exclusivamente como uma transação entre colecionadores.

O pagamento estava diretamente vinculado ao fornecimento do leite especial. Dessa maneira, até a mudança definitiva de proprietário continuou associada à iniciativa original do menino.

Arthur tinha apenas 6 anos quando decidiu que o carro poderia ter outra utilidade

A força da história não está no valor de mercado do Fusca. Está na lógica utilizada por Arthur.

Ele viu pessoas passando necessidade, lembrou de algo que acreditava possuir e decidiu que aquele bem seria mais útil convertido em alimento.

A partir daí, os adultos transformaram o raciocínio em logística: criaram a rifa, divulgaram o vídeo, organizaram arrecadação e distribuição, negociaram posteriormente o automóvel e direcionaram o pagamento para uma segunda necessidade social.

Foto: Aruivo Pessoal

Tudo começou, porém, com a reação de uma criança diante de uma reportagem sobre fome.

Em um Brasil onde 19 milhões de pessoas enfrentavam fome no período retratado pelo levantamento da Rede PENSSAN, Arthur Moreira não tinha estrutura para resolver um problema nacional. Mas encontrou uma maneira concreta de agir dentro do alcance que possuía.

Aos 6 anos, abriu mão do Fusca que durante praticamente toda a vida ouvira dizer que era seu.

O carro de colecionador saiu da garagem, mobilizou 4.500 participações, ajudou a colocar 450 cestas básicas nas mãos de famílias de Contagem e ainda terminou sua história com a família garantindo sete meses de leite especial para crianças atendidas por uma organização social.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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