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Aos 69 anos, Pedro trocou a reciclagem por uma nova vida na avicultura, aprendeu a criar aves do zero, ampliar a fazenda de 16 para 24 aviários e agora quer chegar a 30 enquanto passa o negócio aos filhos
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 14/09/2026 às 21:12
Atualizado em 14/09/2026 às 21:13
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Aos 69 anos, Pedro trocou décadas no setor de reciclagem pela avicultura, ampliou a propriedade de 16 para 24 aviários e agora prepara os filhos para assumir o negócio.
Aos 69 anos, Pedro Antônio Oliveira decidiu iniciar uma atividade na qual ainda precisava aprender praticamente tudo. Depois de manter durante 25 anos uma empresa de reciclagem de plástico em São Paulo, ele passou a investir na avicultura e viu a propriedade rural crescer de 16 para 24 aviários. A próxima etapa já está definida: construir mais seis estruturas e alcançar um total de 30.
A transformação ganhou uma dimensão familiar. Os filhos, que já haviam trabalhado com ele na empresa da capital paulista, passaram a ocupar espaço cada vez maior na administração rural. Três anos depois de apresentar sua história ao programa Interligados – Vida no Campo, Pedro voltou a mostrar uma operação maior e um processo de sucessão que já começou.
Pedro amplia produção enquanto passa decisões aos filhos
O crescimento físico da propriedade ocorreu principalmente entre 2023 e 2025, período em que oito novos aviários foram construídos. As estruturas adicionais começaram a funcionar entre o fim de dezembro de 2025 e janeiro de 2026, levando a granja aos atuais 24 galpões.
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Agora, o planejamento prevê uma nova expansão de seis unidades. Chegar aos 30 aviários não significa apenas acrescentar construções: o avanço também exige mais pessoas trabalhando na propriedade e uma administração preparada para acompanhar uma operação maior.
Ao mesmo tempo, Pedro deixou de concentrar todas as decisões. Um dos filhos, Edmilson, saiu de São Paulo para participar diretamente da gestão, enquanto a família passou a modificar procedimentos à medida que acumulava experiência com a criação de aves.
Segundo o produtor, a administração não permaneceu igual desde o início. A forma de organizar o trabalho foi sendo revista ao longo dos anos, num processo que ele descreve como um aprimoramento contínuo.
Pandemia levou empresário a enxergar a propriedade de outra forma
A avicultura apareceu depois de uma mudança na rotina provocada pela Covid-19. Por causa da idade e das preocupações com a doença, Pedro passou a permanecer por períodos maiores na propriedade rural, que antes frequentava principalmente nos fins de semana.
A experiência alterou sua relação com o local. Depois de décadas vivendo em São Paulo, ele percebeu que queria continuar no campo, mas sem transformar a mudança em aposentadoria ou abandono do trabalho.
Foi então que começou a observar quais atividades já estavam crescendo na região. Conversou com produtores, buscou orientação e avaliou alternativas que pudessem funcionar dentro da área disponível.
A criação de aves acabou ganhando espaço porque não exigia a mesma extensão territorial que seria necessária para ampliar significativamente culturas como soja ou milho.
Escolha pela avicultura exigiu aprender uma atividade inteiramente nova
Ter experiência empresarial não eliminou as dificuldades do início. Pedro reconhece que entrar em um setor desconhecido trouxe insegurança, principalmente porque ele ainda não dominava a rotina interna dos aviários.
A assistência recebida durante a implantação ajudou a família a compreender os procedimentos e ajustar a operação. Na avaliação dele, empreender também envolve aceitar um período em que nem todas as respostas estão disponíveis.
Alguns pontos pesaram na decisão pela atividade:
- a quantidade de terra disponível para produção;
- o crescimento das granjas na região;
- a possibilidade de trabalhar dentro de um sistema de integração;
- a orientação recebida de quem já atuava no setor;
- a perspectiva de ampliar gradualmente a estrutura.
Pedro passou a enxergar a avicultura como uma forma de produzir em maior escala sem depender de uma propriedade muito mais extensa. Ele resume essa lógica chamando o avicultor de um “pequeno grande produtor”.
Antes dos aviários, o campo já fazia parte da história de Pedro
Embora a avicultura tenha chegado tarde à trajetória profissional, o trabalho rural apareceu muito antes. Ainda criança, Pedro atuava ao lado dos irmãos em diferentes propriedades e participava de cultivos de alho, cebola, amendoim e algodão.
Décadas depois, já dono de uma área rural, tentou recuperar parte desse conhecimento. Em 2003, plantou alho e conseguiu uma colheita considerada boa, mas o resultado financeiro não acompanhou a produtividade.
O preço recebido pelo produto comprometeu a lucratividade e impediu que aquela experiência avançasse como negócio. O cultivo, no entanto, deixou uma marca curiosa: ele passou a ser conhecido na região como “Pedro do Alho”.
Depois vieram outras tentativas, entre elas milho e eucalipto. Nenhuma, porém, substituiu naquele momento a atividade que sustentava sua vida profissional na cidade.
Reciclagem ocupou 25 anos da trajetória na capital paulista
A maior parte da carreira de Pedro foi construída longe dos aviários. Ele viveu 47 anos em São Paulo e passou um quarto de século comandando uma empresa dedicada à reciclagem de plástico.
Os dois filhos também trabalhavam no empreendimento, criando uma experiência familiar de gestão antes mesmo da mudança para o campo.
Essa história empresarial ajuda a explicar por que a ida para a propriedade não significou uma tentativa de simplesmente reduzir o ritmo. Mesmo procurando uma rotina diferente, ele continuou interessado em construir e ampliar negócios.
A própria família adotou uma postura de entrada definitiva na nova atividade. Um dos filhos resume que, quando decidiram investir, a intenção era participar de forma integral e desenvolver a operação.
Vida no campo mudou ritmo, mas não reduziu disposição para trabalhar
Depois de quase cinco décadas em São Paulo, Pedro encontrou no interior uma rotina que considera muito diferente daquela mantida na capital.
Ele recorda que os dias na cidade começavam acelerados, algumas vezes sem tempo sequer para tomar café com calma. No campo, a primeira sensação foi de poder respirar e diminuir aquela pressão cotidiana.
O resultado, porém, ficou longe de uma vida parada. Enquanto a rotina se tornou menos urbana, o patrimônio produtivo cresceu, novas instalações foram construídas e mais pessoas passaram a trabalhar na propriedade.
Para Pedro, tranquilidade e trabalho não são ideias incompatíveis. Ele continua falando em expansão mesmo enquanto entrega gradualmente aos filhos o comando das decisões.
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Sucessão começou antes de Pedro pensar em parar
A transferência de responsabilidades já está em andamento. O produtor afirma que os negócios foram repassados aos filhos, embora ele continue acompanhando a operação e ocupando uma posição de referência dentro da família.
Na visão dele, não existe uma idade exata para alguém estar pronto para assumir uma empresa. A responsabilidade deve ser entregue quando a pessoa demonstra maturidade para tomar decisões.
Um dos filhos descreve o pai como uma influência empresarial desde a infância e destaca uma característica que acompanhou toda a trajetória: a disposição para construir novos projetos em vez de permanecer apenas repetindo aquilo que já funcionava.
Essa lógica aparece agora na granja, onde expansão e sucessão avançam ao mesmo tempo.
Meta de 30 aviários mantém novo capítulo em movimento
O objetivo imediato é concluir os seis aviários que faltam para alcançar a estrutura planejada de 30 unidades. Ao mesmo tempo, a família precisa consolidar uma gestão capaz de acompanhar esse crescimento e preparar a próxima geração para conduzir o empreendimento.
Aos 69 anos, o produtor não estabelece uma data para deixar de participar. Ele afirma que pretende continuar realizando projetos enquanto tiver disposição e força para trabalhar.
Também defende que uma atividade profissional precisa produzir conhecimento que possa ser utilizado no futuro, e não apenas ocupar as horas de um dia. É esse princípio que agora aparece na formação dos filhos dentro do negócio.
Depois de infância trabalhando em lavouras, décadas administrando reciclagem, uma tentativa com alho e uma mudança de rotina provocada pela pandemia, Pedro chegou a uma fase em que produção, expansão e sucessão familiar acontecem simultaneamente — com 24 aviários em funcionamento e uma meta que ainda mantém a propriedade em construção.
Fonte
Canal Rural
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

