BA
5 min de leitura
Aos 7 anos, menina de Itabuna diz que já tem brinquedos suficientes, abre mão dos presentes de aniversário, pede pacotes de leite em pó aos colegas do 1º ano e leva tudo ao GACC para ajudar crianças em tratamento contra o câncer
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 09/09/2026 às 00:12
Atualizado em 09/09/2026 às 00:13
Curiosidades
Canal
1 pessoa reagiu a isso.
Prefira o CPG no Google
Maria Fernanda decidiu transformar a própria festa em uma arrecadação depois de perceber que já tinha brinquedos suficientes. Os colegas do 1º ano trocaram os presentes por pacotes de leite em pó, reunidos durante a comemoração em agosto de 2019. Duas semanas depois, a menina, os pais e estudantes foram pessoalmente ao GACC Sul Bahia entregar as doações.
A comemoração de aniversário de Maria Fernanda, então com 7 anos, teve uma regra incomum para uma criança daquela idade. Em vez de brinquedos, jogos ou outros presentes, ela pediu aos colegas que levassem pacotes de leite em pó destinados a crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer.
A iniciativa ocorreu em Itabuna, no sul da Bahia, em 2019. Maria estudava o 1º ano do ensino fundamental no Colégio Adventista de Itabuna e fez a festa com os colegas em 22 de agosto daquele ano. A arrecadação recebeu o nome de “Colheita de Amor”.
Os produtos não ficaram na escola. Em 5 de setembro, Maria Fernanda, seus pais e colegas foram à Casa de Apoio do Grupo de Apoio à Criança com Câncer, o GACC Sul Bahia, para entregar o leite arrecadado. O caso foi divulgado pela Agência Adventista Sul-Americana de Notícias em 8 de setembro de 2019.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Ideia surgiu quando Maria disse à mãe que já tinha brinquedos suficientes
A decisão começou antes da festa, durante uma arrumação no quarto de Maria Fernanda. A mãe, Raffaella Moutinho, contou à publicação que as duas estavam separando brinquedos repetidos para doação quando começaram a conversar sobre o aniversário que se aproximava.
Foi nesse momento que a menina disse que já possuía muitos brinquedos e não precisava receber outros. Em seguida, sugeriu pedir aos colegas algum item que pudesse ser usado para ajudar crianças atendidas pelo GACC.
A ideia saiu da conversa entre mãe e filha e virou o formato da comemoração. Os convidados continuariam participando da festa, mas aquilo que normalmente seria gasto com um presente poderia ser convertido em alimento para a instituição.
O destino também não foi escolhido ao acaso. A mãe contou que a família havia perdido, no início daquele ano, uma tia muito querida em decorrência de um câncer, situação que havia mexido bastante com Maria.
Segundo Raffaella, a filha falava sobre a saudade da familiar e dizia que pretendia se tornar “médica cientista” para buscar a cura de doenças.
Festa de 7 anos virou uma arrecadação de leite em pó entre alunos do 1º ano
Maria Fernanda chamou a própria comemoração de “Colheita de Amor”. Durante a festa de 22 de agosto, explicou com palavras de criança por que havia escolhido o leite em vez de presentes.
Ela disse que queria ajudar crianças com câncer e que havia pedido os pacotes justamente para encaminhá-los ao GACC. A proposta envolveu os colegas de turma e também chamou a atenção da professora Claudia Vivas.
De acordo com a publicação da época, os estudantes já tinham contato com atividades sociais promovidas pelo colégio. Para a professora, a iniciativa se diferenciava por ter surgido espontaneamente da própria aluna e encontrado apoio da família.
O resultado podia ser visto nos pacotes de leite reunidos durante a comemoração. O material recebido como “presente” ficou reservado até a visita à instituição escolhida por Maria.
Maria e os colegas foram pessoalmente ao GACC entregar as doações
A arrecadação não terminou quando a festa acabou. Em 5 de setembro de 2019, cerca de duas semanas depois da comemoração, Maria Fernanda foi acompanhada pelos pais, colegas e representantes da escola até a Casa de Apoio do GACC Sul Bahia.
Os pacotes de leite em pó foram entregues diretamente à instituição. Na época, a coordenadora da Casa de Apoio, Juliana Silva, explicou que alimentos recebidos por meio de doações tinham utilização prática no atendimento às famílias.
Segundo ela, o trabalho do GACC não se restringia à hospedagem. A entidade também fornecia alimentação para pacientes internados e seus acompanhantes e, em situações específicas, ajudava famílias com cestas básicas.
Para uma instituição que depende de contribuições da comunidade, uma arrecadação organizada dentro de uma sala do ensino fundamental podia representar produtos usados diretamente na rotina dos pacientes e acompanhantes.
GACC atende crianças que precisam viajar até Itabuna para fazer tratamento
Quando a iniciativa de Maria foi divulgada, o GACC Sul Bahia informava atender, em média, 20 famílias por semana, com atuação ligada a pacientes provenientes de uma área de mais de 200 municípios. Esses números correspondem ao contexto informado pela entidade em 2019.
O grupo existe desde 6 de outubro de 1996 e foi criado para apoiar crianças e adolescentes com câncer e suas famílias durante o tratamento. A entidade é uma organização sem fins lucrativos e mantém uma Casa de Apoio em Itabuna.
A estrutura possui espaços de acolhimento, refeitório, brinquedoteca e áreas destinadas à continuidade escolar. Segundo o próprio GACC, a Casa de Apoio tem capacidade para 64 leitos, além de salas voltadas para psicologia, educação e convivência.
Dados mais recentes divulgados pela instituição ajudam a dimensionar o trabalho que continuou sendo realizado depois da doação de Maria. O GACC informa ter acolhido mais de 3,6 mil famílias entre 1996 e 2025. Somente em 2025, foram registradas mais de 8,9 mil diárias e mais de 52 mil refeições servidas.
A entidade continua aceitando doações de alimentos, roupas, brinquedos e materiais utilizados na manutenção da Casa de Apoio e no auxílio aos pacientes durante os intervalos do tratamento.
Perda de uma tia para o câncer ajudou a aproximar Maria da causa
A mãe da menina relatou que a preocupação com outras pessoas já aparecia no comportamento da filha antes do aniversário. Quando encontrava alguém em dificuldade, Maria costumava procurar os pais ou os avós para saber de que forma poderia ajudar.
A morte da tia naquele mesmo ano aproximou ainda mais a criança do tema do câncer. Em vez de transformar a festa em uma homenagem formal, Maria chegou a uma solução bastante concreta para uma menina de 7 anos: deixar de receber algo que considerava desnecessário e pedir um produto que outra família poderia usar.
O gesto acabou ultrapassando os limites da sala de aula. A história ganhou uma página no jornal Diário Bahia e posteriormente foi anunciada também para uma reportagem em vídeo da TV Novo Tempo.
Para os pacientes e acompanhantes atendidos pelo GACC, porém, a consequência mais imediata estava nas embalagens levadas até a Casa de Apoio no dia 5 de setembro.
E você, o que achou da decisão de Maria Fernanda de trocar os presentes do aniversário de 7 anos por leite em pó para crianças em tratamento contra o câncer?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

