4 min de leitura
Aos 77 anos, Djavan mantém seu sítio em Araras, na Região Serrana do Rio, como um refúgio botânico, onde preserva Mata Atlântica, cultiva mais de 800 orquídeas de 350 espécies e mantém produção orgânica em meio à floresta
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 05/09/2026 às 14:24
Atualizado em 05/09/2026 às 14:51
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Na propriedade serrana, o cantor concilia a conservação da vegetação nativa com um orquidário estruturado para centenas de plantas, além de horta e pomar orgânicos. O interesse pela botânica também ultrapassou os limites do sítio e chegou à música.
A rotina de Djavan fora dos palcos inclui uma propriedade em Araras, na Região Serrana do Rio de Janeiro, onde trechos de Mata Atlântica preservada convivem com cultivo de orquídeas e produção de alimentos. O cantor mantém no local uma relação cotidiana com jardins, floresta e agricultura.
O registro mais detalhado divulgado pelo próprio artista sobre o orquidário apareceu em uma entrevista ao Jornal do Brasil, em 2018. Na ocasião, Djavan informou que a estrutura reunia 850 plantas de 360 espécies, depois de ter sido planejada inicialmente para aproximadamente 450 exemplares.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
Brasil investe R$ 210 milhões em três plataformas de RNA e prepara para 2027 os primeiros testes clínicos de vacina nacional de mRNA
O Brasil investiu R$ 210 milhões em plataformas de RNA mensageiro e prepara para 2027 o primeiro estudo clínico de uma vacina contra a Covid-19 desenvolvida integralmente no país com…
Paulo Nogueira
0
O cultivo começou por interesse pessoal, e não como atividade comercial. Djavan contou que já mantinha jardins quando percebeu que não cultivava orquídeas e decidiu procurar um especialista para estruturar um espaço adequado às exigências das plantas.
A orientação técnica passou a fazer parte da rotina porque o cultivo depende de fatores como luminosidade, ventilação e umidade. Com o tempo, a coleção aumentou, e o cantor também passou a estudar espécies, aromas, formatos, procedências e nomenclaturas científicas.
O espaço, concebido para algumas centenas de exemplares, continuou recebendo novas orquídeas conforme o interesse pelo assunto se transformava em atividade permanente. Os registros sobre a propriedade situam a coleção acima de 800 plantas e 350 espécies.
Mata Atlântica e áreas de cultivo
O orquidário está dentro de uma propriedade que Djavan descreveu como uma área de 11 alqueires de Mata Atlântica em Araras, distrito de Petrópolis. O objetivo relatado pelo cantor é reduzir interferências nos trechos de vegetação nativa e preservar a dinâmica natural do ambiente.
Entre os elementos mencionados por ele estão pássaros sazonais, fontes, nascentes e matas ciliares, além das árvores e demais espécies que compõem a floresta. Djavan também afirmou contar com auxílio de biólogos no acompanhamento da propriedade.
Esse cuidado diferencia a área preservada das partes do terreno usadas para cultivo. Nos trechos de Mata Atlântica, a proposta descrita pelo artista é interferir o mínimo possível, enquanto o orquidário exige observação frequente e condições adequadas para espécies mais sensíveis.
A propriedade também reserva espaço para produção de alimentos. Uma reportagem da Caras descreve o sítio com áreas de agricultura orgânica, incluindo horta e pomar destinados ao cultivo de legumes, hortaliças e frutas.
As formas de uso seguem rotinas distintas. A floresta é mantida com foco em conservação; horta e pomar são áreas produtivas, enquanto o orquidário depende de manejo mais controlado, compatível com as necessidades das espécies cultivadas.
Fontes, nascentes e matas ciliares fazem da água outro elemento presente na área descrita pelo cantor. O acompanhamento de biólogos integra esse cuidado com os trechos naturais e com a preservação dos processos existentes na floresta.
Da infância à música
A relação de Djavan com plantas é anterior ao sítio e ao próprio orquidário. Ao Jornal do Brasil, ele relatou que a mãe lhe ensinava nomes de plantas e constelações na infância, contato que ajudou a formar seu interesse por diferentes paisagens e formações vegetais brasileiras.
Esse repertório continuou presente na vida adulta e passou a incluir estudo mais sistemático quando o cantor se dedicou às orquídeas. Livros e pesquisas sobre espécies fizeram parte desse processo, assim como a atenção à pronúncia dos nomes científicos e às características particulares de cada planta.
O interesse também chegou à produção musical. No álbum “Vesúvio”, lançado em 2018, Djavan incluiu a faixa “Orquídea”, cuja letra incorpora nomes científicos de espécies e explora a sonoridade das palavras em latim.
O compositor relatou que a ideia nasceu do contato frequente com as plantas e das pesquisas realizadas para compreender melhor o universo das orquídeas. Algumas espécies despertaram curiosidade suficiente para que ele procurasse exemplares depois de conhecê-las em livros.
A coleção passou a reunir plantas de diferentes origens, com exemplares associados a países como Austrália, Itália, Japão e Estados Unidos, além de variedades encontradas no Brasil. O estudo permitiu ao cantor observar diferenças de espécies, perfumes, formatos e procedências à medida que o orquidário crescia.
Os números divulgados em momentos diferentes mantêm a coleção na mesma ordem de grandeza. Djavan relatou ao Jornal do Brasil 850 plantas de 360 espécies, enquanto a descrição mais recente da propriedade trabalha com a referência de mais de 800 exemplares de mais de 350 espécies.
O sítio não representa afastamento da carreira musical. A propriedade funciona como refúgio nos períodos em que Djavan está distante da sequência de shows, gravações e outros compromissos profissionais, oferecendo uma rotina dedicada à floresta, às plantas e ao cultivo de alimentos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

