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Aos 78 anos, catadora de lixo vasculha materiais descartados quase à meia-noite no Vietnã, encontra saco com 15 anéis, colares, pulseira e pingente de ouro em meio aos recicláveis, leva tudo à polícia para achar a dona e recebe cerca de R$ 1.960 e 10 kg de arroz como agradecimento
Escrito por Ana Alice
Publicado em 10/09/2026 às 21:37
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Uma descoberta inesperada no meio de materiais descartados colocou uma catadora de 78 anos diante de uma decisão incomum e revelou como uma caixa esquecida no lixo conseguiu voltar às mãos de sua verdadeira dona.
O trabalho de Nguyễn Thị Mùi consiste justamente em procurar aquilo que outras pessoas decidiram jogar fora.
Garrafas, latas e caixas de papelão passam por suas mãos diariamente em Ho Chi Minh, no Vietnã.
Aos 78 anos, porém, ela encontrou no meio do material descartado algo que estava muito longe de ser lixo: 15 anéis, dois colares, uma pulseira e um pingente de ouro.
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O caso ocorreu na terça-feira (08), no bairro de Hiệp Bình, e ganhou repercussão depois que a polícia local divulgou a devolução das peças.
O detalhe que tornou a história ainda mais incomum apareceu depois: a dona das joias não havia sido vítima de furto nem deixado uma bolsa cair na rua.
Ela própria colocou o ouro no lixo por engano enquanto arrumava a casa.
Uma descoberta inesperada entre materiais recicláveis
A rotina de Mùi ajuda a dimensionar o acaso por trás da descoberta.
Segundo reportagem do Dân Trí, ela trabalha há cerca de cinco anos recolhendo materiais recicláveis e costuma passar boa parte do dia pelas ruas procurando plástico, latas e papelão que possam ser separados e vendidos.
Aos 78 anos, essa ainda é uma fonte de renda para a família.
Mùi vive com a filha e um neto em uma casa de menos de 20 metros quadrados, localizada no fim de um corredor estreito.
Na entrada ficam parte dos materiais recolhidos e os objetos usados no trabalho diário.
Foi dentro dessa rotina que surgiu o saco de papel.
As primeiras informações divulgadas pela polícia apontavam que Mùi encontrou o pacote por volta das 9h30 de 8 de setembro enquanto recolhia materiais.
Uma entrevista posterior dada pela própria idosa ao Dân Trí trouxe um detalhe a mais: ela contou que havia recolhido materiais em uma rua próxima a um rio depois do feriado nacional de 2 de setembro e levado tudo para casa.
As joias só apareceram no dia 8, quando ela começou a separar o que havia recolhido para vender.
Caixa escondia 19 peças de ouro
Dentro de um saco de papel com várias camadas havia uma caixa.
Quando abriu o recipiente, Mùi encontrou uma quantidade de peças que dificilmente poderia ser confundida com bijuterias comuns: eram 15 anéis, dois colares, uma pulseira e um pingente.
Mesmo assim, sua primeira reação foi imaginar que o ouro pudesse não ser verdadeiro.
“No começo, eu pensei que fosse ouro falso. Mas, quando mostrei para minha filha, descobri que era verdadeiro”, contou Mùi ao Dân Trí.
A família decidiu então procurar a polícia para localizar o proprietário.
A situação criava um contraste pouco comum.
De um lado estava uma mulher que, segundo a reportagem, ainda precisava percorrer as ruas recolhendo materiais recicláveis para ajudar nas despesas da casa.
Do outro, uma caixa cheia de joias de ouro cuja dona sequer sabia exatamente para onde os objetos haviam ido.
Mùi contou que nunca tinha encontrado algo de tamanho valor nos cerca de cinco anos em que trabalha com reciclagem.
Ainda assim, disse que ficar com os objetos não foi considerado uma opção pela família.
Família decidiu procurar a polícia
A filha mais nova da catadora, Phạm Thị Hồng, de 47 anos, também participou da decisão.
Ela trabalha com costura em casa enquanto ajuda a cuidar da mãe.
Ao descobrir o conteúdo da caixa, concordou que as joias deveriam ser entregues às autoridades.
Hồng explicou ao jornal que a própria situação financeira da família ajudava a entender o tamanho que uma perda como aquela poderia ter para outra pessoa.
Ela e a mãe então levaram todas as peças à Polícia de Hiệp Bình.
A partir daí, o mistério sobre a origem do ouro não demorou muito a ser resolvido.
Dona havia colocado as joias no lixo por engano
Os policiais identificaram a proprietária como Trần Thị Thùy Vân, de 34 anos, também moradora de Hiệp Bình.
Segundo o relato fornecido às autoridades, Vân estava arrumando sua residência quando colocou por engano o recipiente com as joias junto ao lixo.
O material descartado seguiu o caminho comum do lixo até chegar a um ponto de coleta.
Foi ali que acabou misturado ao que Mùi recolheu para levar para casa e separar posteriormente.
A coincidência exigiu uma sequência bastante específica para ter final feliz.
A caixa precisava passar despercebida durante o descarte, chegar ao local de coleta, ser recolhida pela catadora e, por fim, ser aberta antes que o material tivesse outro destino.
Depois que os policiais confirmaram a propriedade, Vân recebeu de volta todas as 19 peças ainda no mesmo dia.
O jornal Công An Thành phố Hồ Chí Minh, ligado à cobertura policial da cidade, publicou imagens das joias, da entrega à proprietária e da visita posterior à casa de Mùi.
Catadora recebeu dinheiro e 10 quilos de arroz
A história poderia ter terminado ali, com a caixa voltando para sua dona.
Houve, porém, mais uma visita.
Representantes da Polícia de Hiệp Bình, integrantes de uma equipe comunitária do bairro 41 e a própria Vân foram até a residência da catadora.
Mùi recebeu 10 milhões de dongues vietnamitas e 10 quilos de arroz, além de agradecimentos pela devolução dos objetos.
Na cotação consultada em 10 de setembro de 2026, os 10 milhões de dongues correspondiam a aproximadamente R$ 1.970.
Como taxas de câmbio variam ao longo do dia, o valor em reais deve ser entendido apenas como uma conversão aproximada.
Para a filha de Mùi, a quantia também estava longe de ser pequena.
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Ao Dân Trí, Hồng afirmou que os 10 milhões de dongues representavam muito dinheiro para a família, mas destacou a satisfação de saber que as joias haviam retornado à proprietária.
A própria Mùi resumiu sua decisão de maneira simples na entrevista.
Depois de descobrir que se tratava de ouro verdadeiro, afirmou que, apesar das dificuldades financeiras da casa, não poderia ficar com algo que pertencia a outra pessoa.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

