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Aos 78 anos, morador planta mais de 100 árvores frutíferas em área pública de Juiz de Fora, atrai pássaros e diz que pomar foi feito para a população e para o futuro
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 16/09/2026 às 09:19
Meio Ambiente
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José Correia, de 78 anos, cultiva há cerca de seis anos mais de 100 árvores frutíferas às margens da Via São Pedro, em Juiz de Fora, para atrair aves, gerar sombra e deixar frutos para a população e para o futuro.
Aos 78 anos, José Correia ainda pega a bicicleta para chegar à Via São Pedro, na Cidade Alta, em Juiz de Fora, onde cuida de mais de 100 árvores frutíferas que plantou ao longo de cerca de seis anos. O pomar cresceu em uma área pública e nasceu de uma ideia simples: oferecer alimento para pássaros e outros animais que, segundo ele, apareciam pouco naquele trecho.
Entre as árvores estão mangueiras, abacateiros, goiabeiras e aceroleiras. Só de mangueiras, José contabiliza 52. Algumas mudas ainda são pequenas, enquanto outras já cresceram o suficiente para produzir frutos e formar sombra, mudando gradualmente a paisagem de uma área frequentada por moradores para caminhada e lazer.
Mais de 100 árvores nasceram de uma preocupação com pássaros que quase não apareciam no local
José contou à Tribuna de Minas que começou a plantar depois de observar a pouca presença de pássaros e outros animais na região. Em vez de escolher espécies apenas ornamentais, ele priorizou árvores frutíferas, pensando em criar pontos de alimento para a fauna e, ao mesmo tempo, deixar frutos disponíveis para quem passa pelo local.
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Com o crescimento do pomar, ele passou a perceber mais aves no trecho. Cita baitacas e outros pássaros, além de patos, como visitantes mais frequentes. O relato é uma observação pessoal do morador, não um levantamento científico, mas ajuda a explicar por que ele continua dedicando parte da semana ao cuidado das plantas.
O trabalho também é físico. José faz capina e roçada ao redor das árvores e aproveita parte da vegetação retirada, deixando o material próximo aos troncos para que se decomponha. Segundo ele, essa matéria ajuda a manter o solo fresco e funciona como adubo orgânico. Quando consegue, volta ao pomar semanalmente para acompanhar as plantas.
História ganhou as redes depois que uma bióloga encontrou José cuidando do pomar
Durante uma caminhada pela Via São Pedro, a bióloga Júlia Firjam, que atua com educação ambiental e desenvolve projeto de agrofloresta, encontrou José no local. Ela conversou com o morador, gravou um vídeo sobre o plantio e publicou as imagens nas redes sociais. Foi assim que o trabalho, até então conhecido principalmente por quem circulava na região, alcançou um público maior.
O que chamou atenção não foi apenas a quantidade de árvores. Aos 78 anos, José mantém uma rotina voluntária em um espaço que ele próprio reconhece como coletivo. Para ele, as frutas não pertencem apenas a quem plantou: podem ser colhidas por moradores e pessoas que usam o trecho para lazer, desde que esperem o ponto certo e não danifiquem as plantas.
Essa visão aparece em uma das frases que resumem a relação dele com o lugar: “É meu e não é, né? É da população”. A fala ajuda a entender por que o morador continua investindo tempo em árvores cujo resultado será aproveitado por pessoas que ele talvez nem conheça.
52 mangueiras são parte de um pomar que José diz ter plantado pensando em quem virá depois
O tempo é uma parte importante da história. Uma árvore frutífera exige espera, manutenção e anos de crescimento. José não sabe quantas das mais de 100 árvores estarão de pé no futuro, quem colherá os frutos ou quem procurará sombra naquele espaço. Mesmo assim, segue plantando e cuidando do que já existe.
Ele também convive com limitações naturais da idade e com compromissos de saúde, o que impede uma presença diária no pomar. Ainda assim, diz que procura voltar sempre que pode. A atividade acabou se tornando parte da rotina e uma forma de permanecer ativo fora de casa, acompanhando de perto o desenvolvimento das plantas.
Quando algumas pessoas estranharam a iniciativa no começo, José continuou. Também ouviu questionamentos sobre podas e sobre a permanência das árvores no espaço. Seis anos depois, a quantidade de exemplares e o crescimento de parte deles transformaram o plantio em um elemento visível da Via São Pedro.
Prefeitura valoriza iniciativa, mas orienta avaliação técnica antes de novos plantios em áreas públicas
Como o pomar está em área pública, a história também envolve regras de arborização urbana. A Prefeitura de Juiz de Fora informou à Tribuna de Minas que reconhece e valoriza a iniciativa voluntária de José e destacou que o plantio de árvores pode ampliar áreas verdes, melhorar o conforto térmico, a paisagem e a qualidade ambiental.
Para quem pretende iniciar um plantio semelhante em espaço público, porém, a orientação municipal é procurar previamente a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas. A avaliação técnica permite verificar o local, indicar espécies adequadas e reduzir conflitos com redes de drenagem, água, energia elétrica e outras estruturas urbanas.
A Política Municipal de Arborização Urbana de Juiz de Fora, instituída pela Lei 13.206/2015, prevê planejamento, preservação, manejo e expansão da arborização e inclui a participação da população entre seus objetivos. Outra norma municipal, a Lei 13.759/2018, estabelece que propostas de plantio devem passar pelo órgão competente e por critérios técnicos.
“Eu plantei, mas é para o futuro”: o sentido de um trabalho que não termina na colheita
No caso de José, a imagem mais forte não é a de uma única árvore carregada de frutos, mas a de dezenas de plantas em diferentes fases de crescimento. Algumas já oferecem sombra; outras ainda precisam de anos. Juntas, elas materializam uma decisão repetida muitas vezes: plantar agora sem exigir que o benefício volte imediatamente para quem plantou.
É por isso que a frase “Eu plantei, mas é para o futuro” ganha peso ao final da história. Aos 78 anos, ele cuida de um espaço que afirma ser da população e mede o resultado em árvores que devem permanecer, produzir e oferecer sombra muito depois de cada manhã de capina ou roçada.
Se iniciativas como essa fazem diferença na sua cidade, conte nos comentários o que você pensa sobre pomares e árvores frutíferas em espaços públicos — e compartilhe esta história com quem acredita que pequenas ações podem deixar um legado coletivo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

