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Aos 8 anos, pernambucana começou a transformar barro em bichos e bonecos, usou argila, fez peças de 50 a 70 centímetros e virou referência em arte popular, Patrimônio Vivo e presença internacional

Aos 8 anos, pernambucana começou a transformar barro em bichos e bonecos, usou argila, fez peças de 50 a 70 centímetros e virou referência em arte popular, Patrimônio Vivo e presença internacional

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Aos 8 anos, pernambucana começou a transformar barro em bichos e bonecos, usou argila, fez peças de 50 a 70 centímetros e virou referência em arte popular, Patrimônio Vivo e presença internacional

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 04/09/2026 às 15:55

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Filha do louceiro Mestre Dunde, Maria Amélia levou para a arte sacra referências aprendidas em Tracunhaém, desenvolveu esculturas marcadas por mantos pregueados e expressões simples e teve obras apresentadas em cidades brasileiras, na Inglaterra e na França.

A produção de Maria Amélia da Silva nasceu de uma tradição familiar ligada à louça de barro em Tracunhaém, na Zona da Mata de Pernambuco, mas ganhou características próprias quando a artesã passou a concentrar seu trabalho em figuras religiosas.

O Portal Cultura PE, do Governo de Pernambuco, registra que Maria Amélia era filha de João Bezerra da Silva, conhecido como Mestre Dunde. Enquanto ele produzia objetos de uso cotidiano, ela começou aos 8 anos a modelar bichos e bonecos com a mesma matéria-prima.

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Panelas, jarros e bacias faziam parte do trabalho do pai, enquanto a menina experimentava formas diferentes. Imagens de santos católicos vistas na feira livre de Tracunhaém passaram a integrar suas referências e, com o tempo, a arte sacra se tornou central em sua produção.

Entre as figuras associadas à ceramista estão São João do Carneirinho, Nossa Senhora do Rosário, Rainha do Céu, São Francisco, Santa Luzia, São José e São Pedro. O repertório religioso se somou a elementos de modelagem que tornaram suas esculturas reconhecíveis.

Mantos pregueados e expressões faciais simples aparecem entre as características registradas nas obras. As peças mais representativas mediam entre 50 e 70 centímetros, escala que se distanciava dos primeiros bichos e bonecos da infância sem abandonar a argila como matéria principal. Essas dimensões apareciam em objetos inteiramente modelados em barro.

Da louça utilitária às imagens sacras

O percurso de Maria Amélia partiu do ofício praticado dentro de casa, mas seguiu uma direção diferente da produção utilitária de Mestre Dunde. A artesã usou o conhecimento familiar sobre o barro para construir um repertório figurativo fortemente associado às imagens religiosas.

Essa produção também passou a ocupar um lugar na tradição ceramista de Tracunhaém. O Governo de Pernambuco aponta as esculturas de Maria Amélia como referência para o desenvolvimento do artesanato em barro no município, marcado pela presença de diferentes gerações de ceramistas.

O vínculo com o território permaneceu no trabalho mesmo quando as peças passaram a circular fora da cidade. A matéria-prima, a tradição familiar e as referências religiosas observadas no cotidiano de Tracunhaém continuaram presentes nas esculturas que identificaram sua trajetória artística.

Obras chegaram a outras cidades e países

As esculturas de Maria Amélia foram apresentadas em Brasília e no Rio de Janeiro, além de terem circulação documentada fora do Brasil. O registro estadual aponta exposições na Inglaterra e na França, levando a produção feita em Tracunhaém a públicos de outros países.

Uma dessas participações ocorreu na exposição “100 anos do Brasil”, realizada na França. A mostra integrou a trajetória de uma artesã que havia começado a trabalhar com barro ainda criança e que, décadas depois, já participava de eventos voltados à divulgação da arte popular.

Maria Amélia também esteve duas vezes no Salão dos Mestres da Fenearte, espaço dedicado à valorização e à comercialização do artesanato pernambucano. A presença colocou suas peças em um evento voltado aos mestres da cultura popular e a diferentes tradições artesanais do estado.

O reconhecimento também ocorreu em Tracunhaém. A ceramista recebeu o título de Cidadã Benemérita do município e foi homenageada como a “Artesã mais antiga” durante uma Festa dos Artesãos, distinções relacionadas a uma trajetória construída ao longo de décadas na cidade.

Maria Amélia ainda participou do I Encontro Nacional de Artesãos, levando seu trabalho a um espaço voltado ao intercâmbio de técnicas, experiências e tradições do artesanato brasileiro. Essa participação se somou às exposições e aos eventos dos quais a ceramista fez parte ao longo da carreira.

Reconhecimento como Patrimônio Vivo

O reconhecimento institucional de maior destaque veio quando Maria Amélia recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, aos 87 anos. A concessão ocorreu quase oito décadas depois de ela começar a modelar os primeiros animais e bonecos no ambiente familiar.

O programa estadual de Patrimônios Vivos reconhece pessoas e grupos relacionados à preservação e à transmissão de conhecimentos, práticas e expressões culturais de Pernambuco. No caso da ceramista, o registro destaca sua contribuição para a memória e a continuidade de saberes e fazeres tradicionais entre diferentes gerações.

A trajetória reuniu etapas distintas sem alterar os elementos centrais do ofício: a argila, a aprendizagem familiar, a cerâmica de Tracunhaém e o repertório religioso. A partir deles, Maria Amélia desenvolveu esculturas de dimensões maiores, participou de eventos nacionais e teve obras apresentadas no exterior.

Na relação mantida pelo Governo de Pernambuco, Maria Amélia aparece identificada in memoriam, com o ofício de artesã ceramista e o vínculo com Tracunhaém. O registro estadual mantém seu nome entre os Patrimônios Vivos reconhecidos pela contribuição à cultura pernambucana.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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